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Foto: Seane Lennon
A produção de morango no Rio Grande do Sul avança sob influência das condições climáticas recentes, segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (18) pela Emater/RS-Ascar. Nas principais regiões produtoras do estado, o aumento da oferta começa a refletir nos preços recebidos pelos agricultores, embora a comercialização siga fluindo normalmente.
Na região administrativa de Caxias do Sul, as temperaturas elevadas e o baixo volume de chuvas favoreceram a maturação dos frutos. De acordo com o levantamento, os principais problemas fitossanitários da cultura estão sob controle na maior parte das lavouras, apesar do registro pontual de ácaro-rajado, mosca-da-asa-manchada e oídio. “Os produtores estão realizando colheitas satisfatórias, tanto em quantidade quanto em qualidade”, informa o boletim. Com o avanço da oferta, os preços apresentam leve tendência de queda, mas a comercialização ocorre sem dificuldades. No período, os valores pagos variaram entre R$ 10,00 e R$ 20,00 por quilo nos canais tradicionais, enquanto a venda direta ao consumidor registrou preços mais elevados em municípios turísticos da Serra Gaúcha.
Na região de Pelotas, a colheita das variedades de dias curtos segue em ritmo intenso, com expectativa de redução gradual nos próximos períodos. Já nas áreas com cultivares de dias neutros, a produção continua em crescimento, favorecida pelas condições climáticas desde o início de novembro. Conforme o informativo, os produtores mantêm o manejo fitossanitário para controle de pragas e do oídio, que apresenta registros pontuais. Os preços mostraram leve recuo em algumas localidades, variando conforme o município e o canal de comercialização.
Em Santa Rosa, a produção de morango segue elevada, com floradas em desenvolvimento na maioria das áreas. O destaque fica para a cultivar Royal Royce, tanto em volume quanto em padrão dos frutos. O informativo aponta a ocorrência de problemas fitossanitários pontuais, como ácaros e percevejos, o que tem levado produtores mais tecnificados a intensificar a adubação de cobertura para estimular o desenvolvimento da cultura.
O mercado mundial de soja tem sido guiado, nas últimas semanas, pelo ritmo das compras chinesas de soja norte-americana. Segundo a consultoria Safras & Mercado, desde o anúncio do acordo entre Pequim e Washington, esse fator passou a ser o principal direcionador dos preços futuros na Bolsa de Chicago, com reflexos diretos também na comercialização doméstica.
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Levantamento da Safras & Mercado indica que a China comprou cerca de 4,8 milhões de toneladas de soja em grão dos Estados Unidos desde o fechamento do acordo, no fim de outubro. Considerando vendas para destinos não revelados, tradicionalmente atribuídas ao país asiático, o volume pode chegar a aproximadamente 5,6 milhões de toneladas. Os dados foram compilados a partir dos registros oficiais diários do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
As informações contradizem reportagem recente da agência Bloomberg, que citava fontes próximas às negociações e apontava que a China teria garantido ao menos 7 milhões de toneladas do produto americano. Mesmo no cenário mais otimista, segundo a Safras, os volumes negociados ficariam bem abaixo do acordo anunciado, que previa a compra de até 12 milhões de toneladas, com prazo posteriormente estendido até fevereiro.
Para o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, os números divulgados não condizem com os dados oficiais. Segundo ele, caso as vendas realmente estivessem nesse patamar mais elevado, o comportamento do mercado seria diferente. “Se esse volume tivesse sido efetivado, os preços não estariam recuando da forma como estão”, avalia.
A expectativa em torno do acordo havia impulsionado as cotações da soja em Chicago a partir da segunda quinzena de outubro, com valorização expressiva do contrato janeiro. No entanto, com a frustração do mercado em relação ao ritmo efetivo das compras chinesas, teve início um movimento de correção, levando os preços de volta a patamares próximos aos observados antes da forte alta registrada no período.
