terça-feira, março 10, 2026

Autor: Redação

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Colheita de soja avança no Brasil, mas ritmo fica atrás do registrado no ano passado


colheita da soja
Foto: Agência Estadual de Notícias do Paraná

A colheita de soja no Brasil atingiu 50,6% da área cultivada, segundo o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na semana anterior, os trabalhos estavam em 41,7%, o que representa um avanço semanal de 21,3% no ritmo da colheita.

Apesar da evolução, o andamento ainda está atrasado em relação ao mesmo período do ano passado. Em igual momento de 2025, a colheita alcançava 60,9% da área, indicando que o ritmo atual está 16,9% mais lento na comparação anual.

Em relação à média dos últimos cinco anos, de 48,5%, o desempenho da safra atual está 4,3% acima do ritmo histórico.

Colheita de soja pelo Brasil

Entre os estados produtores, o maior avanço é observado em Mato Grosso, onde a colheita já alcança 89,1% da área. Em seguida aparecem Mato Grosso do Sul (61%), Goiás (57%) e Tocantins (52%).

Na sequência estão Paraná (46%), Minas Gerais (39%) e São Paulo (38%). No Matopiba, o progresso ainda é mais lento, com o Piauí registrando 19% da área colhida e Maranhão 17%. Santa Catarina soma 11,7%, enquanto a Bahia está em 3%.

No Rio Grande do Sul, os trabalhos ainda não começaram, mantendo o índice em 0%.

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Maior petrolífera do mundo alerta para impacto catastrófico com bloqueio do Estreito de Ormuz


Imagem gerada por IA para o Canal Rural

A petrolífera saudita Saudi Aramco alertou que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pode provocar “consequências catastróficas” para o mercado global de petróleo caso o conflito envolvendo o Irã continue afetando o tráfego marítimo na região.

Segundo o CEO da companhia, Amin Nasser, grande parte das remessas de petróleo do Golfo está atualmente bloqueada. O estreito é uma das rotas estratégicas mais importantes do mundo, por onde normalmente passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente.

Nasser afirmou que a situação representa a maior crise já enfrentada pela indústria regional de petróleo e gás. Ele também alertou que os impactos podem se espalhar por diversos setores da economia global, incluindo transporte marítimo, seguros, aviação, agricultura e indústria automotiva.

Em meio às tensões, o preço do petróleo Brent, referência internacional, chegou a subir para quase US$ 120 por barril, antes de recuar após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que o conflito poderia chegar ao fim em breve.

Atualmente, a Aramco não está exportando petróleo pelo Golfo, já que navios não conseguem carregar cargas na região. Para atender parte da demanda, a empresa tem utilizado estoques globais e redirecionado o petróleo por meio do oleoduto Leste-Oeste, que leva a produção até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Esse sistema, no entanto, deve atingir sua capacidade máxima de 7 milhões de barris por dia nos próximos dias.

Mesmo com essas alternativas logísticas, a interrupção no fluxo marítimo pode retirar cerca de 350 milhões de barris do mercado global, em um momento em que os estoques mundiais de petróleo já se encontram nos níveis mais baixos dos últimos cinco anos.

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‘Produzir alimento com responsabilidade e sustentabilidade é o que me move’, diz sojicultora de Guaíra (SP)


Reprodução Canal Rural

Entre os indicados ao Prêmio Personagem Soja Brasil 2025/26 está a produtora rural Maira Lelis, de Guaíra (SP), que investe em gestão, tecnologia e sustentabilidade para fortalecer a produção de grãos na fazenda da família.

A história da propriedade começou há mais de oito décadas, quando o avô da produtora iniciou as atividades na área, que antes era formada por cerrado. Ao longo dos anos, o sistema produtivo evoluiu com a adoção de novas tecnologias e práticas agrícolas.

“A fazenda começou com meu avô há mais de 80 anos nesse mesmo solo que vocês estão conhecendo hoje. Antes era um cerrado e ele foi transformado. Hoje a gente tem produção de grãos aqui há mais de 40 anos”, conta. Segundo ela, no início os trabalhos eram bem diferentes dos atuais. “Antes, tudo não era mecanizado.”

