sexta-feira, março 20, 2026

Autor: Redação

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Bioinsumos, o caminho brasileiro para a segurança tecnológica


Bioinsumos Tratado de Budapeste
Foto: Divulgação Senar-GO

Fui na posse da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e conversei com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Guilherme Campos.

Perguntei a ele qual sua visão, expectativas e ações que o Mapa pode estar fazendo nesse momento de instabilidade internacional. Segundo ele, o cenário é turbulento e traz impactos diretos para o agro brasileiro, especialmente nas exportações e no abastecimento de insumos.

“O momento é muito turbulento, desafiador. O agro brasileiro tem uma importante participação na venda de produtos para o Oriente Médio, sendo o principal fornecedor de carne de frango dentro da filosofia Halal, que não tem substituto. O Irã, por exemplo, é o maior importador de milho, o que impacta diretamente a cadeia do frango, que é muito rápida, de cerca de 42 dias”, afirmou o secretário.

Diante desse cenário, Campos afirma que há uma mobilização para redirecionar a produção e evitar perdas.

“Existe toda uma preocupação e suporte do governo federal e do Ministério da Agricultura para buscar alternativas de onde colocar essa produção que não consegue chegar a esses mercados, além da questão dos insumos que vêm daquela região, hoje fechada, exigindo novas soluções”, afirmou.

Ele também destaca que a estratégia brasileira de investir em energia renovável ganha ainda mais importância nesse contexto.

“O caminho que o Brasil escolheu, com foco na transição energética, vindo da energia do agro nacional, como biodiesel e etanol, é o caminho correto. Não existe receita pronta, mas vamos construindo alternativas dentro da configuração atual”, declarou Campos.

Segundo o secretário, a diversificação de mercados segue como prioridade para reduzir riscos.

“Ao longo do mandato, a busca por novos mercados tem sido constante, diversificando o que vender e para quem vender, diminuindo a dependência de países ou regiões específicas. Isso é um esforço conjunto entre governo e empresas”, disse.

Também questionei como ficaremos em relação aos fertilizantes e ao Plano Nacional de Fertilizantes. Campos afirmou que o tema já vem sendo trabalhado há anos, mas ainda enfrenta desafios estruturais.

“É um foco que vem de governos anteriores, com questões de licenças para explorar áreas e a busca por alternativas. Não tem muita mágica”, constatou.

Nesse contexto, ele aponta os bioinsumos como uma das principais saídas para reduzir a dependência externa.

“O Brasil está na frente em um quesito que substitui fertilizantes de origem mineral: os bioinsumos. O país assume posição de liderança na adoção dessas tecnologias, algo que só é possível com inovação, e com nomes como Mariangela Hungria”, concluiu Campos.

Vim da França recentemente e ouvi de agricultores franceses relatos sobre estudos para tornar a agricultura mais resiliente. Ao perguntar sobre o prazo, disseram que em dois meses.

Quando pedi acesso ao material, a resposta foi direta: não seria necessário, pois os estudos já haviam sido baseados no modelo brasileiro.

Ou seja, nós somos realmente um modelo espetacular!

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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AgroNewsPolítica & Agro

Juros iniciam ciclo de queda com cautela



As expectativas de inflação dos agentes também mostraram estabilidade relativa


As expectativas de inflação dos agentes também mostraram estabilidade relativa
As expectativas de inflação dos agentes também mostraram estabilidade relativa – Foto: Pixabay

O início do ciclo de flexibilização monetária no país foi confirmado com a redução da taxa básica de juros, em um movimento que reflete sinais de desaceleração da atividade econômica e ajuste das expectativas inflacionárias. De acordo com análise do Rabobank, o Copom decidiu de forma unânime cortar a Selic para 14,75%, iniciando um processo descrito como calibração da política monetária.

A decisão foi justificada pelo entendimento de que o período prolongado de juros elevados já produziu efeitos sobre a economia, contribuindo para trazer as projeções de inflação a níveis mais compatíveis com a meta. Ainda assim, o cenário internacional adiciona incertezas relevantes, especialmente diante da falta de clareza sobre a duração dos conflitos no Oriente Médio, fator que pode impactar preços de energia e commodities.

Nesse contexto, o comitê optou por não fornecer sinalizações futuras sobre o ritmo dos cortes, destacando a necessidade de acompanhar dados prospectivos que confirmem os efeitos diretos e indiretos sobre a inflação ao longo do tempo. Mesmo com a recente alta nos preços do petróleo, a projeção de inflação no horizonte relevante foi ajustada de forma marginal, passando para 3,3%, enquanto o balanço de riscos permaneceu praticamente simétrico, ainda que mais elevado.