Uma grande massa de ar quente predomina sobre o Brasil neste Natal e mantém as temperaturas elevadas em praticamente todas as regiões do país. O calor será intenso durante o dia e também à noite, o que exige atenção redobrada com a refrigeração adequada dos alimentos preparados para a ceia natalina.
Apesar da chegada de uma frente fria ao Rio Grande do Sul, o sistema não terá força suficiente para avançar por outras regiões nem provocar queda acentuada de temperatura. Com o calor e a alta umidade, as pancadas de chuva devem ocorrer em diversas áreas do país, principalmente entre a tarde e a noite desta terça-feira (24) e do feriado de quarta-feira (25).
Sul
A aproximação de uma frente fria aumenta as condições para chuva no Sul do Brasil neste Natal, mas sem aliviar o calor. O tempo segue abafado em toda a região, com destaque para o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, onde as temperaturas podem ultrapassar os 35 °C.
No Paraná, a véspera de Natal será de muito sol e calor, com pancadas de chuva isoladas entre a tarde e a noite, especialmente no sudoeste do estado, incluindo a região de Foz do Iguaçu. No dia 25, o risco de chuva aumenta em todo o estado, com possibilidade de pancadas moderadas a fortes no período da tarde e da noite.
Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a chuva associada à frente fria começa ainda na manhã do dia 24 e se espalha ao longo do dia, com risco de precipitações moderadas a fortes e descargas elétricas. No feriado de Natal, mesmo com o afastamento da frente fria, os dois estados ainda terão pancadas de chuva com raios em vários momentos do dia. O risco é maior em Santa Catarina e no norte e noroeste do Rio Grande do Sul, incluindo a Serra Gaúcha. O centro-sul gaúcho deve registrar menos chuva. Entre as capitais, Curitiba tem a menor chance de chuva na noite da véspera de Natal.
Sudeste
O Natal será marcado por calor intenso em todo o Sudeste. A maioria das áreas deve registrar temperaturas acima dos 30 °C tanto no dia 24 quanto no dia 25 de dezembro. O sol aparece forte por várias horas, mas o calor favorece a formação de pancadas de chuva isoladas entre a tarde e a noite, geralmente de curta duração.
Nas capitais, a noite da véspera de Natal será abafada, com pouca chance de chuva. No dia 25, o risco de pancadas aumenta a partir da tarde, especialmente na região da Grande São Paulo. Nas áreas litorâneas, o Natal terá sol e calor, com possibilidade de rápidas pancadas de chuva.
Centro-Oeste
O Natal de 2025 será quente e abafado em toda a região Centro-Oeste. Todos os estados e o Distrito Federal terão várias horas de sol forte nos dias 24 e 25 de dezembro, com temperaturas acima dos 30 °C.
Por causa do calor, há risco de pancadas de chuva com raios entre a tarde e a noite. Algumas dessas pancadas podem ter intensidade moderada a forte, embora sejam rápidas. Entre as capitais, Cuiabá concentra o maior risco de chuva na noite da véspera de Natal.
Nordeste
O sol forte e o tempo mais seco predominam na maior parte do Nordeste neste Natal. Tanto no dia 24 quanto no dia 25, a maioria das áreas terá tempo firme. No litoral, incluindo as capitais de Natal a Salvador, o sol predomina, com chance apenas de chuva passageira, sem transtornos.
Em Fortaleza, Teresina e São Luís, o calor também será intenso, com possibilidade de pancadas rápidas de chuva com raios. No interior da região, podem ocorrer pancadas isoladas e de curta duração no Maranhão, no Piauí e no oeste da Bahia.
Norte
No Norte do país, o ar quente e úmido favorece a formação de muitas nuvens carregadas neste Natal. As pancadas de chuva serão frequentes, principalmente à tarde e à noite, com risco de chuva moderada a forte e ventos intensos no Amazonas, Acre e Rondônia.
Roraima e Tocantins têm menor probabilidade de chuva. Entre as capitais, Boa Vista apresenta a menor chance de precipitação na noite da véspera de Natal.
