segunda-feira, março 9, 2026

Autor: Redação

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Brasil: gigante de pés de barro


O Brasil é um fenômeno de resistência. De um lado, ostenta a musculatura de uma grande economia do planeta, amparada por um setor produtivo resiliente e recursos naturais que o colocam no centro das discussões globais. De outro, o país padece de uma arquitetura política que parece desenhada para o autoextermínio estratégico.

O “Gigante”, embora robusto em sua base, caminha sobre pés de barro: um arranjo institucional onde Executivo, Legislativo e Judiciário, em vez de operarem como engrenagens de um motor comum, frequentemente funcionam como forças de atrito que paralisam o país.

Essa paralisia não é fruto do acaso, mas de uma deformidade na coordenação política. O Poder Executivo, constitucionalmente desenhado para liderar, viu-se reduzido a um gestor de crises imediatas, refém de um presidencialismo que sobrevive de coalizões efêmeras. O que se observa é uma gestão reativa: governa-se para atravessar a semana, para vencer a próxima votação ou para apagar o incêndio da vez. Nesse cenário, o planejamento de longo prazo, o verdadeiro “projeto de nação”, é sumariamente descartado em favor da sobrevivência política.

A miopia orçamentária e o governo do varejo

Essa lacuna de liderança é preenchida por um Legislativo que, embora legítimo em sua busca por protagonismo, mergulhou em um paroquialismo financeiro sem precedentes. Com o controle de fatias cada vez maiores do orçamento através de emendas impositivas, o Congresso passou a ditar o ritmo das finanças sem o ônus da responsabilidade fiscal de longo prazo. O resultado é um Estado engessado, onde 94% das receitas estão comprometidas com despesas obrigatórias, transformando o investimento em infraestrutura e inovação em uma espécie de “sobra” de luxo. Sem margem de manobra, o gigante tropeça na própria burocracia, enquanto o custo Brasil afugenta o capital que deveria financiar o futuro.

Contudo, o sintoma mais alarmante dessa erosão institucional talvez resida na metamorfose do Poder Judiciário. O que deveria ser o último reduto da estabilidade e da segurança jurídica tornou-se, nos últimos anos, um epicentro de tensões. A observação atenta do cenário revela uma preocupante perda da liturgia e do rigor republicano. Ministros de cortes superiores, que deveriam falar apenas nos autos, tornaram-se personagens frequentes de crônicas políticas, participando de eventos, fóruns e articulações que fogem à natureza técnica da magistratura.

A erosão da liturgia e o judiciário sob holofotes

Essa hipertrofia judiciária cria um ambiente de incerteza tóxica. Quando o árbitro do jogo decide se tornar jogador, ou quando sua conduta fora dos tribunais levanta suspeitas sobre a imparcialidade de suas canetadas, a confiança do mercado e da sociedade desmorona. O envolvimento em casos que tangenciam o campo político-partidário gera uma pressão social que a instituição não foi feita para suportar. Sem uma Justiça que se pretenda técnica e discreta, o Brasil flerta com o arbítrio, afastando investimentos estratégicos que exigem, acima de tudo, regras do jogo claras e perenes.

A realidade nua e crua é que o Brasil não sofre de falta de potencial, mas de um excesso de canibalismo entre seus poderes. A polarização atual deixou de ser um debate sobre ideias para se tornar uma guerra de aniquilação, onde a derrota do adversário é mais importante do que a vitória do país. Se o Executivo não liderar, se o Legislativo não olhar além do ciclo eleitoral e se o Judiciário não resgatar sua vocação de equilíbrio e recato republicano, o gigante continuará condenado ao seu próprio peso.

