Na segunda-feira (24), a CNA protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para suspender todas as portarias e decretos recentes relacionados a demarcações até que o tribunal conclua o julgamento sobre a Lei 14.701/2023, que instituiu o Marco Temporal.
Segundo a entidade, a decisão do governo de avançar com novas demarcações ocorre “em completa deslealdade” com o STF e com o Parlamento, especialmente porque está em curso, no âmbito da Corte, uma Mesa de Conciliação criada justamente para construir uma solução consensual sobre o tema.
A CNA argumenta que, ao editar portarias declaratórias e decretos homologatórios durante esse processo, o Executivo demonstra que “nunca buscou atuar com lealdade processual” e ignora o esforço de conciliação proposto pelo Supremo.
A confederação também afirma que as medidas desconsideram a vigência do Marco Temporal e colocam em risco o direito de propriedade de agricultores, principalmente pequenos e médios produtores. Para a CNA, as novas demarcações podem “incentivar conflitos no campo”, gerar instabilidade social e comprometer a segurança jurídica em diversas regiões do país.
FPA vê aumento da insegurança jurídica
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também se posicionou sobre o avanço dos atos normativos. Em nota divulgada na terça-feira (25), a entidade afirmou que as portarias e decretos publicados pelo governo “têm gerado aumento na percepção de insegurança jurídica” nos processos de demarcação.
Assim como a CNA, a FPA destaca que as medidas não estariam alinhadas à Lei 14.701/2023, aprovada pelo Congresso e atualmente em vigor. Para a Frente, editar atos normativos enquanto o STF ainda conduz a conciliação prevista na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 87 prejudica o ambiente de diálogo entre os Poderes e pode amplificar conflitos fundiários.
A FPA alerta que a falta de convergência entre governo, Congresso e Supremo gera incertezas jurídicas para produtores, comunidades indígenas e gestores locais, além de comprometer a previsibilidade dos processos de regularização territorial.
O governo chinês decidiu prorrogar, pela segunda vez, o prazo da investigação sobre possíveis medidas de salvaguarda aplicadas às importações de carne bovina. A confirmação veio nesta terça-feira (25), por meio do Ministério do Comércio da República Popular da China (MOFCOM).
Segundo o comunicado, “tendo em vista a complexidade do caso, o Ministério do Comércio decidiu prorrogar novamente o prazo da investigação até 26 de janeiro de 2026”. A apuração começou em 27 de dezembro de 2024 para analisar se o aumento das compras internacionais estaria prejudicando a produção doméstica.
A primeira prorrogação ocorreu em 6 de agosto de 2025, quando o prazo foi ampliado até 26 de novembro. Com a nova decisão, o processo se estende por mais dois meses, mantendo o ambiente de incerteza para o Brasil, principal fornecedor de carne bovina ao mercado chinês.
Ministério da Agricultura descarta risco de suspensão
Apesar das especulações sobre possíveis restrições motivadas por detecções de Fluazuron, substância usada no controle de carrapatos, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) afirma que não há qualquer indício de bloqueio por parte da China.
Goulart reforçou que o Brasil acompanha de perto o andamento da investigação chinesa, por meio do Mapa, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais e do Itamaraty. A expectativa é positiva.
“Nós esperamos um bom resultado, uma investigação que mostre que as exportações brasileiras não impactam de forma significativa a economia do produtor local chinês.”
Segundo o secretário, o risco de suspensão foi descartado, e o governo segue em diálogo com a Administração Geral de Alfândegas da China (GACC).
“Nosso objetivo é mostrar que o sistema agropecuário do Brasil é transparente e que não causa impactos negativos na produção local chinesa.”
Principal comprador
A China segue como o destino mais importante para a carne bovina brasileira. Em outubro, o país asiático comprou 190,8 mil toneladas, equivalente a 53% de tudo o que o Brasil exportou no mês, gerando US$ 1,04 bilhão em receita.