O Congresso Nacional aprovou o Orçamento de 2026 sob o discurso da responsabilidade fiscal. No papel, tudo parece organizado: números alinhados ao novo arcabouço, promessas de equilíbrio e a narrativa de que o país está fazendo o “dever de casa”. Mas basta tirar o orçamento da prateleira e colocá-lo sobre a mesa para perceber que ele tem menos de planejamento e mais de imaginação criativa. Não é exagero dizer que há ali um toque de ficção científica.
Para acomodar interesses políticos, o Congresso promoveu cortes em áreas sensíveis, como Previdência e programas sociais, entre eles o Pé-de-Meia, enquanto inflou, sem pudor, as chamadas emendas parlamentares. O resultado é um orçamento que tira de quem precisa para reforçar o caixa de quem decide.
O número chama atenção: R$ 61 bilhões em emendas parlamentares, um recorde histórico. Nunca o Congresso teve tanto poder direto sobre a destinação do dinheiro público. Na prática, isso significa transformar o orçamento federal em um grande balcão de negociação política, especialmente em um ano que antecede as eleições.
E não para por aí. O texto aprovado também reserva R$ 4,9 bilhões para o fundo eleitoral. Em um país que corta programas sociais em nome do ajuste fiscal, esse valor não passa despercebido. A mensagem implícita é clara: falta dinheiro para políticas públicas, mas nunca para campanhas eleitorais.
Outro ponto que merece atenção são as receitas estimadas que ainda não se materializaram. O orçamento conta com entradas que dependem de medidas futuras, aprovação de projetos incertos ou crescimento econômico otimista. É o famoso “dinheiro que ainda não chegou”, mas que já está comprometido. Na prática, o risco é empurrar o problema para frente, como tantas vezes já fizemos.
Esse tipo de arranjo cria um orçamento bonito na apresentação, mas frágil na execução. Quando a realidade não acompanha o roteiro, o governo é obrigado a contingenciar, cortar novamente ou buscar soluções emergenciais, quase sempre às pressas e com impacto social.
O que se vê é um Congresso fortalecido politicamente, um Executivo refém da negociação permanente e um orçamento que perde sua função original: planejar o futuro do país. Em vez disso, vira instrumento de sobrevivência política, especialmente em um ambiente já contaminado pela disputa eleitoral de 2026.
Não se trata de demonizar as emendas parlamentares. Elas existem, são legais e cumprem um papel. O problema é o excesso, o descontrole e a inversão de prioridades. Quando as emendas crescem mais do que investimentos estruturais, algo está fora do lugar.
No fim das contas, o Orçamento de 2026 diz muito sobre o Brasil que somos, e pouco sobre o Brasil que gostaríamos de ser. Ajuste fiscal de verdade exige escolhas difíceis, transparência e coerência. O que se aprovou foi um arranjo político eficiente, mas economicamente frágil.
A conta, como quase sempre, ficará para depois. E, como quase sempre, quem vai pagar não está sentado no plenário.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
O Espírito Santo é o maior produtor brasileiro de café conilon, bastante usado como base para o café solúvel. A variedade, também conhecida como robusta, depende de 25% a 45% da polinização cruzada para frutificar.
Segundo dados divulgados pelo governo do estado, a produção chega a quase 70% da safra nacional, tendo sido exportadas 206 mil toneladas de café e derivados entre janeiro e agosto de 2025. E essa produção pode aumentar e melhorar, em quantidade e qualidade, com o incentivo à polinização assistida no estado.
Para sensibilizar produtores e apicultores sobre a importância da polinização para a cafeicultura sustentável no estado, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e a Federação Capixaba de Associações de Apicultores do Espírito Santo (Fecapis) promoveram um seminário sobre o tema, realizado no município de Aracruz no fim de novembro.
“Se a polinização assistida já traz benefícios para o café arábica, que é autopolinizado, imagina para uma espécie que é dependente da polinização?”, provoca a sócia-fundadora da Assessoria Científica e Assessora Executiva do Observatório de Abelhas do Brasil (Abelhar), Dra. Jenifer Ramos.