As expectativas de inflação dos agentes também mostraram estabilidade relativa, com leve alta para 2026 e manutenção dos níveis projetados para os anos seguintes. Para o Rabobank, o cenário atual indica um possível corte mínimo de 25 pontos-base na próxima reunião, com um ciclo total de redução que pode chegar a 250 pontos-base em 2026, levando a Selic a 12,50% ao fim do período.

A continuidade desse movimento, no entanto, dependerá da evolução dos dados econômicos e dos desdobramentos do cenário externo. Novas informações devem ser detalhadas na ata e no relatório de política monetária previstos para divulgação nos próximos dias.

 





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Colheita de soja no Brasil atinge 68,8%, aponta consultoria


Colheita de soja na Fazenda Itamarati Norte da Amaggi em Campo Novo do Parecis
Colheita de soja na Fazenda Itamarati Norte da Amaggi em Campo Novo do Parecis. Foto: Amaggi

A colheita da safra brasileira de soja 2025/26 alcançou 63,8% da área plantada até o dia 20 de março, conforme levantamento da consultoria Safras & Mercado.

O avanço semanal foi significativo em relação ao índice de 55,4% registrado na semana anterior, indicando aceleração dos trabalhos no campo. Ainda assim, o ritmo da colheita segue abaixo do observado em igual período do ano passado, quando 76,6% da área já havia sido colhida.

Na comparação com a média histórica para o período, de 71,3%, o atraso também fica evidente, reforçando um cenário de colheita mais lenta na atual temporada.

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Jacto lança implemento de adubação 5030 NPK e apresenta BalanceControl no Show Safra 2026


Jacto lança Implemento de adubação 5030 NPK no Show Safra 2026, em Lucas do Rio Verde. Foto: Divulgação/Jacto.
Jacto lança Implemento de adubação 5030 NPK no Show Safra 2026, em Lucas do Rio Verde. Foto: Divulgação/Jacto.

A Jacto, multinacional brasileira de máquinas, soluções e serviços agrícolas, apresenta novos equipamentos e soluções durante o Show Safra 2026, que será realizado entre os dias 23 e 27 de março, em Lucas do Rio Verde (MT). O evento reúne produtores, empresas e profissionais do setor agrícola e ocorre em uma das principais regiões produtoras do país.

Entre os lançamentos estão o implemento de adubação 5030 NPK e o sistema BalanceControl para pulverizadores da linha Uniport. A empresa também leva à feira atualizações em equipamentos de pulverização e ferramentas voltadas à agricultura de precisão.

Implemento 5030 NPK permite adaptação em máquinas multimarcas

O implemento 5030 NPK foi desenvolvido para permitir que equipamentos autopropelidos passem a operar como adubadoras. O modelo pode ser instalado em máquinas de diferentes marcas e reaproveita equipamentos já utilizados pelos produtores.

O equipamento possui reservatório com capacidade para 5.000 kg, construído em aço inoxidável. O sistema inclui controle automático de 12 seções e controle de bordadura, que reduz a aplicação de fertilizantes em áreas como carreadores.

“Ao utilizar máquinas usadas e antigas, ampliamos a eficiência desses equipamentos e tornamos mais acessível aos agricultores tecnologias que entregam alto rendimento operacional”, afirma Rodrigo Madeira, gerente de planejamento de produtos da Jacto.

Sistema permite controle de aplicação e redução de perdas

O implemento utiliza tecnologias já presentes na adubadora Uniport 5030 NPK. Entre elas estão o controle automático de seções, que reduz a sobreposição, e o controle de bordadura para direcionar a aplicação de fertilizantes nas áreas de produção.

Em áreas próximas a reservas ambientais, o sistema também permite o uso de “controle de bordadura intensivo”, que direciona a distribuição do produto para evitar aplicação fora da área produtiva.

O conjunto de discos e pás foi desenvolvido para realizar a distribuição em faixas de até 50 metros. O equipamento também pode operar com produtos em pó, como calcário, por meio de discos opcionais. Outro recurso disponível é o sistema que ajusta automaticamente o ponto de queda do fertilizante nos discos.