O resgate do pacto de sobriedade nacional

O que se impõe, neste momento, não é apenas uma reforma administrativa ou fiscal, mas um pacto de sobriedade institucional. O Brasil precisa, com urgência, decidir se quer ser a potência que sua geografia sugere ou se continuará sendo esse gigante paradoxal: forte em recursos, mas tragicamente frágil em direção, sempre à mercê da próxima crise que fará seus pés de barro cederem novamente.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Semana começa com frente fria e chuva forte em diversas regiões do país


chuva

A segunda semana de março de 2026 será marcada por chuvas frequentes e volumosas em grande parte do Brasil. Entre os dias 9 e 13 de março, a atuação simultânea de diversos sistemas meteorológicos, combinada com a presença de ar quente e úmido sobre o país, deve favorecer a formação de nuvens carregadas e temporais em todas as regiões.

Segundo a previsão meteorológica, há risco de pancadas fortes de chuva ao longo da semana, com possibilidade de alagamentos em áreas urbanas, transbordamento de rios e mar agitado em trechos do litoral.

Sul terá instabilidade persistente e mar agitado

Na região Sul, a formação de instabilidades será influenciada por uma área de baixa pressão atmosférica sobre o Paraguai, associada à entrada de ventos frios de origem polar.

Além disso, a presença de circulação ciclônica dos ventos em níveis elevados da atmosfera, cerca de 3 quilômetros de altitude, deve intensificar a formação de nuvens carregadas.

Com esse cenário, os três estados do Sul podem registrar pancadas fortes de chuva durante a semana.

Nas áreas próximas ao litoral, a combinação de nebulosidade persistente, chuva frequente e ventos frios deve manter as temperaturas mais amenas. Essa condição deve atingir principalmente:

  • Grande Curitiba
  • litoral do Paraná
  • litoral e Vale do Itajaí, em Santa Catarina
  • serras gaúcha e catarinense

Também há previsão de mar agitado, com possibilidade de ressaca, além de risco de alagamentos em centros urbanos.

Frente fria reforça chuva no Sudeste

No Sudeste, a passagem de uma frente fria com intensidade acima da média para esta época do ano será o principal fator de instabilidade.

O sistema será reforçado pela atuação de uma forte alta pressão de origem polar sobre o oceano, que favorece a infiltração de ar marítimo, além da circulação de ventos em níveis mais elevados da atmosfera.

Esse conjunto de fatores deve provocar chuva forte nos quatro estados da região.

No litoral e nas áreas próximas ao mar, a instabilidade pode gerar chuvas persistentes por várias horas consecutivas.

As temperaturas também devem ficar mais amenas em partes do leste do Sudeste, especialmente em regiões como:

  • Grande São Paulo
  • estado do Rio de Janeiro
  • Espírito Santo
  • sul de Minas Gerais
  • Zona da Mata mineira

Há risco de alagamentos, enchentes e deslizamentos de terra, principalmente em áreas que já registraram grandes volumes de chuva nos últimos dias. O mar também pode ficar agitado, com possibilidade de ressaca.

Centro-Oeste pode ter temporais e volumes elevados

No Centro-Oeste, o cenário será dominado pela grande disponibilidade de calor e umidade na atmosfera, o que favorece a formação de nuvens carregadas.

Outro fator importante é a presença de áreas de baixa pressão atmosférica entre o Paraguai e a Bolívia, além da circulação de ventos em níveis elevados da atmosfera.

A previsão indica pancadas de chuva frequentes ao longo da semana, com intensidade moderada a forte e possibilidade de temporais.

Os maiores volumes devem ocorrer em:

  • Mato Grosso do Sul
  • oeste e sul de Mato Grosso

Há alerta para acumulados significativos de chuva em áreas de Mato Grosso do Sul, enquanto o sul de Goiás também pode registrar pancadas fortes mais frequentes.

Assim como em outras regiões, existe risco de alagamentos em áreas urbanas.

ZCIT mantém chuva frequente no Nordeste

No Nordeste, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) continua sendo o principal sistema responsável pelas chuvas.

A presença de ar quente e úmido sobre o interior da região também contribui para a formação de instabilidades.

Com isso, Maranhão, Piauí e Ceará devem registrar pancadas de chuva frequentes, com possibilidade de temporais e chuva moderada a forte.