No acumulado de 2025, a relevância chinesa permanece elevada: 48,1% do volume exportado e 49,7% da receita vêm da China. Muito atrás aparecem União Europeia, Estados Unidos, México e Chile.
A Petrobras decidiu assumir de vez que o futuro da empresa passa pelo campo. Ao anunciar que pretende crescer ao menos 60% no fornecimento de energia primária até 2050, a presidente Magda Chambriard deixou claro que a estatal só conseguirá manter sua fatia de 31% da matriz energética brasileira se acompanhar o ritmo do agronegócio, hoje o maior consumidor de diesel do país. É por isso que regiões como o Matopiba, onde a fronteira agrícola avança e a demanda por energia cresce mais rápido do que a infraestrutura disponível, se tornaram prioridade absoluta da companhia.
Mesmo com restrições legais para atuar no mercado de distribuição tradicional até 2029, a Petrobras quer ampliar a venda direta de combustíveis para grandes consumidores do agro, cooperativas, tradings, transportadoras e produtores com alto volume de consumo. Isso abre uma porta importante para o setor, especialmente em áreas onde o abastecimento ainda é instável e os custos logísticos pressionam a rentabilidade. No Matopiba e no Centro-Oeste, onde a produção cresce e a logística patina, ter a Petrobras como fornecedora pode significar mais segurança, mais concorrência e, potencialmente, menor custo no tanque e no frete.
A aproximação, porém, não é apenas comercial, é estratégica e estrutural. A estatal sabe que o Brasil não fará uma transição energética rápida. Diesel, biocombustíveis e gás continuarão sendo a espinha dorsal das próximas duas décadas. E sabe também que não existe transição energética sem o agronegócio, porque a substituição gradual dos combustíveis fósseis por combustíveis renováveis depende diretamente da produção agrícola. Etanol, biodiesel, biogás, SAF (combustível sustentável de aviação) e diesel coprocessado são todos produtos que conectam a indústria energética ao campo. A Petrobras precisa do agro para produzir biomassa em escala, e o agro precisa da Petrobras para transformar essa biomassa em energia limpa, competitiva e disponível.
Essa interdependência redefine a relação entre energia e produção rural. Crescer com o agro significa crescer com o Brasil real, o Brasil que planta, colhe, exporta e movimenta a economia. Para o produtor rural, isso se traduz em previsibilidade, segurança de abastecimento e, ao longo do tempo, em novas oportunidades no mercado de combustíveis renováveis, que podem gerar renda adicional e estimular práticas produtivas mais sustentáveis.
A expansão da Petrobras para o Matopiba reforça também o reconhecimento de que essa região, antes vista como periferia, hoje é um dos motores da agricultura brasileira. Mas escancara desafios: sem infraestrutura sólida, mesmo combustíveis mais acessíveis não resolvem gargalos de estradas ruins, armazéns insuficientes e distâncias longas até portos. A energia chega, mas o escoamento precisa acompanhar.
Ainda assim, o movimento tem lógica e traz oportunidade. A Petrobras se reposiciona como fornecedora estratégica do campo num momento em que o mundo cobra mais produção de alimentos, mais segurança energética e mais estabilidade logística. Se conseguir equilibrar expansão, governança e responsabilidade ambiental, a estatal pode se tornar não apenas uma gigante da energia, mas uma parceira fundamental na modernização do agronegócio brasileiro.
E para o agro, essa parceria não é apenas bem-vinda, é indispensável para manter o Brasil competitivo, sustentável e preparado para liderar a transição energética nos próximos anos.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
O setor exportador de produtos citrícolas ganhou um importante alívio tarifário
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Foto: Seane Lennon
O setor exportador de produtos citrícolas ganhou um importante alívio tarifário nos últimos dias. Para o suco de laranja, o governo dos Estados Unidos retirou, no final da primeira quinzena de novembro, a tarifa adicional de 10% que havia sido aplicada de forma generalizada às importações em abril deste ano e que ainda incidia sobre o produto. Já para os subprodutos, em ordem executiva anunciada na última quinta-feira, 20, óleos essenciais, subprodutos terapêuticos e polpa de laranja tiveram zeradas as tarifas de 40%, mas continuaram sobretaxados em 10%.
