sábado, abril 11, 2026

Autor: Redação

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Sapo que canta como um pássaro? Pesquisadores identificam espécie curiosa


Foto: Divulgação/Redes sociais

Uma espécie de rã-arborícola (Gracixalus weii) que emite vocalizações semelhantes ao tordo-do-peito-preto (Turdus dissimilis) foi identificada recentemente na província de Guizhou, na China. A descoberta foi publicada em artigo na revista científica Herpetozoa.

Além da China, o gênero Gracixalus vive disperso entre Mianmar, oeste da Tailândia, Laos e Vietnã.

A pesquisa, liderada por Caichun Peng da Estação de Observação e Pesquisa do Ecossistema Florestal de Guizhou Leigongshan, busca ampliar dados sobre as vocalizações desses anfíbios, que permanecem escassos e pouco aprofundados.

Atualmente, de 23 espécies identificadas no mundo, somente 10 possuem seu canto descrito. O estudo analisou 182 vocalizações de seis rãs machos G. weii localizadas na Reserva Natural de Leigongshan, na China. A análise considerou altitude, temperatura do ar e umidade.

Como funciona a vocalização de um anfíbio?

A bióloga e professora da Universidade Estadual Paulista de Jaboticabal (Unesp/Fcav), Cynthia Prado, explica que a vocalização dos anfíbios funciona como canto reprodutivo.

“Assim como as aves, os anfíbios, sapos, rãs e pererecas, utilizam muitos sons para comunicação. Na maioria das espécies, são só os machos que cantam. Esse canto tem a função de atrair as fêmeas para reproduzir, e também serve para avisar outros machos de que aquele território é dele”, esclarece.

Além disso, o tamanho da espécie também implica no tipo de vocalização que é reproduzida. De acordo com a professora, se o macho for maior, ele canta em uma frequência mais grave, porém, se for menor, o canto é mais agudo.

Influência do bioma

Foto: Peng et al.

Segundo o estudo, esses anfíbios se encontram em densas florestas de bambu, perto de riachos. E, no momento da vocalização, ficam sobre ou dentro da planta.

“As espécies que moram perto de riacho, que é o caso desse sapo da China, muitas vezes a seleção natural leva elas a ter um canto parecido a de alguns pássaros que vivem também na beira do riacho, com características que fazem com que o canto se sobressaia acima do ruído do riacho”, diz a bióloga.

Ela também explica que essas características se desenvolvem em razão do ambiente e não por necessidade de uma espécie imitar a outra.

“Aqueles machos que conseguem emitir um canto, que conseguem se propagar melhor, mesmo com aquele ruído do riacho, eles vão conseguir atrair mais fêmeas, vão se reproduzir mais e vão passar para frente essas características.”

E a mesma coisa ocorre com pássaros que convivem na mesma região.

“O pássaro, que emite esse canto, também vai conseguir se reproduzir mais. E, ao
longo do tempo, essas características vão sendo passadas e vão sendo selecionadas por causa do barulho do riacho, e não porque um está imitando o outro, tentando se comunicar”, finaliza.

Semelhança com as aves

Foto: Peng et al.

A partir das gravações de campo, os pesquisadores identificaram que o canto de anúncio da espécie G. weii se assemelha ao canto do torrdo-do-peito-preto, pois ambos apresentam uma nota mais longa seguida por duas notas mais curtas.

Entretanto, não é a primeira vez que essa convergência acústica com as aves é registrada.

Em 1984, na Cordilheira do Himalaia, os pesquisadores Alain Dubois e Jochen Martens descreveram a mesma semelhança entre as espécies de rãs do gênero Nanorana e a felosa-de-bico-grande (Phylloscopus magnirostris).

A descoberta mostrou que o fenômeno não depende apenas da identificação de indivíduos das mesmas espécies e da seleção sexual, mas também interações ecológicas mais amplas, como em ambientes acústicos variados.

Porém, o estudo chinês aponta que a “convergência pode gerar erros de identificação e subestima a diversidade de anfíbios em levantamentos de campo”.

Monitoramento de espécies ameaçadas

Além de auxiliar na identificação de espécies, pesquisadores também utilizam a bioacústica como método de monitoramento de animais ameaçados.

“Por exemplo, quando você quer monitorar uma população para saber se ela está aumentando ou está diminuindo, você vai periodicamente naquele ambiente e você pode anotar o número de machos que estão cantando ali para fazer uma estimativa do tamanho populacional”, detalha Cynthia Prado.