De acordo com Maira, a agricultura moderna exige cada vez mais conhecimento técnico e capacidade de adaptação às inovações que surgem no setor. “O agro hoje é um agro de muita ciência e muita tecnologia. O maior desafio é estar sempre muito atento às inovações e conseguir levar essas novidades para dentro do campo”, afirma.

A produtora destaca que a busca constante por eficiência tem como objetivo reduzir custos e ampliar a produtividade das lavouras. “O desafio é poder colocar essas inovações dentro da fazenda e, com isso, diminuir os custos e aumentar a produtividade”, explica.

A sustentabilidade também passou a ocupar papel central na gestão da propriedade e na própria trajetória da produtora. Segundo ela, as boas práticas adotadas ao longo dos anos ajudaram a melhorar a qualidade do solo e fortalecer o sistema produtivo.

“Hoje a sustentabilidade faz parte da história da fazenda, da história da minha família e da minha história. Ver o nosso solo melhorando ao longo dos anos é algo muito gratificante”, destaca.

Entre as estratégias adotadas estão a rotação de culturas, o uso de plantas de cobertura e a aplicação de microrganismos no solo, práticas que contribuem para manter o sistema mais equilibrado e produtivo.

“A gente sabe que quando coloca plantas de cobertura e microrganismos no sistema, a gente alimenta o solo e deixa ele mais vivo. Foi assim que conseguimos aumentar a produtividade da soja”, diz.

Outra iniciativa recente na fazenda é a implantação de um corredor ecológico multifuncional, formado por diferentes espécies de árvores ao redor da propriedade. A proposta é atrair inimigos naturais das pragas e fortalecer o equilíbrio ambiental da área.

“Uma das novidades é a implantação de um corredor ecológico com árvores que têm pólen ao longo do ano todo. Isso ajuda a atrair inimigos naturais e tornar o sistema mais resiliente”, explica.

Para Maira, o reconhecimento como indicada ao prêmio está ligado à dedicação à produção de alimentos e à preocupação com o futuro da atividade no campo. “O que faz de mim uma personagem da soja brasileira é o amor que eu tenho pelo que faço, por produzir alimento com responsabilidade e sustentabilidade”, afirma.

Ela também ressalta a importância de preparar a próxima geração para dar continuidade ao trabalho na propriedade. “Queremos deixar um legado para as próximas gerações e um solo muito mais preparado para quem vai continuar esse trabalho”, conclui.

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Governo e Congresso apostam em mudanças na legislação para impulsionar seguro rural no país


Reprodução Canal Rural

O modelo de seguro rural brasileiro pode passar por mudanças estruturais nos próximos anos, com a introdução do seguro paramétrico e a tramitação de um projeto de lei no Congresso Nacional que pretende modernizar o sistema e ampliar a cobertura no campo.

O Ministério da Agricultura e Pecuária vem sinalizando nos últimos meses que pretende avançar com a implementação do seguro rural paramétrico no país. A proposta surge em um contexto de aumento da frequência de eventos climáticos extremos, que têm elevado os riscos da produção agrícola e pressionado a situação financeira de produtores rurais.

O modelo já vem sendo adotado em diferentes países como uma alternativa para ampliar a cobertura securitária no campo. Em mercados como Estados Unidos, Índia, França e México, o seguro paramétrico tem sido utilizado para proteger produtores contra riscos climáticos, com indenizações baseadas em indicadores como volume de chuva, temperatura ou velocidade do vento.

Estudos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que, apenas na safra 2023/24, perdas provocadas por seca, excesso de chuvas e geadas afetaram milhões de hectares de lavouras no país. Levantamentos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também mostram que o Brasil registrou aumento significativo de eventos climáticos extremos nas últimas décadas, com episódios de estiagem prolongada, ondas de calor e chuvas intensas.

Para os produtores, os impactos são diretos. Quebras de safra reduzem a renda, dificultam o pagamento de financiamentos e aumentam o risco de endividamento e renegociação de dívidas agrícolas, situação que frequentemente exige medidas emergenciais de crédito por parte do governo.