Segundo pesquisadores do Cepea, essa movimentação representa mais uma boa notícia para o setor, que enfrenta um período de lentidão nos embarques internacionais de suco. Agentes consultados pelo Cepea ressaltam que a isenção tarifária preserva a competitividade do suco brasileiro no mercado norte-americano, fator considerado essencial para o equilíbrio das exportações nesta temporada. No entanto, para os EUA, segue vigente a tarifa de US$ 415 por tonelada de FCOJ, que já existia antes de todo esse imbróglio imposto pelo presidente Donald Trump.
Para os subprodutos, pesquisadores do Cepea indicam que as exportações com a sobretaxa vinham perdendo espaço no mercado norte-americano, e a isenção anunciada pode ajudar na recuperação dos embarques para os EUA.
SÃO PAULO (Reuters) – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira que por mais pressão que haja sobre o Banco Central para não baixar juros, as taxas estão “exageradamente restritivas” e terão que cair, defendendo que a autoridade monetária dê ao menos uma sinalização sobre cortes à frente.
Em evento promovido pela Bloomberg, em São Paulo, um dia antes de o BC anunciar sua decisão sobre o patamar da Selic, Haddad afirmou que uma taxa real de juros de 10% no Brasil é algo que não faz sentido, citando uma melhora nas expectativas de mercado e nos dados correntes de inflação.
“Considero uma taxa exageradamente restritiva, nós poderíamos já começar a pensar, sinalizar… vamos ver o comunicado, as vezes o patamar do juro pode se manter, mas o comunicado pode sinalizar… vamos aguardar”, disse o ministro em entrevista à Bloomberg paralela ao evento.
Haddad avaliou que os juros do país poderiam estar em patamar restritivo para arrefecer a inflação, mas não em um nível tão elevado, que, para ele, deprime o crescimento econômico e prejudica as contas públicas.
“Penso que uma correção do patamar da Selic ia fazer tudo convergir para um patamar mais adequado de crescimento, de fiscal, de inflação, de tudo”, afirmou.
Haddad ponderou que não é possível afirmar quando acontecerá o corte de juros pela autoridade monetária.
O mercado tem melhorado gradualmente as projeções para a inflação neste e nos próximos anos, mas em níveis ainda incompatíveis com o atingimento do centro da meta contínua de 3%.
De acordo com o mais recente boletim Focus do BC, as expectativas de inflação estão em 4,55% para este ano (contra 4,80% há um mês), 4,20% para 2026 (4,28% antes) e 3,80% para 2027 (3,90% antes).
A Selic está atualmente em 15% ao ano, e BC anuncia na quarta-feira sua decisão para os juros básicos após ter defendido em suas comunicações oficiais uma manutenção da taxa neste nível por período “bastante prolongado”, para assegurar o atingimento da meta de inflação.
O mercado de agricultura de precisão na América do Sul, liderado pelo Brasil, está projetado para registrar uma das maiores taxas de crescimento anual composto (CAGR) do mundo até 2028, com 9,88%, segundo dados da Triton Market Research. Esse avanço, no entanto, expôs um grande desafio para médios e grandes produtores: a ineficiência causada pelo “aprisionamento tecnológico”, onde cada máquina exige um monitor de sua própria marca, resultando em cabines com múltiplos terminais, custos redundantes e operações complexas.
Essa falta de padronização é uma lacuna para a eficiência. A solução que se consolidou globalmente é o protocolo ISOBUS (ISO 11783), uma norma universal que permite a comunicação entre máquinas e monitores de diferentes fabricantes. A crescente lista de produtos certificados pela Agricultural Industry Electronics Foundation (AEF) demonstra que a compatibilidade se tornou uma exigência do produtor tecnificado.