Maior produtividade e melhor qualidade
O estudo, conduzido de 2021 a 2024 junto à Embrapa Meio Ambiente em fazendas localizadas em São Paulo e Minas Gerais, constatou um aumento de 16,5%, em média, na produtividade do café arábica.
Além disso, também se observou a produção de grãos mais homogêneos e um incremento da qualidade do café, com um aumento de 2 pontos na nota sensorial da bebida, o que possibilitou, em alguns casos, a mudança na classificação de “regular” para “especial”.
“Para o cafeicultor que vai comercializar a produção, isso significa um aumento de valor de 25 dólares por saca. Ter abelhas em campo é dinheiro no bolso do cafeicultor e do apicultor também, pois ele vai poder ofertar mais um serviço que é a polinização assistida”, explica Ramos.
Desafios
Embora o Brasil seja o segundo produtor mundial de café conilon, Ramos conta que existem poucos estudos sobre a polinização dessa espécie. Um outro gargalo, segundo a pesquisadora, é o cadastramento dos apicultores.
“O apicultor tem uma grande janela de oportunidade que é a polinização assistida do café conilon e eles estão tomando consciência disso. Eles sabem que uma contrapartida é eles estarem mais engajados, cadastrados e colocando em prática uma agricultura mais profissionalizada”, afirma Ramos.
O mercado da soja do Rio Grande do Sul opera travado, com produtores descapitalizados e traumatizados por perdas recentes adotando postura defensiva, evitando vendas futuras que possam se transformar em contratos impossíveis de cumprir caso a seca se agrave. As informações são da TF Agroeconômica.
“Para pagamento em dezembro, com entrega em dezembro, os preços no porto foram reportados a R$ 142,00/sc (+0,71%) semanal, enquanto no interior as referências se foram em torno de R$ 133,02/sc (+0,51%) semanal em Cruz Alta, salvo por Santa Rosa a R$ 136,00. Já em Panambi, o mercado físico apresentou manutenção, com o preço de pedra recuando para R$ 122,00/sc, sinalizando maior resistência local ao ritmo comprador”, comenta.
Em Santa Catarina, a dependência de importações do Paraná e do Paraguai intensifica-se para manter as plantas agroindustriais operando em plena capacidade. “A logística de recebimento e distribuição via cooperativas e tradings torna-se elemento central na gestão da oferta estadual, com os armazéns funcionando como pontos de consolidação de volumes vindos de outros estados para atender a demanda interna robusta. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 141,82 (+1,07%)”, completa.
No Paraná, a estabilidade dos preços no interior, mesmo com quedas externas, demonstra força do mercado local e retenção por parte das cooperativas. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 141,82. Em Cascavel, o preço foi R$ 131,81 (+0,63%). Em Maringá, o preço foi de R$ 130,33 (+0,80%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 133,12 (+0,72%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 141,82 (+0,55%). Os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 122,00”, indica.
A capacidade instalada de esmagamento no Mato Grosso do Sul funciona como âncora de demanda, sustentando prêmios atrativos mesmo em momentos de pressão nos mercados externos. “Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 127,01 (+0,28%), Campo Grande em R$ 126,66 (+0,00%), Maracaju em R$ 126,66 (+0,00%), Chapadão do Sul a R$ 122,91 (+0,15%), Sidrolândia a em R$ 127,01 (+0,28%)”, informa.
No Mato Grosso, o replantio resulta em mais custos para o produtor. “Campo Verde: R$ 121,95 (+0,43%). Lucas do Rio Verde: R$ 117,26 (+0,04%), Nova Mutum: R$ 117,26 (+0,04%). Primavera do Leste R$ 121,95 (+0,43%). Rondonópolis: R$ 121,95 (+0,43%). Sorriso: R$ 117,26 (+0,04%)”, conclui.