Nos demais estados nordestinos, a chuva pode ocorrer de forma mais isolada e com menores volumes, especialmente porque áreas de alta pressão tendem a reduzir as instabilidades no leste da região e sobre a Bahia.

Norte segue com pancadas fortes de chuva

Na região Norte, o cenário permanece típico desta época do ano, com predomínio de calor e umidade na atmosfera, fatores que estimulam a formação de nuvens carregadas.

A atuação da Zona de Convergência Intertropical também reforça a instabilidade em parte da região.

A previsão indica pancadas de chuva moderadas a fortes em todos os estados, com possibilidade de temporais.

Os maiores volumes devem ocorrer no Amapá e no norte do Pará, onde a atuação da ZCIT mantém chuvas volumosas e frequentes.

Em alguns momentos, os temporais podem impactar a navegação fluvial, importante meio de transporte em diversas áreas da região.

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Guerra no Oriente Médio eleva preço do petróleo e derruba bolsas


PODCAST Diário Econômico

No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã elevou a aversão ao risco global e impulsionou o petróleo, com Brent e WTI acima de US$ 90. Dados fracos do mercado de trabalho nos EUA reforçaram apostas de cortes de juros pelo Fed a partir de julho, enquanto bolsas de NY caíram e o ouro ganhou tração.

No Brasil, o Ibovespa recuou 0,61% a 179 mil pontos, pressionado por realização de lucros, apesar da alta de cerca de 5% da Petrobras. O dólar caiu a R$ 5,24 na sexta-feira. A semana será marcada por IPCA, vendas no varejo, serviços e inflação nos EUA.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

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Tensão no Oriente Médio sustenta soja em Chicago; mercado aguarda relatório do USDA


soja ao por do sol
Foto: Pixabay

O conflito no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, trouxe reflexos para o mercado internacional da soja ao longo da semana. A principal repercussão foi observada nos contratos futuros de óleo de soja negociados na Bolsa de Chicago (CBOT), que acabaram sustentando também os preços do grão.

Segundo o analista da equipe de Inteligência de Mercado da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o contrato de óleo com vencimento em maio, o mais negociado, caminha para encerrar a semana acima de 66,00 centavos de dólar por libra-peso. Já o contrato maio da soja em grão chegou a se aproximar da faixa de US$ 11,90 por bushel.

De acordo com o analista, a valorização do óleo acaba oferecendo suporte momentâneo aos contratos do grão. No entanto, o avanço do petróleo pode ter efeitos mais amplos, especialmente no custo da logística internacional.

Caso o petróleo siga em níveis elevados, o frete tende a ficar mais caro, mantendo os prêmios nos portos do Golfo dos Estados Unidos em patamares elevados. Esse cenário pode dificultar ainda mais as compras de soja americana pela China, reduzindo as margens das indústrias esmagadoras devido ao aumento do custo total da matéria-prima.

As importações chinesas de soja dos Estados Unidos, que já vinham enfraquecidas, enfrentariam assim um novo obstáculo com o encarecimento logístico. Segundo Silveira, parte dos cerca de 20 milhões de toneladas que deveriam ser exportadas pelos EUA pode acabar não se concretizando, o que deixaria os estoques americanos mais confortáveis e poderia abrir espaço para correções na Bolsa de Chicago no curto e médio prazo.

No curto prazo, a alta do óleo sustenta os preços da soja. Porém, caso o farelo comece a recuar, seja por mudança no perfil da demanda ou maior foco no óleo, o grão também pode sentir pressão e recuar, reequilibrando as margens de esmagamento nos Estados Unidos.

Apesar do suporte vindo do complexo soja, alguns fatores continuam limitando ganhos mais expressivos. A safra brasileira, em plena colheita, entra com grande volume no mercado internacional. Neste momento, o produto brasileiro é considerado mais competitivo e atrativo para a China.