Atenta a essa demanda por flexibilidade e eficiência, a KUHN, oferecendo ao produtor rural a liberdade de escolher qual tecnologia utilizar em seus pulverizadores. A empresa garante total compatibilidade de suas máquinas com três opções de monitores de alto desempenho, desenvolvidos por líderes globais do setor.
Personalização e eficiência: a escolha na mão do produtor
Com as soluções da KUHN do Brasil, o agricultor tem a autonomia para decidir qual tela utilizar no campo, com três opções que garantem tecnologia de ponta e facilidade de uso:
● Trimble GFX-1060: Tela de 10 polegadas e sistema Android. Sua plataforma Precision-IQ oferece uma interface intuitiva. O uso da licença NextSwath (vendida separadamente) traz um grande avanço na automação de manobras de cabeceira.
● AGRES Agronave 12: Tela de 12 com GPS agrícola inteligente com suporte para linhas AB, curvas, mapas de orientação e taxa variável. O modo de visualização vertical permite uma interface compacta e intuitiva.
● John Deere G5: A KUHN oferece total integração com a tecnologia da John Deere. A máquina é entregue preparada para receber o Pacote essencial de tecnologia JD (monitor G5 ou G5 Plus e a antena StarFire 7500 (adquiridos separadamente). A instalação é plug- and-play e integra recursos avançados como AutoTrac e Controle de Seção, além do acesso ao JD Operation Center.
A partir de fevereiro, todas essas funcionalidades estarão disponíveis como opções para os pulverizadores KUHN Fighter e Stronger, bem como para os distribuidores de fertilizantes Accura 8.0 HD.
Compatibilidade sem complicação
“A escolha de um pulverizador autopropelido vai muito além de uma simples aquisição – é uma decisão estratégica que impacta diretamente a produtividade e a rentabilidade no campo. O produtor moderno busca máquinas que entreguem alta performance agronômica, mas também valoriza a inteligência embarcada, conectividade e o conforto operacional. Ter uma cabine equipada com tecnologia e flexibilidade é essencial para enfrentar os desafios da agricultura de precisão e garantir resultados consistentes em cada safra”, afirma Luis Guilherme Lemes, Especialista de Produto da KUHN do Brasil.
“Nossa filosofia é respeitar o ecossistema tecnológico do cliente. Garantimos a integração total dos principais monitores do mercado às nossas máquinas, sem perda de desempenho, conforme o padrão ISOBUS. A tecnologia precisa trabalhar para o produtor, e não o contrário”, complementa.
No site da KUHN do Brasil é possível conferir as opções e conhecer mais sobre os produtos da marca.
Sobre a KUHN do Brasil
O Grupo KUHN, que tem como propósito o desenvolvimento de soluções confiáveis para alimentar a população mundial preservando o meio ambiente, está presente em 110 países e emprega mais de 5.000 pessoas em 11 unidades de produção e 11 unidades de distribuição em todo o mundo. De origem francesa, com um know-how e expertise de 197 anos , possui a linha mais completa de implementos agrícolas para agricultura e pecuária.
A KUHN tem 20 anos de atuação no Brasil com sedes nas cidades de São José dos Pinhais (PR) e Passo Fundo (RS ). Conta ainda com quatro centros de distribuição e treinamentos, localizados em Rondonópolis (MT), Palmas (TO), São José dos Pinhais (PR) e Passo Fundo (RS).
Em 2025, a empresa reforça a sua presença nacional com a campanha “20 anos no Brasil – Fazendo história com você”.
No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que o clima construtivo entre EUA e China, com sinalização de visita de Trump a Pequim, impulsionou bolsas de NY e reduziu juros dos Treasuries.
No Brasil, dólar recuou levemente e curva de juros caiu com discurso de Galípolo alinhado ao BC. Ibovespa avançou moderadamente. Hoje, destaque para IPC-Fipe, INCC-M, Sondagem da Construção e dados externos de confiança, indústria e setor imobiliário nos EUA.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
O Paraná ampliou de forma significativa as exportações de milho entre janeiro e outubro, segundo o Boletim de Conjuntura Agropecuária divulgado na quarta-feira (19) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). De acordo com o documento, o estado exportou 3,55 milhões de toneladas, resultado que representa “alta de 179% quando comparada ao mesmo período de 2024”. A receita registrada chegou a 757,7 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 4,16 bilhões de reais.