Mesmo diante desse cenário, a adesão ao seguro rural ainda é considerada baixa no Brasil. Dados do Ministério da Agricultura indicam que menos de 20% da área agrícola cultivada no país conta com algum tipo de cobertura securitária, o que deixa grande parte da produção exposta a riscos climáticos.

Como funciona o seguro paramétrico

Diferentemente do modelo tradicional, o seguro paramétrico não depende de vistoria presencial para avaliar prejuízos. A indenização é acionada automaticamente com base em indicadores climáticos previamente definidos, como volume de chuva, velocidade do vento ou temperatura.

De acordo com o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, o sistema pode trazer ganhos importantes de eficiência.

“A grande vantagem é que fica muito mais fácil a avaliação e o pagamento das indenizações”, afirma.

Apesar do potencial do modelo, especialistas apontam que a implantação no Brasil deve ocorrer de forma gradual. Isso porque o funcionamento do seguro paramétrico depende de uma ampla rede de estações meteorológicas e sistemas de monitoramento climático, algo que ainda não está plenamente disponível em todo o território nacional.

“A disponibilidade de medições é um obstáculo. Para aplicar esse modelo, é preciso ter uma rede ampla de dados climáticos em propriedades e municípios”, destaca Oliveira.

Segundo o Observatório de Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas (FGV), em 2025 cerca de 11 mil hectares foram segurados no modelo paramétrico com apoio do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Para efeito de comparação, o seguro tradicional cobriu aproximadamente 3,2 milhões de hectares no mesmo período.

Entre as 17 seguradoras habilitadas a operar com subvenção federal, apenas duas comercializaram apólices paramétricas, o que mostra que o modelo ainda está em fase inicial no país.

Na avaliação da FGV, a expansão desse tipo de seguro exige avanços técnicos importantes, como:

  • maior densidade de estações meteorológicas
  • uso intensivo de dados satelitais
  • séries históricas climáticas mais extensas
  • governança técnica independente
  • calibração regional dos índices climáticos

Outro desafio é o chamado “risco de base”, que ocorre quando a indenização acionada pelo índice climático não corresponde exatamente à perda real na propriedade.

“O seguro paramétrico se guia única e exclusivamente pelo parâmetro definido. Então, você pode ter uma circunstância, por exemplo, de um grande vendaval, mas aquela propriedade não ter nenhum prejuízo por alguma característica específica. Ele vai ser indenizado exatamente igual aos outros. E pode acontecer o contrário também”, explica o presidente da CNseg.

Projeto de lei busca modernizar seguro rural

Paralelamente ao debate sobre o seguro paramétrico, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 2951/2024, que propõe mudanças estruturais no sistema de seguro rural brasileiro.

O texto busca ampliar a cobertura do seguro no país e tornar o instrumento mais integrado às políticas de crédito agrícola.

Entre os principais pontos da proposta estão:

  • integração entre crédito rural e seguro agrícola, incentivando produtores que contratarem proteção contra riscos climáticos
  • criação de mecanismos de gestão de risco para instituições financeiras
  • maior previsibilidade para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR)
  • estruturação de um fundo de estabilização para o setor

Para Dyogo Oliveira, a vinculação entre seguro e crédito pode melhorar a gestão de risco no agronegócio.

“A concessão de crédito sem seguro acaba resultando em inadimplência e renegociações frequentes de dívidas”, afirma.

Na avaliação do executivo, produtores segurados têm maior capacidade de honrar compromissos financeiros mesmo em anos de perdas climáticas.

Estudos da FGV também indicam que a integração entre seguro rural e crédito agrícola pode reduzir riscos para instituições financeiras. Segundo a instituição, produtores segurados tendem a apresentar menor probabilidade de inadimplência, o que reduz perdas para bancos e melhora o perfil de risco das carteiras agrícolas.

Isso pode permitir, por exemplo:

  • redução do spread bancário
  • ampliação do limite de crédito
  • prazos mais longos de financiamento
  • menor exigência de garantias

No dia 2 de março, a Câmara dos Deputados aprovou o requerimento de urgência para o projeto de lei, o que permite que a proposta seja votada diretamente no plenário. Após a conclusão da análise pelos deputados, o texto segue para o Senado e, se aprovado, é encaminhado para sanção presidencial.