Integração com agricultura de precisão

O implemento 5030 NPK pode ser integrado a ferramentas de agricultura de precisão. Entre elas estão piloto automático, aplicação em taxa variável e a plataforma EKOS, de telemetria, utilizada para monitoramento das operações.

O equipamento também pode ser configurado com o aplicativo SmartSet, que auxilia na regulagem da faixa de aplicação conforme o tipo de fertilizante.

BalanceControl chega aos pulverizadores Uniport

A empresa também apresenta a solução BalanceControl para os pulverizadores Uniport 3030 e 4530, com barras de 32 e 36 metros. O sistema atua na estabilidade das barras durante a pulverização.

De acordo com a empresa, o objetivo é manter a altura de aplicação ao longo da operação e ampliar o tempo de trabalho dentro do padrão recomendado.

A Jacto também anunciou mudanças nos pulverizadores Uniport 2030 e 2530, que passam a contar com 11 seções de aplicação por meio da tecnologia MultiControl. Os modelos também passam a utilizar o sistema direcional Unitrack.

Durante o Show Safra 2026, a empresa também apresentará adubadoras, pulverizadores tratorizados, equipamentos da linha Uniport, drones e soluções voltadas à agricultura digital.

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Fiscalização apreende mais de 40 toneladas de açaí congelado avaliadas em R$ 252 mil


Açaí
Foto: divulgação/Sefa

Fiscais de receitas estaduais da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) apreenderam, na quinta-feira (19), 40.080 kg de açaí congelado, avaliado em R$ 252.502,50, destinado ao Rio de Janeiro.

Os servidores atuam na Coordenação de Controle de Mercadorias em Trânsito do Itinga, localizada em Dom Eliseu, no nordeste do Pará.

“A mercadoria estava acobertada por nota fiscal de venda declarando origem no Amapá, porém o documento de registro de passagem de saída estadual do Amapá não tinha vinculação com a nota fiscal. Em inspeção física, constatamos que a embalagem do produto cita fábricas no Pará e Amapá sem identificar a origem exata”, informou o coordenador Rafael Brasil.

Diante das irregularidades a fiscalização presumiu que a saída foi da filial da empresa no Pará e foi lavrado Termo de Apreensão e Depósito (TAD), no valor de R$ 42.420,42 correspondente ao imposto e multa.

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Mercado em alerta, campo em risco


Petróleo - opep
Foto: Pixabay

O mercado financeiro, muitas vezes, antecipa movimentos que a economia real ainda não conseguiu traduzir com clareza. E o que começa a aparecer agora é um ambiente mais nervoso, mais caro e mais difícil para quem produz.

A guerra no Oriente Médio deixou de ser apenas uma notícia distante. Já entrou no preço do petróleo, contamina o diesel, gás natural e mexeu com os fertilizantes e voltou a pressionar os juros globais. O barril segue elevado, e o mercado passou a rever a expectativa de cortes de juros no curto prazo.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa, mas o cenário está longe de ser confortável. O comitê está dividido, e a própria autoridade reconhece que os efeitos da crise sobre a inflação ainda são incertos.

O problema é que a curva de juros americana mostra uma leitura mais dura. Os títulos longos seguem pressionados, indicando que o mercado não aposta em queda rápida dos juros e sim uma alta.

Isso importa muito para o Brasil. Quando os juros sobem lá fora, o crédito fica mais seletivo e mais caro. Aqui, o Banco Central até iniciou cortes, mas com cautela, justamente por causa desse ambiente externo mais pressionado.

Ao mesmo tempo, o Tesouro precisou atuar recomprando títulos e, ainda assim, o mercado segue tensionado. Petróleo, risco fiscal e incerteza política continuam andando juntos.

E é nesse ponto que o produtor rural precisa refletir.

O campo já vinha fragilizado por margens apertadas, endividamento elevado e rentabilidade comprimida. Agora, soma-se um choque que atinge diretamente o custo de produção: diesel e fertilizantes.

O Brasil continua exposto ao preço internacional do diesel. Medidas do governo ajudam, mas não alteram a lógica do mercado. Se o preço sobe lá fora, acaba chegando aqui.

Nos fertilizantes, o sinal é ainda mais claro. A guerra afetou rotas importantes, reduziu oferta e elevou preços. Isso chega direto no custo da próxima safra.

Por isso, o risco não está apenas na guerra. Ele está na planilha do produtor.

Se o diesel segue pressionado, o fertilizante sobe e o crédito não se alivia, a margem desaparece. E quando a margem some em um setor altamente financiado, o problema passa a ser de solvência.