De acordo com o Dr. Thiago Silva-Soares, fundador da Biotrips e pesquisador do Instituto Últimos Refúgios, esse controle está ainda mais eficaz com o avanço tecnológico.

“Então se coloca um gravador em campo e deixa gravando passivamente, ou seja, registra tudo que está vocalizando e depois fica ouvindo. A inteligência artificial entrou para ajudar nisso, horas de gravação podem ser analisadas pela inteligência artificial e mostrar se determinada espécie está em certo ambiente”, diz o pesquisador.

Espécies brasileiras

Não é só na China que se pode observar essa convergência. No Brasil, espécies da Mata Atlântica também podem ser associadas a aves, insetos e até mesmo seres humanos.

“Uma perereca (Gastrotheca microdisca) que vive nas copas das árvores na Mata Atlântica, tem um som muito parecido com uma ave que se chama araponga (Procnias nudicollis). Essa araponga tem um canto bem característico, bem alto e um som bem metálico. E essa perereca tem um som muito parecido”, conta a professora.

Ela também conta que as pessoas frequentemente confundem grilos e esperanças com anfíbios.

Segundo Thiago Soares, existem espécies que vocalizam até como humanos. No interior, é popularmente contado que crianças estão perdidas e chorando na mata, mas, na verdade, é só o canto da rã-chorona (rãs do gênero Physalaemus).

Próximos passos

Os pesquisadores da China apresentaram dados básicos sobre comportamento, ecologia e biodiversidade.

Nesse sentido, para futuros estudos, espera-se análises mais abrangentes e com maior precisão, expandindo cada vez mais o conhecimento sobre bioacústica, vocalizações e adaptações estruturais de anfíbios.

*Sob supervisão de Victor Faverin

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Pesquisa comprova eficácia de inseticida no controle do bicho-mineiro do café


café da chapada
Capelinha_MG, 22 de Agosto de 2019

Sebrae e ICCM (Instituto do Cafe da Chapada de Minas) | Banco de Imagens do Cafe da Chapada de Minas

Na imagem, a Fazenda Matilde

Foto: Leo Drumond/Nitro/Sebrae

Um estudo conduzido pela Alessandra Vacari, pesquisadora, entomologista e pós doutora pela Universidade da Califórnia, apontou alta eficácia do inseticida etofenproxi no controle do bicho-mineiro do café (Leucoptera coffeella), considerada uma das pragas mais desafiadoras da cafeicultura brasileira.

A pesquisa também contribuiu para a recente extensão de bula do produto pelos órgãos reguladores, ampliando seu uso no manejo da praga. De acordo com a pesquisadora, o bicho-mineiro pode provocar perdas de até 70% na produção quando não controlado.

A praga se instala nas folhas do cafeeiro. As fêmeas depositam ovos na superfície e, após a eclosão, as larvas penetram no interior da folha para se alimentar, reduzindo a capacidade fotossintética da planta.

Esse comportamento dificulta o controle químico, já que as larvas ficam protegidas dentro do tecido foliar.

Produto atua na quebra do ciclo da praga

Os resultados do estudo indicam que o etofenproxi pode atingir até 100% de eficácia no controle do bicho-mineiro.

Segundo Vacari, o principal diferencial do inseticida está na atuação sobre os insetos adultos, interrompendo o ciclo da praga.

Após a aplicação, a longevidade dos adultos caiu de cerca de cinco dias para dois dias, em média, reduzindo a capacidade de reprodução.

Além disso, houve queda significativa na quantidade de ovos depositados nas folhas, o que impediu o surgimento de novas lagartas nas plantas avaliadas.

A pesquisa também identificou que a redução na postura de ovos se manteve entre sete e 21 dias após a aplicação do inseticida.

Com menos ovos viáveis, a pressão da praga diminui ao longo do tempo, contribuindo para maior eficiência no manejo.

Seletividade preserva controle biológico

Outro destaque do estudo é a seletividade do etofenproxi. O inseticida apresentou baixo impacto sobre inimigos naturais do bicho-mineiro, como o crisopídeo (Chrysoperla externa).

Esse inseto é considerado um dos principais agentes de controle biológico da praga em cafezais brasileiros.