Fundo de estabilização

Outro ponto previsto no projeto é a criação de um fundo de estabilização do seguro rural. A proposta prevê que, em anos de resultados positivos, parte dos recursos das seguradoras seja direcionada para esse fundo. Já em anos de perdas climáticas elevadas, os recursos poderiam ser utilizados para compensar prejuízos do sistema e evitar oscilações abruptas no preço das apólices.

Segundo Oliveira, o mecanismo ajudaria a trazer maior estabilidade ao mercado de seguros agrícolas.

Além disso, o setor também defende maior previsibilidade orçamentária para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, garantindo que os recursos previstos no orçamento federal sejam efetivamente utilizados.

“Uma das medidas urgentes para melhorar o modelo de seguro rural no país é garantir que o dinheiro previsto no orçamento da União seja aplicado no seguro rural”, afirma o executivo.

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Frente fria avança, derruba temperaturas e provoca chuva forte em várias regiões


chuva forte, tempestade, raios
Foto: Pixabay

A previsão do tempo para esta terça-feira (10) indica instabilidades em grande parte do Brasil, com risco de pancadas fortes, trovoadas e rajadas de vento em diversas regiões. A combinação entre circulação marítima, cavados atmosféricos e alta disponibilidade de umidade mantém o tempo instável do Sul ao Norte do país.

Sul

Na região Sul, a circulação marítima mantém maior presença de umidade na faixa leste, favorecendo chuva desde o início do dia. Há previsão de precipitações fracas entre o litoral do Paraná e de Santa Catarina, além de áreas do norte e interior do Rio Grande do Sul.

Ao longo da manhã, as instabilidades se organizam principalmente no norte, nordeste e interior do Paraná, avançando também para o oeste do estado. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, na área central gaúcha e na Costa Doce, também são esperadas pancadas de chuva.

Entre o fim da manhã e o início da tarde, perturbações em níveis médios da atmosfera reforçam as instabilidades. A previsão aponta pancadas moderadas a fortes, trovoadas e risco de temporais no Paraná, no oeste e centro-leste de Santa Catarina e em diversas áreas do Rio Grande do Sul.

No leste e norte do Paraná, há perigo para acumulados elevados de chuva. Já no interior catarinense e em áreas do sudoeste e sul do Paraná, o tempo tende a permanecer mais firme.

As rajadas de vento podem chegar entre 40 e 50 km/h, principalmente na metade sul, litoral e oeste do Rio Grande do Sul e também no sul de Santa Catarina. O mar permanece agitado ao longo da costa.

Sudeste

No Sudeste, a circulação marítima segue favorecendo chuva em grande parte da faixa litorânea. Ao mesmo tempo, uma frente fria avança pelo litoral do Espírito Santo, aumentando a instabilidade.

No interior da região, pancadas moderadas a fortes atingem a metade oeste de São Paulo, além do Triângulo Mineiro e do norte e nordeste de Minas Gerais.

Durante a manhã, as instabilidades diminuem temporariamente em algumas áreas mineiras. Porém, no estado de São Paulo a chuva se espalha e ganha intensidade ao longo do dia.

Entre o fim da manhã e a tarde, um cavado meteorológico em médios níveis da atmosfera, aliado ao transporte de umidade, intensifica as instabilidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e grande parte de Minas Gerais.

Há alerta para temporais no estado paulista, no interior e regiões serranas do Rio de Janeiro, no centro-sul e Triângulo Mineiro e no sudoeste do Espírito Santo. No litoral norte paulista e áreas do sul e sudoeste de São Paulo, existe risco de acumulados elevados de chuva.

As rajadas de vento podem variar entre 40 e 50 km/h no litoral paulista, no litoral sul fluminense e na cidade do Rio de Janeiro.

Centro-Oeste

No Centro-Oeste, a grande quantidade de umidade disponível na atmosfera mantém o tempo instável. Essa condição é reforçada pelo transporte de umidade vindo da Região Norte.