E há um ponto estrutural que o Brasil insiste em adiar. A taxa de juros elevada, que historicamente atrai mais capital especulativo do que investimento produtivo, continua sendo um freio para o crescimento. O país precisa de um sinal claro de coordenação entre Executivo, Congresso e Judiciário.

Algo na linha de um pacto nacional, como foi o Pacto de Moncloa na Espanha, que estabeleça um compromisso firme com responsabilidade fiscal, redução de despesas e previsibilidade. Sem isso, o capital não se direciona para produzir; ele apenas gira em torno da renda financeira.

Não adianta apostar em solução rápida. O governo está limitado, com pouco espaço para medidas amplas. Qualquer saída estrutural exigirá tempo e credibilidade, dois fatores escassos hoje.

Por isso, o recado ao produtor rural precisa ser direto. Este é o momento de levantar toda a dívida, contrato por contrato. Entender o tamanho do problema antes que ele cresça. Quem puder alongar prazo e preservar caixa, precisa agir agora.

Em momentos assim, gestão financeira deixa de ser detalhe e passa a ser ferramenta de sobrevivência.

O mercado está avisando: o mundo ficou mais caro. O campo, já pressionado, não pode esperar soluções externas.

Porque, no campo, não existe milagre: quando a margem some, sobra apenas a conta, e ela não espera.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Iniciativa da ApexBrasil reúne compradores para impulsionar exportações de frutas


frutas, preços
Foto: Ministério da Agricultura

Entre os dias 22 e 27 de março ocorre, em São Paulo, uma nova rodada de negócios do programa Exporta Mais Brasil, ação paralela à feira Fruit Attraction São Paulo. O objetivo da ação é fortalecer a inserção das frutas brasileiras no exterior e abrir novos mercados.

A iniciativa é da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com entidades do setor, e reunirá 17 compradores internacionais de 16 países e 39 empresas brasileiras de exportação de frutas.

Rodadas e visitas técnicas

A programação inclui rodadas de negócios entre os dias 24 e 26 de março, além de seminários, fóruns e encontros institucionais.

Também estão previstas visitas técnicas a propriedades produtoras, permitindo que os compradores conheçam de perto a produção nacional, os padrões de qualidade e a diversidade das frutas brasileiras.

Participam importadores de mercados estratégicos da África, Europa, Ásia e Américas, incluindo países como China, Estados Unidos, Reino Unido e Países Baixos.

Resultados de 2025 impulsionam edição

A expectativa para este ano é sustentada pelos resultados da primeira edição do programa, realizada em 2025, no Rio Grande do Norte. Na ocasião, foram promovidas 274 reuniões de negócios, com estimativa de geração de US$ 6,05 milhões.

O número menor de participantes no ano passado — 13 compradores e 28 empresas — indica avanço na atual edição, que amplia a presença internacional e a oferta brasileira.

Expectativa de ampliar mercados

A realização em São Paulo, considerado principal hub de negócios do país, deve aumentar a visibilidade e facilitar conexões comerciais. A integração com a Fruit Attraction também amplia o alcance internacional e o networking entre os agentes da cadeia.

A diversidade de mercados participantes e o perfil dos compradores reforçam a expectativa de novos contratos e expansão das exportações.

Setor em crescimento

O movimento ocorre em um cenário de avanço da fruticultura brasileira. Em 2025, o país registrou exportações recordes de US$ 1,45 bilhão e 1,29 milhão de toneladas, com crescimento tanto em valor quanto em volume.

O Brasil é atualmente o terceiro maior produtor mundial de frutas, atrás apenas de China e Índia. Produtos como manga, melão, limão e melancia lideram os embarques, com destaque para destinos europeus e norte-americanos.

Além do desempenho externo, o setor tem peso relevante na economia, com cerca de 5 milhões de empregos diretos e área plantada próxima de 2,5 milhões de hectares.

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Feijão na encruzilhada: queda na demanda desafia o mercado


Feijão cores
Foto: Agraer/MS

O mercado brasileiro de feijão atravessa um momento raro e desconfortável. Não se trata apenas de preços altos, tampouco de oferta restrita. O que se vê hoje é algo mais profundo: um mercado que perdeu sua capacidade de funcionar. Há produto. Há preço. Mas não há negócio.