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Prazo estendido! Vote no Prêmio Personagem Soja Brasil até o dia 30 de abril


Imagem gerada por IA

Você sabia que a votação para o Prêmio Personagem Soja Brasil 2025/26 foi prorrogada e segue aberta até o dia 30 de abril? Aproveite para participar e votar no produtor e pesquisador que fazem a diferença na cadeia da soja no país. Acesse o link, preencha seus dados e escolha seu favorito (a).

Confira os indicados desta safra:

Pesquisadores

Ricardo Andrade
O pesquisador Ricardo Andrade atua no desenvolvimento de tecnologias que ajudam a soja a produzir bem mesmo em condições climáticas adversas no oeste da Bahia. Engenheiro agrônomo e especialista em fisiologia vegetal, ele trabalha principalmente com estudos voltados à adaptação das plantas a estresses como a seca.

Seu trabalho busca entender como a soja reage ao ambiente e como pode se tornar mais resiliente diante das mudanças climáticas. Entre as linhas de pesquisa estão técnicas com bioestimulantes que aumentam a tolerância da planta a condições adversas e elevam o potencial produtivo.

Andrade também destaca a importância da educação e da formação de novos profissionais para o avanço do agro brasileiro. Para ele, a maior recompensa da pesquisa é ver tecnologias desenvolvidas no laboratório sendo aplicadas nas lavouras pelos produtores.

Fernando Adegas
Pesquisador da Embrapa Soja, Fernando Adegas construiu carreira dedicada ao manejo de plantas daninhas e ao desenvolvimento de estratégias para evitar perdas na produção agrícola.

Filho de família ligada ao campo, decidiu seguir a agronomia ao perceber a importância da agricultura para a economia brasileira. Após atuar na extensão rural no Paraná, aprofundou seus estudos na área de plantas daninhas, tema que se tornou central em sua trajetória científica.

Na Embrapa, acompanha a evolução dos sistemas de produção e o surgimento de plantas resistentes a herbicidas, trabalhando no desenvolvimento de técnicas de manejo integrado. O objetivo é garantir que os produtores consigam controlar as invasoras e manter a produtividade das lavouras, respeitando as diferenças entre regiões e biomas do país.

Leandro Paiola Albrecht
O pesquisador Supra da UFPR, Leandro Paiola Albrecht, desenvolve estudos voltados ao manejo de plantas daninhas e à busca por soluções que aumentem a produtividade e a rentabilidade da soja.

Seu trabalho vai além do uso de herbicidas, envolvendo práticas como rotação de culturas, cobertura do solo e estratégias integradas dentro do sistema produtivo. Ele também participa de pesquisas sobre resistência de plantas daninhas em áreas de soja no Brasil e no Paraguai, avaliando espécies como buva, caruru e capim-amargoso.

Esses estudos ajudam a identificar novas formas de controle e evitar perdas significativas nas lavouras. Segundo o pesquisador, o objetivo é integrar diferentes tecnologias para gerar soluções práticas e acessíveis aos produtores, garantindo produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo.

Produtores

João Damasceno
Produtor rural do Tocantins, João Damasceno levou o sonho da soja para o Norte do Brasil e ajudou a consolidar a produção na região.

A história da fazenda começou ainda com seu pai, que adquiriu a propriedade na década de 1940. A partir da safra 1993/94, a família passou a investir na soja, substituindo outras culturas e ampliando gradualmente a área plantada e o parque de máquinas.

Com apoio técnico da Embrapa, adotou sistemas de rotação de culturas e integração com a pecuária, garantindo mais sustentabilidade à produção. Hoje a fazenda reúne soja como cultura principal, além de milho safrinha, gergelim, confinamento de gado e seringueira, além de estrutura própria de secagem e armazenamento.

Mesmo com oportunidades de expansão, a família decidiu investir na propriedade original, que carrega valor histórico e sentimental. Para Damasceno, produzir soja também significa preservar o legado familiar construído ao longo de gerações.

Maira Lelis
Produtora rural de Guaíra (SP), Maira Lelis representa uma nova geração do agro que une tradição, tecnologia e sustentabilidade.

A história da fazenda começou há mais de 80 anos com seu avô, quando a área ainda era formada por cerrado. Ao longo do tempo, a propriedade evoluiu com mecanização, adoção de tecnologias e ampliação da produção de grãos.

Hoje a gestão é focada em inovação, eficiência e redução de custos. Entre as práticas adotadas estão rotação de culturas, uso de plantas de cobertura e aplicação de microrganismos para fortalecer a saúde do solo e aumentar a produtividade da soja.