Desde o início do dia, ocorrem pancadas de chuva moderadas no oeste, norte e sul de Mato Grosso, além do nordeste e leste de Goiás e em grande parte de Mato Grosso do Sul.

Durante a manhã, as instabilidades diminuem momentaneamente, mas voltam a se intensificar à tarde. O calor e a umidade favorecem a formação de novas áreas de chuva em Mato Grosso e Goiás, com alerta para temporais no sul de Mato Grosso e no sul de Goiás.

Em Mato Grosso do Sul, a presença de uma área de baixa pressão sobre o Paraguai aumenta a instabilidade, com pancadas moderadas a fortes e risco de temporais ao longo do dia.

Apesar da chuva, o calor segue predominando na maior parte da região.

Nordeste

No Nordeste, o dia começa com chuva isolada no litoral norte da região e em áreas do sul do Piauí, Maranhão, oeste da Bahia e sul do Ceará.

Entre o litoral do Rio Grande do Norte e Sergipe, a circulação marítima mantém chuva fraca.

Ao longo do dia, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) intensifica as instabilidades no litoral norte, entre Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, com pancadas de moderada a forte intensidade.

Há alerta para temporais na metade sul do Maranhão e do Piauí, além do norte e litoral maranhense e no oeste do Ceará.

Nas demais áreas da região, o tempo permanece mais firme e as temperaturas sobem ao longo da tarde.

Norte

Na região Norte, a elevada disponibilidade de umidade mantém o tempo instável e abafado. Desde o início do dia, há pancadas fortes no Amazonas, oeste e interior do Pará, além do Acre e de áreas de Roraima.

A ZCIT também influencia o Amapá e o litoral do Pará, enquanto um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN) contribui para a instabilidade no nordeste paraense.

Ao longo do dia, as instabilidades se intensificam no Amazonas, Rondônia, Acre, Amapá, Roraima e em grande parte do Pará.

Há risco de temporais no Acre, no oeste e norte do Amazonas, no oeste de Roraima, no sul de Rondônia, no norte do Amapá e no nordeste do Pará.

Mesmo com a chuva, as temperaturas seguem elevadas e a sensação de abafamento continua predominando em toda a região.

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AgroNewsPolítica & Agro

Safra de laranja aumenta e pressiona preços em SP e MG


O Cinturão Citrícola de São Paulo e o Triângulo/Sudoeste Mineiro devem produzir 292,6 milhões de caixas de 40,8 kg na safra 2025/26. Esse volume é 26,7% maior do que o colhido na safra 2024/25. Os dados são do relatório da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) com base em levantamento realizado pelo Fundecitrus.

Ainda segundo o relatório, elaborado pelo Departamento Econômico da Faesp, a produtividade estimada é de 807,9 caixas por hectare, 18% maior que na safra anterior. O peso médio das laranjas deve atingir 153 gramas e a taxa de queda dos frutos pode chegar a 23%.

As variedades Hamlin, Westin e Rubi já tiveram as suas colheitas concluídas, com produção estimada de 46,2 milhões de caixas, 23% maior que a do ciclo passado. As taxas de queda das variedades precoces são as mais baixas: 16,9% para Hamlin, Westin e Rubi e 18,5% para as demais precoces. A safra da variedade Pera Rio está estimada em 87,65 milhões de caixas, com peso médio de 153 gramas/fruto, sendo necessários 267 frutos para compor uma caixa de 40,8 kg.

As variedades tardias sofreram mais com as chuvas intensas de janeiro, afetando a qualidade dos frutos, com a produção das laranjas Valência e Folha Murcha estimada em 104,3 milhões de caixas, com peso médio de 161 gramas. A produção da variedade Natal deve alcançar 36,8 milhões de caixas, com média de 250 frutos por caixa e taxa de queda estimada em 28,5%.

A oferta elevada, maior taxa de queda e redução na qualidade das variedades de mesa devido às chuvas, mantiveram os preços da laranja em São Paulo pressionados no início de 2026. Em meados de fevereiro, o indicador da laranja indústria estava em aproximadamente R$ 32 por caixa, acumulando variação mensal negativa de quase 12%.