O boletim informa ainda que o preço da tonelada apresentou leve variação, passando de 210,58 dólares em 2024 para 213,43 dólares, uma elevação de 1,35%. Segundo a análise, o aumento do volume exportado está relacionado “a uma safra recorde no ciclo anterior e à opção do produtor por escoar primeiramente o milho”, apontado como produto de menor atratividade comercial em comparação com a soja.
O complexo soja — farelo, óleo e grão — apresentou redução de 10% nos embarques no mesmo período. O relatório destaca que foram exportadas 13,56 milhões de toneladas, com receita de 5,53 bilhões de dólares, aproximadamente 30,4 bilhões de reais. Apesar do recuo no total, o boletim registra que “o óleo de soja teve aumento de 18%”, enquanto o farelo subiu 2% e a soja em grão registrou queda de 15%.
Somadas as exportações de soja e milho, o Paraná contabilizou 17,1 milhões de toneladas embarcadas nos dez primeiros meses de 2025, alta de 4,1%. Os analistas apontam que, mesmo com a redução do volume de soja, houve incremento no escoamento de granéis devido à priorização do milho. A expectativa é de que, nos próximos três meses, “haja um embarque maior de soja para liberação dos armazéns”, já que a colheita da nova safra tem início em janeiro.
Dia marcado por instabilidades de Norte a Sul do país. Em alguns estados, há risco de temporais. Veja a previsão do tempo para esta terça-feira (25):
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Sul
O tempo segue firme em grande parte da região e o sol predomina entre algumas nuvens. Há chance de chuvas apenas no litoral do Paraná, de Santa Catarina e no nordeste gaúcho devido à influência marítima. Em grande parte da região, as temperaturas seguem elevadas e o calor predomina, enquanto no leste catarinense e paranaense os termômetros ficam em níveis mais amenos.
Sudeste
A formação de uma área de baixa pressão sobre a costa do Sudeste, na altura do Rio de Janeiro e de São Paulo, deve manter as instabilidades pelo litoral paulista, além do Rio de Janeiro, Espírito Santo, leste de Minas Gerais e áreas da Zona da Mata mineira, onde há risco de chuva forte e chance de temporais. No norte e interior de São Paulo, além de áreas do sul, Triângulo Mineiro e grande parte de Minas, as instabilidades seguem ocorrendo, com chance de chuvas mais fortes em alguns pontos ao longo do dia. As temperaturas seguem mais amenas em boa parte da metade leste paulista, sul de Minas e áreas do Rio de Janeiro.
Centro-Oeste
As instabilidades seguem ocorrendo desde as primeiras horas do dia no sul, leste, oeste e áreas do interior de Mato Grosso, além da região central de Goiás. Ainda pela manhã, as pancadas de chuva se espalham mais pelos estados e à tarde ganham força. Enquanto isso, em Mato Grosso do Sul, as chuvas ficam mais restritas ao extremo norte do estado, de maneira fraca e isolada, e o dia segue com tempo mais aberto no restante do território.
Nordeste
Áreas de instabilidade ainda seguem no oeste e sul da Bahia, com chuva de moderada a forte intensidade e chance de temporais em alguns pontos. Entre Sergipe e Pernambuco, há chuva mais fraca e isolada pelo litoral, além da faixa litorânea entre o Maranhão e o Ceará. No sul desses dois estados, também há chance de chuva mais fraca. Já no restante da região, o tempo fica mais aberto e as temperaturas seguem elevadas.
Norte
Em Roraima, as chuvas diminuem, enquanto no Amazonas, em Rondônia e no Acre as pancadas seguem ocorrendo desde o começo do dia, ganhando força à tarde. Em áreas do centro-sul do Pará e no Tocantins, as pancadas de chuva também continuam atuando de maneira moderada a forte, enquanto na metade norte do Pará e em boa parte do Amapá, o tempo segue firme.