O Instituto Butantan inaugurou um insetário de mosquitos para criação de Aedes aegypti e Aedes albopictus, com nível 2 de biossegurança (NB2), destinado à criação controlada e ao estudo de vetores de doenças como dengue, zika e chikungunya.
A estrutura permitirá realizar ensaios exigidos pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), produzindo dados para comprovar a segurança ambiental e a ausência de risco de transmissão do vírus vacinal por mosquitos vetores na pesquisa e no desenvolvimento de vacinas contra arboviroses (doenças causadas por mosquitos).
O novo espaço integrará às plataformas de vigilância e diagnóstico do Centro para Vigilância Viral e Avaliação Sorológica (CeVivas) e aos núcleos de Bioinformática e Genômica do Centro de Desenvolvimento Científico (CDC) do Butantan, consolidando um ambiente multidisciplinar que une ciência, inovação e saúde pública.
“Com isso, o Instituto ganha autonomia científica e regulatória, pois passaremos a gerar internamente evidências que sustentam o processo de liberação de novas vacinas. Sem dúvida esse avanço acelera o desenvolvimento, garante biossegurança e fortalece a resposta nacional frente às arboviroses”, afirma a diretora do CDC, Sandra Coccuzzo.
Segundo a diretora, o insetário representa a soberania científica do Butantan e reforça o compromisso da organização com a produção de vacinas seguras, eficazes e desenvolvidas com base na excelência.
Como funciona um insetário
Foto: Renato Rodrigues
Com nível de biossegurança 2 (NB2), o insetário apresenta as medidas necessárias para lidar com organismos de risco moderado, como mosquitos infectados por vírus, que podem afetar humanos.
Esse tipo de instalação possui acesso restrito, portas duplas com vedação, pressão negativa no ar e filtros específicos nos sistemas de ventilação, além de protocolos de descarte e descontaminação rigorosos.
“Essas condições garantem que mesmo que os mosquitos estejam infectados com vírus selvagens, não haja risco de liberação para o ambiente externo. É o padrão internacional exigido para pesquisas com arbovírus”, explica o virologista e responsável técnico pelo projeto, Tiago Souza Salles.
O centro de pesquisa planejou cada módulo do insetário para manter um controle rigoroso de temperatura, umidade e fluxo de ar, simulando as condições ideais para o desenvolvimento dos mosquitos, mas sem risco ambiental.
As salas têm pressão de ar negativa e sistemas de filtragem que impedem qualquer fuga. O descarte é feito de forma segura, com autoclaves e tratamento térmico, garantindo que nenhum material biológico seja liberado para o ambiente externo.
Já os mosquitos são criados a partir de ovos obtidos em colônias mantidas dentro do próprio insetário. As larvas se desenvolvem em bandejas com água e alimento específico, e, após o estágio de pupa, os pesquisadores transferem os adultos para gaiolas apropriadas.
“Os insetos são alimentados com uma mistura de solução açucarada e, no caso das fêmeas, sangue artificial, que simula a alimentação natural. Esse controle garante que os mosquitos tenham vida saudável e comportamento natural, condições fundamentais para estudos de infecção e transmissão de vírus”, detalha o virologista.
Importância do espaço
Foto: Renato Rodrigues
O espaço permitirá que cientistas investiguem como os mosquitos se infectam, transmitem e respondem ao contato com vírus vacinais, ajudando a determinar se a imunização impede ou reduz a circulação viral.
Além disso, esses testes também fornecem informações valiosas para análises de eficácia vacinal, verificando se o vírus atenuado ou inativado presente na vacina é capaz (ou não) de ser transmitido pelo vetor.
“A infraestrutura do insetário já está pronta e o cultivo dos mosquitos já foi iniciado. No momento, a equipe realiza ensaios de infecção utilizando vírus selvagens não modificados”, esclarece a diretora do Laboratório de Ciclo Celular do Instituto, Carolina Sabbaga.
No entanto, o Butantan ainda aguarda a aprovação da CTNBio para trabalhar com os vírus vacinais (geneticamente modificados).