Clique na imagem abaixo para acessar o relatório completo, e acesse o Painel de Dados da Faesp para mais informações sobre os principais produtos agropecuários e outras estatísticas importantes para o agronegócio paulista e brasileiro.





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AgroNewsPolítica & Agro

Programa leva transferência de embriões ao campo


O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) colocou em prática o Programa Nacional de Transferência de Embriões da Agricultura Familiar, instituído pela Portaria nº 28/2025, com a proposta de ampliar o acesso de pequenos produtores a tecnologias de melhoramento genético. A iniciativa busca elevar a produtividade de leite e carne nas propriedades familiares por meio da utilização de biotecnologia reprodutiva.

De acordo com o ministério, o programa pretende democratizar o acesso a material genético de alto desempenho, permitindo que produtores familiares utilizem técnicas antes concentradas em grandes propriedades. A transferência de embriões possibilita o nascimento de animais com genética superior de pai e mãe, diferentemente da inseminação artificial convencional, em que apenas a genética do touro é selecionada.

O ministro do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou que a política pública busca ampliar a competitividade do setor. “A pasta está entregando ao pequeno produtor a tecnologia que antes era restrita aos grandes, garantindo que o rebanho da agricultura familiar seja sinônimo de excelência e renda”, disse.

O processo envolve a seleção de fêmeas doadoras com genética comprovada e de vacas receptoras presentes nas propriedades rurais. Após a fertilização em laboratório, o embrião é implantado na receptora, que gestará o animal com características produtivas superiores, como maior adaptação ao clima tropical, melhor conversão alimentar no caso de gado de corte e aumento da produção de leite.

Para apoiar a implantação da tecnologia nas propriedades, o programa prevê suporte técnico especializado. Os produtores podem destinar até 2% do valor financiado pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para assistência técnica, que acompanha desde a seleção das receptoras até os primeiros meses de desenvolvimento dos animais.

A secretária-executiva do MDA, Fernanda Machiaveli, destacou que a logística de distribuição do material genético e do conhecimento técnico é fundamental para o funcionamento do programa. “Nosso foco é assegurar que o conhecimento e o material genético cheguem com qualidade às áreas mais remotas, fortalecendo as cooperativas locais”, afirmou.

Segundo o ministério, a expectativa é que, nos próximos cinco anos, a biotecnologia reprodutiva passe a integrar de forma mais ampla o cotidiano das propriedades familiares, ampliando a produtividade e fortalecendo a produção de alimentos no país.





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Petróleo cede, bolsas avançam e inflação toma o foco: ouça os destaques do dia


PODCAST Diário Econômico

No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca a forte volatilidade no mercado de energia, impulsionada por tensões no Estreito de Ormuz e cortes de produção no Golfo, que levaram momentaneamente o petróleo a US$ 120 o barril.

Após discussões no G7 sobre uso de reservas estratégicas, os preços recuaram abaixo de US$ 100. O Ibovespa avançou 0,86%, o dólar caiu 1,52% para R$ 5,16 e juros futuros recuaram. Agenda doméstica traz apenas prévias de inflação.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

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Estudo da Embrapa avalia uso de algas para reduzir impacto da seca em lavouras


Canola em casa de vegetação. Foto: Agnaldo Chaves.
Canola em casa de vegetação. Foto: Agnaldo Chaves.

Pesquisadores da Embrapa Agroenergia, no Distrito Federal, estudam o uso de algas marinhas da costa brasileira para desenvolver um bioestimulante voltado à tolerância de culturas agrícolas ao déficit hídrico.

Os experimentos foram realizados em casa de vegetação com canola e trigo cultivados no Cerrado. Os testes registraram aumento de até 160% na formação de síliquas na canola, estruturas que abrigam as sementes, e crescimento de até 12% no sistema radicular do trigo.

O projeto recebeu o nome de Algoj, inspirado na palavra “alga” em esperanto, e é realizado em parceria com a empresa CBKK, com recursos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Segundo as pesquisadoras Simone Mendonça e Patrícia Abrão, responsáveis pelo projeto iniciado em 2023, os resultados indicam potencial de aplicação, mas ainda precisam ser confirmados em condições de campo.