Essa desconexão revela uma mudança estrutural que muitos ainda insistem em tratar como conjuntural. O feijão chegou ao limite do seu modelo tradicional. E, como todo sistema que opera no limite, começa a dar sinais claros de ruptura.

O Teto do Consumo Interno

Durante décadas, o feijão foi tratado como um produto inquestionável na mesa do brasileiro. Um consumo quase automático, pouco sensível a preço. Essa premissa deixou de ser válida. O consumidor mudou e o mercado demorou para perceber. Quando o carioca ultrapassa a faixa de R$ 8,00 a R$ 10,00 por quilo, o giro trava. No feijão preto, o limite é ainda mais evidente.

Não se trata mais de resistência pontual, mas de um teto consolidado. O mercado encontrou seu limite de absorção, e passou a rejeitar preços acima dele. O impacto disso é silencioso, mas devastador. O consumidor não negocia. Ele simplesmente substitui. Migra para proteínas mais baratas, reduz consumo ou adia a compra. O varejo, com estoques elevados, responde com cautela. A indústria desacelera. E a origem, inevitavelmente, trava.

Hoje, o poder da cadeia não está mais no produtor, nem na indústria. Está na gôndola. E a gôndola está dizendo com clareza: não há espaço para repasse. Esse é o ponto de inflexão mais importante do mercado atual. O problema deixou de ser produzir e passou a ser vender. O feijão, antes um produto de demanda garantida, agora disputa espaço no orçamento do consumidor. Isso muda completamente a lógica da formação de preço.

A ditadura da volatilidade

Com a demanda enfraquecida, a volatilidade deixa de ser efeito e passa a ser protagonista. O movimento recente escancara isso. Em fevereiro, um rali histórico, com altas superiores a 30%. Em março, uma paralisia quase total. Em poucos dias, o mercado saiu da euforia para a inércia. E o mais importante: sem uma transição racional. Esse comportamento não é exceção. É característica estrutural do feijão.

O setor opera praticamente sem instrumentos de gestão de risco. Não há cultura consolidada de hedge. O uso de derivativos é irrelevante. O seguro não cobre preço. E a formação de valor depende, quase exclusivamente, de negociações pontuais. Na prática, o produtor está exposto.

Ele segura quando o mercado sobe, esperando mais. Fica travado quando a liquidez some. E cede quando a pressão aparece. Não há estratégia. Há reação. E, neste ambiente, a volatilidade não é apenas financeira — é psicológica. O mercado deixou de responder apenas à oferta e demanda. Passou a reagir à percepção, ao medo e à expectativa. Sem instrumentos, sem previsibilidade e sem proteção, o preço deixa de ser uma variável de gestão e passa a ser um fator de risco.

A miopia do mercado

Se há um ponto que explica a fragilidade estrutural do feijão brasileiro, ele está na forma como o mercado ainda se organiza. O setor resiste em tratar o feijão como uma commodity estratégica. Continua operando de maneira fragmentada, dependente de negociações informais, com baixa padronização e pouca transparência. Os sinais são claros.

Os preços divulgados muitas vezes não refletem negócios reais. Os pregões perdem relevância. As negociações migram para fora do ambiente formal. E o mercado passa a operar sem uma referência confiável. Hoje, o preço virou uma indicação e não uma validação. Isso cria um ambiente perigoso. O produtor não sabe exatamente quanto vale seu produto. O comprador ganha poder de barganha.

E o mercado perde sua capacidade de organizar expectativas. Nesse cenário, surge a distorção mais emblemática do momento: o produto de pior qualidade passa a ditar o preço do melhor. A lógica se inverte. O mercado deixa de premiar qualidade e passa a precificar pelo excesso. O resultado é uma fragmentação extrema, onde o feijão comercial gira e o extra trava. Essa miopia custa caro. Impede a evolução do setor e mantém o feijão preso a um modelo ultrapassado, incapaz de lidar com a complexidade atual. A válvula de escape: exportação como estratégia

Enquanto o mercado interno perde tração, uma alternativa começa a ganhar forma, não como solução imediata, mas como caminho inevitável: a exportação.

O avanço do feijão mungo preto é um caso emblemático. O Brasil ocupou um espaço estratégico no mercado global, impulsionado por fatores geopolíticos e climáticos. Tornou-se fornecedor relevante para a Ásia, especialmente para a Índia, e passou a operar em um modelo completamente diferente do mercado doméstico. Aqui está a diferença central: previsibilidade.