Uma das iniciativas recentes é a criação de um corredor ecológico com árvores que produzem pólen ao longo do ano, ajudando a atrair inimigos naturais das pragas e equilibrar o sistema produtivo. Para Maira, produzir alimento com responsabilidade ambiental e preparar o solo para as próximas gerações é parte essencial da missão no campo.

Carlos Eduardo Carnieletto
A trajetória de Carlos Eduardo Carnieletto nasceu dentro da agricultura familiar no Paraná. A produção começou com os pais, em uma pequena área cultivada com muito trabalho e dedicação.

Ao longo dos anos, a estrutura da propriedade foi ampliada e consolidada. Formado em agronomia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), ele manteve a ligação com o campo e hoje administra sua área com foco em eficiência e gestão.

Diante de custos elevados e preços pressionados, busca aumentar a produtividade sem elevar os gastos da lavoura. Entre as práticas adotadas estão o uso de biológicos, coinoculação e acompanhamento constante das lavouras.

Para ele, o solo é o principal patrimônio do agricultor. Por isso investe em conservação, cobertura e manejo adequado da terra. Mesmo diante dos desafios do setor, Carlos acredita nos ciclos da agricultura e mantém a convicção de seguir produzindo. Encerrar uma safra com bons resultados continua sendo sua maior motivação.

A votação para escolher o Personagem Soja Brasil da safra 2025/26 vai até o dia 10 de abril. Participe!

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Desperdício global de alimentos pode atingir US$ 540 bilhões em 2026, mostra pesquisa


Alimentos; desperdício
Foto: Pixabay

O desperdício de alimentos continua corroendo margens e se consolida como um dos desafios mais caros da cadeia global de suprimentos do varejo. É o que conclui o relatório “Tornando o invisível visível: liberando o valor oculto do desperdício de alimentos para impulsionar crescimento e rentabilidade”, da Avery Dennison.

Projeções indicam que o custo desse desperdício ao longo da cadeia global de suprimentos pode alcançar US$ 540 bilhões em 2026, crescimento de 2,6% frente aos US$ 526 bilhões do ano anterior.

Além disso, os resultados do estudo mostram que, em média, no Brasil, os custos associados ao desperdício de alimentos equivalem a 32% da receita anual total na cadeia de suprimentos do varejo alimentício, desde a colheita até o ponto de venda.

A pesquisa, que ouviu 3.500 varejistas de alimentos e líderes da cadeia de suprimentos em todo o mundo, revela que, apesar do aumento da conscientização, 61% das empresas afirmam ainda não ter visibilidade total sobre onde ocorre o desperdício em suas operações.

Assim, a limitada capacidade de influenciar os pontos da cadeia com maiores níveis de perda é um desafio recorrente, o que reforça a necessidade urgente de inovação direcionada e colaboração entre os diferentes elos da cadeia.

Alimentos mais desperdiçados

Os dados mostram que os líderes enfrentam desafios constantes em diferentes pontos da cadeia, especialmente no segmento de produtos perecíveis. Quando questionados sobre as três categorias mais difíceis de gerenciar em termos de desperdício, o resultado foi o seguinte:

  • 50% apontaram as carnes;
  • 45% frutas e verduras; e
  • 28% produtos de panificação.

Mais da metade (51%) dos líderes empresariais indicou que a gestão de estoque e o excesso de inventário contribuem significativamente para o desperdício dentro de suas operações.

O transporte surge como um fator comum entre as diferentes categorias de perecíveis:

  • 56% das empresas afirmam não ter uma compreensão clara de quanto desperdício ocorre durante o deslocamento dos produtos.

De acordo com o estudo da Avery Dennison, enfrentar esse desafio exige uma combinação de soluções que inclui visibilidade de inventário em nível de item, previsão de demanda e gestão de vida útil em tempo real.

Custo estimado até 2030

Se as tendências atuais se mantiverem, o custo acumulado do desperdício de alimentos entre 2025 e 2030 pode atingir US$ 3,4 trilhões, coincidindo com o prazo de 2030 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12.3 da ONU, que busca reduzir pela metade o desperdício global de alimentos. Apesar desse objetivo, o relatório revela que 27% dos líderes acreditam que não conseguirão atingir a meta dentro do prazo estabelecido.

Para o diretor de Marketing, Vendas e Comunicação para a América Latina da Avery Dennison, Flavio Marqués, o desperdício de alimentos já não deveria ser tratado como um custo inevitável do varejo.