Extração de fitormônios é foco do estudo

Ao longo de dois anos, os pesquisadores analisaram quatro espécies de algas marinhas. Três delas foram selecionadas para continuidade dos estudos. O foco da pesquisa está na extração de metabólitos secundários, compostos que atuam como sinalizadores químicos no desenvolvimento das plantas.

“Os metabólitos secundários não são os componentes principais da planta, como os relacionados com proteína, lipídio e carboidrato. Eles existem em pequeníssimas quantidades, mas têm ação de sinalizadores químicos em outros organismos (plantas)”, explica Mendonça.

Para obter esses compostos, chamados de fitormônios, os pesquisadores testaram diferentes métodos de secagem e extração das algas. “Estudamos o perfil metabólico dessas algas e testamos de quatro a cinco formas diferentes de extração para cada alga. Fizemos várias tentativas para ver qual método melhor extrairia os metabólitos”, afirma a pesquisadora.

Quatro extratos foram selecionados após testes iniciais realizados com mudas de tomate da cultivar BRS Zamir.

Testes com trigo e canola no Cerrado

Canola em casa de vegetação. Foto: Agnaldo Chaves.
Canola em casa de vegetação. Foto: Agnaldo Chaves.

A pesquisa avançou para experimentos com trigo e canola, culturas cultivadas no inverno no Cerrado. O bioma registra período de estiagem entre maio e setembro, com redução de chuvas observada nas últimas décadas. As duas culturas foram escolhidas por enfrentarem fases de estresse hídrico durante esse período.

Os testes identificaram dois extratos de algas com potencial de aplicação nas lavouras.

Na canola, uma das formulações antecipou o florescimento e manteve desempenho produtivo sob restrição de água. No trigo cultivado sem irrigação, o uso de extratos resultou em aumento no volume e no comprimento das raízes.

Resultados ainda precisam ser validados em campo

Os experimentos foram realizados em ambiente controlado, com temperatura e umidade reguladas. O pesquisador Agnaldo Chaves afirma que os resultados obtidos indicam potencial, mas não devem ser reproduzidos na mesma proporção em lavouras comerciais.

“Se conseguirmos replicar de 5 a 10% dessa produtividade em campo, já seria um ótimo incremento”, diz.

Segundo ele, duas formulações apresentaram desempenho na canola e uma no trigo de sequeiro (sem irrigação). “Nos dois casos, são efeitos benéficos que acreditamos serem replicáveis em condições de campo, fazendo com que as plantas suportem maiores períodos sem precipitação”, afirma.

Nos testes, a canola foi acompanhada por cerca de 100 dias até a fase reprodutiva, enquanto o trigo foi avaliado até a fase vegetativa.

Produção de bioinsumo também enfrenta desafios

Além dos testes agronômicos, a pesquisa incluiu o desenvolvimento de formas de transporte e conservação do bioinsumo.

Como o transporte de extratos líquidos pode aumentar custos e provocar degradação dos compostos, os cientistas desenvolveram uma versão seca do produto, em pó molhável, por meio do processo de spray dryer.

“O desafio era evitar que o calor destruísse os fitormônios sensíveis das algas. Com o uso de adjuvantes específicos, conseguimos proteger os componentes de interesse durante a secagem do extrato e aumentar o rendimento do processo para até 80%, resultando em um produto final com apenas 1,5% de umidade, o que garante maior estabilidade e facilidade de transporte”, afirma Mendonça.

Próxima etapa prevê testes em lavouras

Com a etapa de laboratório e de casa de vegetação concluída em janeiro de 2026, a equipe busca ampliar a parceria para iniciar experimentos em campo. O objetivo é definir recomendações de uso, como dosagem e período de aplicação.

Ainda serão avaliados fatores como o uso combinado de espécies de algas e o comportamento do extrato em regiões com diferentes regimes de chuva. “Somente os testes em campo é que nos possibilitarão ter essas respostas”, afirma Mendonça.

Segundo a pesquisadora, o uso de algas também pode estimular a cadeia produtiva ligada à biodiversidade marinha brasileira, com geração de renda para comunidades que atuam na coleta e cultivo dessas espécies.