A diretora ressalta que é muito importante entender todo o processo de transmissão do vírus e da proteção conferida pela vacina – não só a interação do vírus com o organismo humano, mas também com o vetor, porque ele faz parte desse ciclo.
“Por isso, achamos que era o momento de criar um insetário e começar as pesquisas, evoluindo o conhecimento científico para que possamos pensar em novos desenvolvimentos e responder questões regulatórias para a comercialização das vacinas”, afirma.
A CTNBio é uma instância federal de formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança de organismos geneticamente modificados (OGM).
Pesquisas com vírus selvagens e vacinais
Com a estrutura pronta, os pesquisadores já iniciaram ensaios de infecção com vírus selvagens não modificados, como o da dengue e chikungunya.
Esses estudos buscam entender como o vírus se replica dentro do mosquito e se a vacina impede essa replicação, oferecendo dados diretos sobre a eficácia e segurança dos imunizantes.
De acordo com Tiago Souza Salles, o processo para verificar se há mosquitos infectados após o contato com a vacina, ocorre através da coleta de saliva deles.
Os pesquisadores anestesiam os mosquitos e encaixam um aparelho bucal em uma ponteira com meio de cultura, simulando a alimentação. Nesse processo, ao se alimentar, o mosquito libera a saliva necessária para análise.
O grau de infecção do vetor é verificado por RT-qPCR (Reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa quantitativa) e testes de biologia molecular, que identificam o material genético do vírus na saliva.
“Com o insetário, conseguimos avaliar se o mosquito que entra em contato com uma pessoa vacinada ainda consegue transmitir o vírus. É uma etapa fundamental para garantir a segurança das vacinas e responder a exigências de órgãos reguladores”, explica Carolina Sabbaga.
Estrutura pronta para novas pesquisas
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Além do Aedes aegypti, o insetário poderá abrigar estudos com outros vetores e patógenos no futuro.
“Vamos trabalhar com dengue, chikungunya e outros vírus que tenham interação com mosquitos. Também temos linhas de pesquisa envolvendo o Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, transmitido por barbeiros. O insetário é versátil e pode atender a diferentes demandas”, comenta o virologista.
Maria Carolina Sabbaga ressalta a importância do espaço para acompanhar o avanço das pesquisas feitas no Butantan.
“Os vírus geneticamente modificados são a tendência do futuro, pois trazem muitas vantagens para a pesquisa e o desenvolvimento de vacinas. E o insetário garante que o Butantan esteja preparado para esse cenário”, conclui.
Os contratos futuros de milho tiveram movimentos distintos nas bolsas, refletindo ajustes técnicos e fatores de demanda em um período de menor liquidez no mercado. Segundo análise da TF Agroeconômica, o mercado brasileiro foi pressionado por realização de lucros e pelo ritmo lento de negócios típico do final de ano, enquanto o cenário internacional foi sustentado por exportações firmes e desempenho recorde do setor de etanol.
Na B3, as cotações do milho encerraram a quarta-feira em baixa, devolvendo parte dos ganhos registrados na sessão anterior. A combinação de menor interesse tanto de compradores quanto de vendedores contribuiu para um ambiente mais fraco para os preços. O contrato com vencimento em janeiro de 2026 fechou a R$ 71,17, com recuo diário de R$ 0,73 e queda semanal de R$ 1,10. O vencimento de março de 2026 terminou o dia cotado a R$ 75,58, com baixa de R$ 0,33 no dia, mas ainda acumulando alta de R$ 0,43 na semana. Já o contrato de maio de 2026 fechou a R$ 74,83, com perda diária de R$ 0,28 e avanço semanal de R$ 0,47.
Em Chicago, os preços do milho apresentaram alta, impulsionados por uma demanda consistente e pelo desempenho do mercado de etanol. O contrato de março subiu 0,91%, encerrando a US$ 4,44 o bushel, enquanto o vencimento de maio avançou 1,01%, a US$ 4,52. O suporte veio do fortalecimento das exportações americanas, com compromissos de vendas 29,75% acima do registrado no mesmo período do ano comercial anterior.