Segundo ele, a combinação entre falta de visibilidade ao longo da cadeia de suprimentos e baixa adoção de inovações tem contribuído para perdas significativas — muitas vezes invisíveis — que impactam diretamente as margens das empresas.

“Para conseguir superar um desafio, especialmente tão impactante como esse, o primeiro passo é ter compreensão do problema. E essa se mostra a primeira dificuldade, uma vez que 61% dos líderes do varejo sequer têm conhecimento das adversidades, o que os impede de trabalhar para superá-las”, comenta.

Marqués aponta que no Brasil, o custo do desperdício de alimentos ao longo da cadeia de suprimentos impacta, em média, 32% da receita total das empresas no país, o que demonstra uma possibilidade relevante de crescimento de receita.

O desafio da carne

As entrevistas com os varejistas chegou à conclusão que as carnes se destacam como uma das categorias mais difíceis de gerenciar. No Brasil, cerca de 72% dos líderes da cadeia de suprimentos apontam essa categoria como o principal desafio.

Projeções econômicas independentes indicam que o desperdício de carnes pode representar US$ 94 bilhões em perdas na cadeia global em 2026, quase um quinto do impacto econômico total do ano, seguido por frutas, verduras e hortaliças, com US$ 88 bilhões.

Para os varejistas, a volatilidade econômica, a dificuldade de adaptação ágil às mudanças de mercado e o desafio de acompanhar as oscilações no comportamento do consumidor intensificam os problemas relacionados ao desperdício de alimentos.

Nesse cenário, 74% dos entrevistados afirmam que a inflação tornou mais difícil prever a demanda por carnes, enquanto 73% apontam um aumento na procura por porções menores ou alternativas à proteína animal.

Em outras palavras, o contexto atual vem redesenhando o perfil de consumo: os consumidores passaram a optar por quantidades reduzidas e/ou por fontes de proteína mais acessíveis ao orçamento familiar, movimento que impacta diretamente tanto a rentabilidade quanto os níveis de desperdício no varejo.

“Durante muito tempo, o desperdício de alimentos foi tratado quase exclusivamente como uma questão ambiental e social. Ele também envolve negócios e representa uma grande oportunidade, tanto globalmente como no Brasil. Os US$ 540 bilhões em valor perdido devem servir como um claro chamado à ação para que a cadeia de suprimentos do varejo alimentício reduza perdas e aumente a eficiência”, destaca Marqués.

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Trump ameaça Irã com prazo de 48 horas e pressiona por acordo no Estreito de Ormuz


Donald Trump
Foto: White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma declaração contundente neste sábado (4) em sua conta na Truth Social, elevando a tensão no cenário geopolítico do Oriente Médio. Ele afirmou que o prazo dado ao Irã para avançar em um acordo está perto do fim.

Segundo Trump, o acordo deveria viabilizar a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o fluxo global de petróleo. O presidente também elevou o tom ao sinalizar possíveis consequências caso não haja resposta dentro do prazo estipulado.

“Lembrem-se de quando eu dei ao Irã dez dias para fechar um acordo ou abrir o Estreito de Ormuz? O tempo está acabando: 48 horas antes que todo o inferno desate sobre eles. Glória a Deus!”, escreveu na publicação.

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do planeta, responsável por conectar o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. A via é estratégica para o transporte de petróleo e também de produtos agropecuários.

O presidente dos Estados Unidos deu uma declaração firme em seu perfil na Truth Social neste sábado, 4. Trump afirmou que o prazo dado ao Irã para avançar em um acordo que leve ao fim da guerra no Oriente Médio ou à reabertura do Estreito de Ormuz está perto do fim. O republicano também intensificou o tom ao mencionar consequências graves caso não haja resposta dentro de 48 horas.

“Lembrem-se de quando eu dei ao Irã dez dias para fechar um acordo ou abrir o Estreito de Ormuz? O tempo está acabando: 48 horas antes que todo o inferno desate sobre eles. Glória a Deus!”, escreveu Trump na rede social TruthSocial.

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Evento on-line debaterá o futuro do café brasileiro diante de desafios globais


Pixabay

A Embrapa realizará, no dia 7 de abril, das 10h às 12h, o debate on-line “Mercado brasileiro do café: perspectivas, desafios e oportunidades”, com transmissão gratuita pelo canal da instituição no YouTube. A iniciativa integra a série Debates em Socioeconomia, voltada à análise de tendências, gargalos e oportunidades nas principais cadeias do agronegócio.