Pesquisadores brasileiros e norte-americanos identificaram uma molécula natural capaz de superar o desempenho de pesticidas tradicionais. O composto foi produzido por um fungo encontrado em uma planta tropical e mostrou alto potencial para o desenvolvimento de bioinsumos agrícolas mais eficientes e sustentáveis.
Uma equipe da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Embrapa Meio Ambiente e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) analisou um fungo endofítico isolado de uma planta medicinal tropical do gênero Piper. Esses microrganismos vivem dentro dos tecidos vegetais sem causar danos. Em muitos casos, atuam como aliados naturais das plantas.
O fungo estudado pertence ao gênero Fusarium e foi coletado no Parque Estadual da Floresta do Rio Doce, em Minas Gerais. A partir dele, os cientistas identificaram três metabólitos (substâncias químicas produzidas durante o metabolismo de um organismo) com ação herbicida e antifúngica. Entre eles estava um composto nunca descrito antes na literatura científica.
O novo metabólito, chamado de “composto 2”, apresentou resultados superiores aos de herbicidas sintéticos como glifosato e clomazona. Os testes mostraram que pequenas concentrações foram suficientes para inibir a germinação de plantas daninhas e reduzir o crescimento de espécies usadas em bioensaios.
Os ensaios ocorreram com sementes de alface e grama-de-bent, modelos amplamente usados pela indústria. Em ambos os testes, o composto impediu o desenvolvimento das plantas. A performance foi comparável ou superior à dos químicos usados como referência.
O composto também se destacou no controle do fungo Colletotrichum fragariae, patógeno que afeta várias culturas. A molécula formou zonas de inibição maiores que fungicidas naturais conhecidos, como carvacrol e timol.
Segundo a pesquisadora Sonia Queiroz, da Embrapa Meio Ambiente, o resultado reforça o potencial dos micro-organismos endofíticos. Eles podem gerar soluções eficazes e com menor impacto ambiental. Ela destaca que o setor busca alternativas devido ao avanço da resistência de pragas e aos limites ambientais impostos pelo uso de químicos tradicionais.
Biodiversidade brasileira impulsiona inovação
A descoberta mostra como a biodiversidade brasileira pode gerar moléculas inéditas com aplicação prática na agricultura. O professor Luiz Henrique Rosa, da UFMG, lembra que os endófitos ainda são pouco explorados. Ele destaca que esses microrganismos funcionam como verdadeiras fábricas naturais de compostos bioativos.
Para a agricultura, o achado tem peso estratégico. O uso de bioinsumos cresce em várias regiões do mundo e responde à demanda por defensivos mais seguros, eficientes e sustentáveis.
Próximos passos para transformar a molécula em produto
Os cientistas afirmam que novas etapas são necessárias. Entre elas estão estudos de segurança ambiental, testes de toxicidade e análises detalhadas dos mecanismos de ação. O desempenho em condições reais de lavoura também será avaliado.
Além disso, os pesquisadores observaram um fenômeno chamado hormese. Em doses muito baixas, o composto estimulou o crescimento vegetal. Esse efeito pode abrir novas aplicações no futuro.
Mesmo sem a identificação completa da espécie do fungo, a caracterização genética permitiu avançar com segurança nos testes. O artigo foi assinado por pesquisadores da UFMG, USDA e Embrapa Meio Ambiente.
Caminho aberto para defensivos mais sustentáveis
Os resultados reforçam o papel estratégico do Brasil na pesquisa de bioinsumos. A biodiversidade nacional pode gerar moléculas capazes de reduzir a dependência de químicos sintéticos e ampliar a eficiência no controle de pragas.
Os cientistas acreditam que o estudo marca o início de uma nova linha de pesquisa. Se confirmado em etapas futuras, o composto poderá integrar herbicidas e fungicidas de nova geração.