A competitividade do milho dos Estados Unidos no mercado asiático ganhou espaço diante da menor presença do produto brasileiro e das dificuldades de oferta da Ucrânia. Além disso, o setor de etanol, responsável por cerca de 40% do consumo interno de milho, segue registrando níveis recordes de produção, reforçando o suporte às cotações.
Produtores de cacau estão adotando no sul da Bahia um modelo de cultivo que integra o fruto a árvores nativas, fortalecendo a bioeconomia da região.
Segundo o engenheiro florestal e gerente de viveiro da Symbiosis, Mickael Mello, empresa responsável pelo consórcio, a prática gera serviços ambientais, estimula a biodiversidade e ainda garante bons rendimentos para o produtor.
De acordo com ele, o modelo contradiz os antigos conceitos de que a monocultura é mais produtiva e de que a silvicultura seria uma atividade de alto custo e longo prazo.
Cabruca tecnológica
Foto: Divulgação
Inspirado no sistema Cabruca, no qual o cacau é plantado sob a sombra de árvores nativas da Mata Atlântica, o modelo prioriza espécies desse bioma, mas que tenham valor comercial, além de proporcionar benefícios ambientais.
Conforme Mello, entre outras vantagens ambientais e econômicas está a proteção de extremos climáticos, o enriquecimento do solo, a menor necessidade de insumos químicos e o combate a pragas, como a vassoura-de-bruxa, que no passado dizimou boa parte da produção cacaueira da Bahia.
A Cabruca tecnológica do século 21, porém, começa com a seleção das matrizes, passando pelo melhoramento genético até a produção de sementes e das mudas de alta produtividade.
Segundo o engenheiro, além da melhor qualidade da produção, o processo estimula o reflorestamento e a manutenção da biodiversidade local.
O sul da Bahia é uma área remanescente da Mata Atlântica, com um expressivo número de plantas e animais, que compõem um corredor importante para o bioma e é prioritário para a conservação.
“As mudas cultivadas enriquecem o microclima, atraem polinizadores, melhoram a qualidade e a quantidade de água, além de contribuírem para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Estudos indicam que o cultivo consorciado atrai mais abelhas e aumenta a produção”, revela Mello.
Alternativa sustentável e de baixo carbono, o consórcio torna o sistema produtivo mais resistente e o cacau mais interessante para os compradores. Mello destaca que, além disso, gera retorno no longo prazo, amplia a oferta de madeira tropical de origem sustentável e contribui para reduzir a pressão sobre o desmatamento ilegal, promovendo benefícios econômicos, sociais e ecológicos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (20) que a França não tem força suficiente, sozinha, para impedir a conclusão do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). A declaração ocorreu após o adiamento da assinatura do tratado, que era aguardada para este sábado.
Após participar da cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR), Lula disse ter conversado com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que, segundo ele, manifestou disposição para assinar o acordo já no início de janeiro.
De acordo com o presidente, tanto von der Leyen quanto o presidente do Conselho Europeu, António Costa, indicaram que a resistência francesa, isoladamente, não seria suficiente para barrar o pacto. “Se ela estiver pronta para assinar e faltar apenas a França, não haverá possibilidade de o país impedir o acordo”, afirmou Lula.
O presidente acrescentou que espera que o tratado seja formalmente assinado ainda no primeiro mês da presidência paraguaia do Mercosul, sob o comando do presidente Santiago Peña.
A Comissão Europeia pretendia selar o acordo neste sábado, o que resultaria na criação da maior zona de livre comércio do mundo. No entanto, o cronograma foi alterado após a Itália se alinhar à França e pedir mais tempo para negociar salvaguardas ao setor agrícola.
De forma geral, o acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além da harmonização de regras para o comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
As negociações, que se arrastam há cerca de 25 anos, ganharam novo impulso nesta semana durante a reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, encerrada na sexta-feira (19), na véspera da cúpula do Mercosul.