Com papel estratégico no Brasil, o café será o centro das discussões. O país lidera a produção e exportação global da commodity e figura entre os maiores consumidores da bebida. Apesar da relevância, a cafeicultura enfrenta um cenário cada vez mais complexo, marcado por pressões climáticas, exigências ambientais mais rigorosas, barreiras comerciais e mudanças no perfil de consumo.

Segundo Job Lúcio Gomes Vieira, supervisor de Inteligência Estratégica, o objetivo do encontro é ampliar a compreensão sobre o mercado cafeeiro e apontar caminhos para o fortalecimento do setor. A proposta inclui destacar o papel da pesquisa agropecuária e da inovação diante dos desafios atuais e futuros.

O debate será estruturado em três eixos principais. O primeiro aborda o diagnóstico de mercado, com análise da evolução da produção global e do desempenho dos principais países produtores, exportadores e consumidores. A ideia é oferecer uma visão abrangente do ambiente de negócios no Brasil e no exterior.

O segundo eixo trata dos desafios e tendências, reunindo a perspectiva do setor privado sobre entraves, riscos e novas exigências internacionais. Entre os temas estão sustentabilidade, rastreabilidade, competitividade e adaptação às transformações regulatórias e de mercado.

Já o terceiro eixo foca em pesquisa e inovação, com discussão de estratégias e programas capazes de responder aos principais desafios da cafeicultura. Entre eles estão os impactos das mudanças climáticas, a modernização tecnológica e a crescente demanda por qualidade e transparência ao longo da cadeia produtiva.

A mesa contará com diferentes visões sobre o setor. A pesquisadora Rita de Cássia Milagres Teixeira Vieira, da Embrapa, deve trazer uma análise do mercado nacional e internacional. Marcos Mota, do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, apresentará a visão do setor privado, destacando tendências globais e desafios competitivos. Já Sílvio Farnese, da Ministério da Agricultura e Pecuária, contribuirá com a perspectiva governamental, com foco na articulação entre políticas públicas, ciência e produção.

A mediação será de Rodolfo Oliveira, da Embrapa Café, enquanto a coordenação ficará a cargo de Job Vieira e Pedro Abel Vieira.

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Projeto transforma resíduos de caranguejos e siris em fertilizantes


Cascos de caranguejo, siri e guaiamum descartados nos quintais (Foto: Semagri)

No Sergipe, uma iniciativa vem inovando a forma de fertilizar plantações para a agricultura familiar. Em parceria com a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), a Prefeitura de São Cristóvão implantou um projeto cuja os resíduos de siris e caranguejos são transformados em biofertilizantes para produtores rurais do município. O principal animal de onde são utilizados os resíduos, é o caranguejo uçá.

A diretora Aquicultura e Pesca da Prefeitura de São Cristóvão, vinculada à Secretaria Municipal de Agricultura, Aquicultura e Pesca (Semagri), comentou que a ideia surgiu através de um diagnóstico feito em comunidades pesqueiras da região, onde a retirada desses resíduos era feita de forma incorreta.

“Técnicos identificaram o descarte inadequado dos cascos de caranguejo, resíduo que, além de gerar impactos ambientais, poderia ser reaproveitado de forma produtiva”, disse Elaine de Jesus.

Execução

Para o chefe do escritório local da Emdagro em São Cristóvão, Renato Figueiredo, a iniciativa mostra como a extensão rural cria possibilidades na criação de soluções práticas e sustentáveis para desafios enfrentados nas comunidades, além de comentar sobre o procedimento de criação do fertilizante.

“O processo começa com a trituração dos cascos, que são transformados em farinha e posteriormente submetidos a um processo de fermentação biológica utilizando esterco bovino fresco”, detalhou o engenheiro agrônomo.

Renato ainda destacou que o diferencial dos fertilizantes criados está atrelado a sua composição, que é rica em diversos nutrientes, microrganismos benéficos e na presença de quitina, substância natural encontrada nos exoesqueletos de crustáceos.

O engenheiro explicou que durante a fermentação a substância é transformada em quitosana, composto que estimula as defesas das plantas, além de melhorar a absorção de nutrientes pelas lavouras e potencializar a resposta imunológica das culturas, o que diminui a necessidade do uso de insumos químicos.

Ainda de acordo com Renato, a aplicação é feita por pulverização e o tempo médio para preparo do fertilizante varia entre 30 a 60 dias.