Outro ponto de atenção é o possível encontro entre os líderes de China e Estados Unidos, que poderia abrir espaço para novos acordos comerciais envolvendo a soja. Apesar de a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping seguir prevista, agentes do mercado mantêm cautela sobre a possibilidade de avanços concretos.

Relatório USDA

Além disso, o mercado acompanha o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na terça-feira, dia 10. A expectativa é de redução nos estoques finais de soja dos Estados Unidos na temporada 2025/26, passando de 350 milhões para 343 milhões de bushels.

No cenário global, analistas consultados por agências internacionais projetam estoques finais de soja em 125 milhões de toneladas para 2025/26, levemente abaixo das 125,5 milhões indicadas no relatório anterior.

Para a América do Sul, o mercado também espera ajustes nas estimativas de produção. A safra brasileira pode ser revisada de 180 milhões para 179,3 milhões de toneladas, enquanto a produção argentina deve cair de 48,5 milhões para 48,1 milhões de toneladas

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AgroNewsPolítica & Agro

Importações moderam ritmo de alta no mercado de feijão



Importações moderam ritmo de alta no mercado de feijão


Importações moderam ritmo de alta no mercado de feijão
Importações moderam ritmo de alta no mercado de feijão – Foto: Pixabay

A chegada de feijão importado ao mercado brasileiro tem provocado ajustes no ritmo das negociações e na formação de preços no curto prazo. Parte desse movimento está ligada ao tempo necessário entre a compra do produto no exterior e sua efetiva entrada no circuito comercial no Brasil, processo que envolve verificações técnicas antes da liberação para venda.

Segundo informações do Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), parte do feijão que começa a ser nacionalizado agora foi adquirida há cerca de dez a quinze dias. Esse intervalo ocorre porque os lotes passam por análises de resíduos antes de ganhar fluidez no mercado interno. O procedimento está ligado a práticas de compliance adotadas por importadores para evitar riscos regulatórios.

Um dos pontos observados envolve o glifosato. No Brasil, o produto não possui registro para dessecação pré-colheita do feijão e órgãos técnicos alertam que esse tipo de uso é proibido. Do ponto de vista regulatório, a Anvisa mantém uma monografia que estabelece definições de resíduo e limites máximos permitidos para a substância, o que reforça a cautela de empresas que optam por realizar análises antes de distribuir o produto.

No mercado, a entrada desse feijão-preto importado com custos definidos ainda no ano passado tem efeito direto sobre os preços. O produto tende a funcionar como uma espécie de referência ou teto psicológico, reduzindo a velocidade de eventuais valorizações no curto prazo. Ainda assim, o Ibrafe avalia que o movimento não altera a tendência estrutural quando a oferta interna está ajustada e há necessidade de reposição.

Relatos de comerciantes da região dos Campos Gerais indicam que produtores têm resistido a ofertas consideradas baixas. A percepção no setor é de que tentar adquirir volumes a preços menores neste momento tende a não avançar nas negociações.

As avaliações se aplicam tanto ao feijão-carioca quanto ao feijão-preto. Em relação à Argentina, também citada nas negociações recentes, a leitura do mercado é que exportadores do país vizinho acompanham os preços pagos pelo Brasil e não têm incentivo para liquidar estoques com valores reduzidos.





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Vamos abre vagas na área comercial de locação em São Paulo; veja como se candidatar


Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay.

A Vamos, companhia de locação de caminhões, máquinas e equipamentos agrícolas, anunciou a abertura de vagas na área comercial de locação em São Paulo. As oportunidades fazem parte da estrutura da companhia no mercado corporativo.

As posições são para:

  • Analista de pré-vendas pleno;
  • Gerente comercial de grandes contas;
  • Coordenador de processos.

As vagas estão relacionadas ao relacionamento com clientes e à organização de processos ligados à área de vendas. Segundo a empresa, as funções acompanham a demanda por serviços de gestão de frotas no setor corporativo.