O mungo não depende do mercado spot. Ele opera com contratos. O escoamento é planejado antes do plantio. O preço não é definido no improviso, mas estruturado em função da demanda global. Isso muda o jogo.

O produtor deixa de ser refém da liquidez local e passa a atuar dentro de uma lógica de fluxo. Reduz risco, melhora planejamento e ganha estabilidade. Esse modelo não precisa — e não deve — se limitar ao mungo. Há espaço claro para expansão em outras variedades, como o caupi e o rajado. O Brasil tem escala, clima e capacidade produtiva para isso. O que falta é organização.

Hoje, a exportação brasileira é forte em volume, mas frágil em estrutura. Concentrada em poucos estados, poucos produtos e, principalmente, poucos compradores. A dependência da Índia é um risco evidente. Transformar a exportação em estratégia exige coordenação. Exige inteligência comercial, padronização, abertura de mercados e segurança jurídica. Mais do que vender para fora, é preciso saber para quem, como e com qual consistência.

O mercado de feijão não está em crise. Está em transição. E a diferença é fundamental. Crises passam. Transições exigem mudança.

O modelo atual, baseado em consumo doméstico, pouca transparência, negociação spot e ausência de gestão de risco ,está esgotado. Ele não responde mais às novas condições de mercado.

O que se desenha à frente é um setor que precisará evoluir rapidamente.

Produtores terão que deixar de ser apenas produtores e se tornar gestores de risco. Cooperativas precisarão assumir papel mais ativo na estruturação comercial. Corretores terão que qualificar informação, não apenas intermediar. E o poder público precisará agir para destravar acordos e facilitar o acesso a mercados externos. A alternativa é clara: ou o setor se profissionaliza, ou continuará refém de ciclos cada vez mais curtos, mais intensos e mais imprevisíveis.

O feijão brasileiro chegou a uma encruzilhada. E, desta vez, não é o clima que define o próximo passo. É decisão estratégica.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão

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Anvisa proíbe venda e distribuição de lotes de fórmula infantil


Fórmula infantil - Aptamil
Foto de divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após comunicado de recolhimento voluntário da Danone, determinou nesta quinta-feira (19) a proibição da comercialização, da distribuição e do uso de lotes da fórmula infantil Aptamil Premium 1 – 800g, produzida pela empresa.  

Segundo a Resolução (RE) 1.056 /2026, publicada no Diário Oficial da União (DOU), laudos do próprio fabricante constataram a presença da toxina cereulida no produto indicado para recém-nascidos de até 6 meses. Em virtude disso, os seguintes lotes devem ser recolhidos: 

  • 2026.09.07 (fab. 08/03/2025) 
  • 2026.10.03 (fab. 03/04/2025)
  • 2026.09.09 (fab. 10/03/2025)

Motivo da proibição

A cereulida é uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus. O consumo de alimento contaminado por essa substância pode causar vômito persistente, diarreia ou letargia (sonolência excessiva, lentidão de movimentos e de raciocínio) e incapacidade de reagir e expressar emoções.   

Orientações    

Se você utiliza a fórmula infantil Aptamil Premium 1 – 800g, da Danone, verifique o número do lote impresso. Se o produto pertencer a um dos lotes recolhidos, ele não deve ser utilizado ou oferecido para consumo. Outros lotes desse produto não foram afetados.  

Para receber orientações sobre como proceder em relação a eventuais trocas e devoluções, entre em contato diretamente com a Danone, por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) indicado na embalagem. 

Se a criança apresentar sintomas compatíveis com os citados após o consumo do produto dos lotes indicados, leve-a para atendimento médico.

Ao procurar atendimento, é importante informar o alimento que foi consumido, se possível com uma amostra da embalagem, caso a tenha disponível. Acesse a RE 1.056/2026 no Diário Oficial da União (DOU).

laudos do próprio fabricante constataram a presença da toxina cereulida no produto, essa substância pode causar vômito persistente, diarreia ou letargia 

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Relatório de transparência e igualdade salarial de homens e mulheres


Canal Rural - Logo Assinatura

Em cumprimento à lei nº 14.611/2023, como parte das ações que buscam transparência e igualdade salarial entre homens e mulheres, as empresas com mais de 100 colaboradores devem publicar relatório de transparência salarial em seus próprios sites.

Por este motivo, o Canal Rural disponibiliza abaixo o link para acesso ao relatório do 1º trimestre de 2026: veja o relatório aqui.

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