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Lagartas desafiam produtividade em milho, soja e trigo e reforçam importância do manejo integrado nas lavouras brasileiras


As lagartas seguem entre as pragas que mais preocupam produtores de milho, soja e trigo no Brasil. Em condições de alta infestação, esses insetos podem causar prejuízos expressivos e comprometer diretamente a rentabilidade das lavouras. Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indicam que ataques severos podem reduzir em até 30% a produtividade da soja e até 40% do milho, principalmente quando o controle não é realizado no momento adequado. Esses números reforçam o impacto econômico das pragas lepidopteras nos principais sistemas produtivos de grãos do país.

Entre as espécies mais presentes nas lavouras brasileiras está a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), considerada uma das pragas mais agressivas do milho e capaz de atacar também culturas como soja, algodão e hortifrúti. Outra espécie de grande impacto econômico é a lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens), praga importante na soja e que exige atenção constante devido à dificuldade de controle em determinadas situações. Segundo informações técnicas da Embrapa, essas espécies provocam danos principalmente nas folhas das plantas, reduzindo a área fotossintética e comprometendo o desenvolvimento da cultura.

Segundo Lauany Cavalcante, Coordenadora de Portfólio da Biotrop, os sinais de infestação podem evoluir rapidamente quando o monitoramento não é realizado com frequência. “Quando há alta população de lagartas, é comum encontrar folhas completamente perfuradas e cartuchos de milho severamente danificados. Esse ataque reduz a capacidade de fotossíntese da planta e impacta diretamente o potencial produtivo da lavoura”, explica a especialista.

O principal dano causado pelas lagartas ocorre nas folhas das plantas. Esses insetos possuem aparelho bucal mastigador, característica que permite consumir rapidamente grandes áreas foliares e provocar desfolha intensa. Em infestações severas, a perda da área foliar reduz a capacidade da planta de produzir energia via fotossíntese, afetando diretamente o crescimento da cultura e o enchimento de grãos, efeito amplamente descrito em publicações técnicas da Embrapa. 

Além das pragas que atacam as culturas de verão, produtores também precisam ficar atentos às lavouras de inverno. Nos sistemas de produção que incluem trigo, aveia e outros cereais, a lagarta-do-trigo (Pseudaletia sequax) tem ganhado destaque como importante desafio fitossanitário. De acordo com informações técnicas da Embrapa Trigo, essa praga possui hábito alimentar predominantemente foliar e pode provocar intensa desfolha nas plantas quando ocorre em altas populações, comprometendo o desenvolvimento da cultura e o enchimento de grãos.

As lagartas normalmente se alimentam durante a noite ou em períodos de menor luminosidade e podem migrar em grupos quando o alimento se torna escasso, comportamento que favorece a rápida expansão da infestação nas áreas cultivadas, conforme descrito em materiais técnicos da Embrapa e de instituições de pesquisa agrícola.

Para Lauany Cavalcante, o sucesso no controle dessas pragas depende diretamente da adoção de estratégias eficientes de Manejo Integrado de Pragas (MIP). “A chave de sucesso para o produtor é combinar monitoramento, rotação de mecanismos de ação e integração de tecnologias químicas e biológicas. Essa estratégia reduz a pressão de seleção e aumenta a eficiência no controle das lagartas ao longo das safras”, destaca.

Nesse cenário, soluções biológicas formuladas com microrganismos entomopatogênicos têm ganhado espaço no manejo agrícola. Tecnologias microbiológicas à base de bactérias como Bacillus thuringiensis e Brevibacillus laterosporus atuam no controle de lagartas por ingestão e contato, causando danos ao sistema digestivo dos insetos e em sua cutícula levando-o à mortalidade.

Com o avanço da intensificação agrícola e da sucessão de culturas no Brasil, o monitoramento constante das lavouras e o uso estratégico de diferentes ferramentas de manejo tornam-se cada vez mais decisivos para proteger a produtividade. A integração entre tecnologias químicas, biológicas e práticas agronômicas tem se mostrado fundamental para reduzir perdas e garantir maior eficiência no controle das lagartas nas lavouras brasileiras.

 





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