Entre as atividades previstas nas vagas estão a prospecção de clientes, a qualificação de oportunidades e o acompanhamento de processos comerciais. As funções também incluem análise de fluxos de trabalho, mapeamento de processos no modelo AS-IS e TO-BE e interação entre áreas de negócio e tecnologia. Há ainda atuação em projetos de automação voltados à operação comercial.

Como se candidatar?

As inscrições para as vagas estão abertas até 20 de março. O processo deve ser realizado pelo portal de carreiras da empresa.

A companhia informa que oferece benefícios voltados aos colaboradores, como clube de descontos, programa de apoio psicológico, social, jurídico e financeiro, além de plataforma de capacitação interna.

Entre os benefícios também estão licenças maternidade e paternidade estendidas, auxílio para material escolar, acesso a programas de saúde e iniciativas voltadas ao apoio à parentalidade.

As inscrições podem ser feitas pelo site (clique aqui).

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Manejo de abelhas nativas pode elevar produtividade da acerola em mais de 30%


Estudos conduzidos pela Embrapa Semiárido indicam que o manejo estratégico de abelhas solitárias nativas, especialmente as do gênero Centris, tem o potencial de elevar a produção de acerola entre 32% e 103%. As pesquisas, realizadas no Vale do São Francisco, propõem métodos práticos para atrair esses polinizadores aos pomares, focando na oferta de recursos florais e na instalação de locais adequados para ninhos.

Os resultados foram obtidos após o monitoramento de 840 “ninhos-armadilha” em áreas irrigadas de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). A taxa de ocupação das estruturas chegou a 88%, superando os registros anteriores. O sucesso está ligado ao comportamento das abelhas da tribo Centridini, especialistas na coleta de óleos florais e responsáveis por mais de 91% das visitas às flores de acerola nas áreas avaliadas.

Mesmo em culturas que realizam a autopolinização, como a aceroleira, a presença desses insetos garante frutos maiores e mais pesados. De acordo com a pesquisadora Lúcia Kiill, coordenadora do estudo, o impacto é direto na frutificação. O Brasil lidera a produção mundial de acerola, com 80% do volume concentrado no Nordeste, onde a cultura é base da renda para milhares de pequenos e médios produtores.

Abelha na flor de pé de acerola. Foto: Magnus Deon

Diversidade de polinizadores no campo

A pesquisa identificou 11 espécies de abelhas que visitam a aceroleira, com destaque para a Centris aenea, que responde por até 95% das visitas. Diferentemente das abelhas melíferas (com colmeias e rainhas), as do gênero Centri são solitárias: cada fêmea constrói seu próprio ninho em cavidades no solo ou em madeira.

Estratégias de manejo e nidificação

Para aumentar a polinização, o trabalho sugere duas frentes principais:

  • Oferta de alimento o ano todo: Manter plantas no entorno dos pomares que fornecem pólen e néctar quando a aceroleira não estiver florindo. Espécies como murici, pau-ferro e a própria Caatinga preservada servem de estoque de alimento para as abelhas.
  • Instalação de ninhos-armadilha: O uso de blocos de madeira perfurados (com furos de 10 a 12 mm de diâmetro) simula as cavidades naturais buscadas pelos insetos. A orientação é instalar essas estruturas em locais sombreados e protegidos, estimulando a fixação das abelhas no pomar.

Validação em cultivos orgânicos e convencionais

O projeto entra agora em uma nova fase em parceria com a Niagro e outros 12 produtores do Vale do São Francisco. O objetivo é validar o uso dos ninhos em escala comercial, tanto em sistemas orgânicos quanto convencionais. A análise leva em conta a conectividade das fazendas com fragmentos de vegetação nativa, fator que influencia diretamente a permanência dos polinizadores.

Além da parte técnica, o projeto prevê a capacitação de produtores e técnicos da região. Para a Embrapa, a presença das abelhas nativas é um selo de equilíbrio ambiental. Preservar esses insetos não é apenas uma ação ecológica, mas um investimento direto na rentabilidade e na produtividade do fruticultor no Semiárido.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

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