Execução da iniciativa – (Foto: Semagri)

Os testes pilotos foram aplicados na propriedade de uma moradora da comunidade do povoado Tinharé, que destacou a importância da iniciativa.

“Coloquei minha propriedade à disposição dos demais moradores da comunidade, porque vi que essa iniciativa resolve dois problemas. Estamos aproveitando um resíduo abundante da atividade das marisqueiras para gerar um insumo agrícola de alto valor, que fortalece a agricultura familiar e promove a sustentabilidade”, contou Andréia.

Benefícios para a população

José Valmiro Alves dos Santos, representante da Associação do Povoado Tinharé ressaltou a importância do projeto para a saúde dos moradores locais.

“Para a comunidade, essa poluição não é benéfica, porque grande parte das cascas de mariscos acumula água, favorecendo a reprodução de mosquitos da dengue. Além disso, há uma grande quantidade de lixo nos quintais, com mau cheiro, e tudo isso prejudica a saúde”.

Para ele, o descarte regular desses resíduos e o auxílio a agricultores é a solução perfeita para o problema em questão.

Moradora da região com resíduos de crustáceos – (Foto: Semagri)

A iniciativa, além de resolver questões de limpeza das comunidades e ajudar o meio-ambiente, ainda fortalece a inclusão social integrando marisqueiras, pescadores e agricultores familiares, formando uma cadeia produtiva circular.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Soja impulsiona Goiás, que mantém expectativa de safra robusta para 2025/26


Reprodução Soja Brasil

A Expedição Soja Brasil chegou ao estado de Goiás e encontrou um cenário de crescimento consistente da cultura, mesmo diante dos desafios climáticos registrados ao longo do ciclo. Segundo maior produtor nacional na safra 2024/25, o estado segue ampliando sua relevância no mapa agrícola brasileiro, com projeções positivas para mais uma temporada de grande produção.

Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que Goiás já ultrapassa 5 milhões de hectares cultivados nesta safra. No ciclo anterior, a produção superou 20 milhões de toneladas, consolidando a força da oleaginosa na região. Para a temporada atual, a expectativa é de um desempenho semelhante, ainda que fatores pontuais possam influenciar o resultado final.

O plantio começou com atraso das chuvas e foi seguido por períodos de veranico em algumas regiões, segundo o presidente da Aprosoja no estado, Clodoaldo Calegari. “O cenário climático trouxe desafios ao longo do ciclo. Ainda assim, podemos chegar a um número próximo ao do ano passado. As avaliações realizadas durante a expedição apontam para uma produção dentro da normalidade, considerando a área plantada”, afirma.

A equipe conheceu Gonzaga Afonso, produtor que simboliza uma nova fase da expansão agrícola no estado. Após anos cultivando cerca de 100 hectares com o pai em Rio Verde, ele decidiu investir em uma nova área de 160 hectares em Quirinópolis, município que vem ganhando espaço na produção de soja.

Na primeira safra na nova região, a expectativa é positiva. Com condições climáticas favoráveis, Afonso projeta produtividade de pelo menos 65 sacas por hectare. Segundo ele, fatores como solos férteis e boa adaptação das variedades foram determinantes para a decisão de expandir a produção.

Apesar do potencial, os desafios são evidentes. Áreas de primeiro ano exigem correção de solo, manejo técnico mais intenso e investimentos contínuos até atingir um teto produtivo mais elevado. Além disso, a variabilidade do solo na propriedade, com trechos mais argilosos e outros mais mistos, demanda estratégias diferentes em relação à realidade anterior em Rio Verde.

Mesmo diante dessas dificuldades, a aposta segue firme. Gonzaga avalia que Quirinópolis tem potencial para se consolidar como uma nova fronteira produtiva dentro de Goiás. Embora a região ainda tenha forte presença da cana-de-açúcar, o avanço da soja sinaliza um movimento de diversificação e crescimento que tende a ganhar força nos próximos anos.

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Embrapa apresenta inovações e lançamentos na TecnoShow 2026


Divulgação Embrapa

Durante a TecnoShow Comigo 2026, que será realizada de 6 a 10 de abril, em Rio Verde (GO), a Embrapa apresentará uma série de tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva no campo. As soluções contemplam culturas como arroz, feijão, soja e trigo, além de sistemas integrados de produção e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc Níveis de Manejo).

A solenidade de lançamento das tecnologias será realizada no dia 7 de abril, com destaque para a nova cultivar de soja convencional BRS 579, desenvolvida pela Embrapa Soja em parceria com a Caramuru Alimentos. Também será lançado um curso online sobre manejo do capim-pé-de-galinha, disponível na plataforma e-Campo.

A BRS 579 apresenta alto potencial produtivo e é indicada para regiões do Centro-Oeste e norte de Mato Grosso. Entre seus diferenciais estão a tolerância a herbicidas do grupo das sulfonilureias e resistência a importantes nematoides, o que contribui para o manejo de plantas daninhas e sanidade da lavoura.

Na Vitrine de Tecnologias, a Embrapa irá expor cultivares adaptadas a diferentes sistemas produtivos e perfis de produtores. Entre elas estão três variedades de soja, uma de trigo e três de arroz, além de tecnologias voltadas à mecanização.

Outro destaque é o avanço do Zarc Níveis de Manejo, que amplia o zoneamento agrícola ao considerar práticas de manejo do solo, aumentando a disponibilidade de água para as plantas. O projeto já começou a ser aplicado na safra 2025/26 e será apresentado com demonstrações práticas durante o evento.

A Embrapa também mostrará o chamado efeito “Poupa-Terra”, que evidencia o ganho de produtividade da soja ao longo das décadas. Com a evolução tecnológica, a produção atual ocupa uma área significativamente menor do que seria necessária no passado para atingir o mesmo volume.

Entre as inovações, também está o sistema Antecipasto, que integra lavoura e pecuária ao permitir a formação antecipada de pastagem, além de uma palestra sobre plantas daninhas quarentenárias e seus impactos no acesso ao mercado externo.

A participação da Embrapa na TecnoShow reforça o papel da pesquisa no avanço da agricultura brasileira, com foco em produtividade, sustentabilidade e gestão de riscos no campo.

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Páscoa: o chamado para cultivar o coração


cesta básica Páscoa
Foto: Pixabay

Muitas vezes, mergulhados na rotina das cidades ou na correria das safras, esquecemos que a Páscoa e a agricultura compartilham a mesma essência: a celebração da vida que renasce. Se olharmos com atenção para o campo, veremos que o trabalho do produtor rural é, na prática, um exercício diário de fé, paciência e resiliência, virtudes que estão no centro da tradição cristã.

Essa reflexão se torna ainda mais necessária no mundo atual. Vivemos um tempo marcado por tensões, vaidades e uma busca constante por poder e resultado, enquanto valores essenciais vão sendo deixados de lado.

Sem valores, não há colheita que se sustente

Para entender essa conexão, é preciso voltar à origem. As grandes festas bíblicas sempre estiveram ligadas aos ciclos agrícolas, e a Páscoa é um momento de passagem e renovação. No campo, sabemos que para a semente gerar fruto, ela precisa primeiro ser lançada à terra e, de certa forma, “morrer” em seu estado original. Através de sua crucificação e ressurreição, Jesus Cristo deixou uma mensagem que o mundo moderno parece esquecer: é possível recomeçar sem ódio ou rancor, pautando-se apenas no perdão e na compaixão.

Não há colheita sem plantio, nem transformação sem renúncia. E talvez o maior erro do nosso tempo seja tentar avançar sem rever valores.

Cristo ressuscitou sem ódio, e nós seguimos acumulando rancor

Do ponto de vista prático, a agricultura materializa os símbolos da fé cristã. O pão e o vinho, presentes na mesa de Páscoa, nascem do trabalho no campo, da combinação entre esforço humano e aquilo que foge ao nosso controle. Mas há algo além disso: o alimento que nutre o corpo deveria caminhar junto com aquilo que nutre o espírito, e é justamente essa conexão que estamos perdendo.

A Páscoa, portanto, não é apenas uma data, mas um chamado. Em um ambiente cada vez mais endurecido, somos convidados a fazer o que o agricultor faz: preparar o terreno. Arar o coração. Rever posturas, abrir espaço para o respeito, para a empatia e para a compreensão. Porque nenhuma sociedade se sustenta apenas com regras ou estruturas econômicas, ela depende, antes de tudo, de valores.

Estamos construindo um mundo eficiente, mas frio; conectado, mas distante; produtivo, mas muitas vezes vazio de sentido. A agricultura ensina que nada florece em solo endurecido, e o mesmo vale para as relações humanas.

O mundo pode até avançar na tecnologia, mas está atrasando no essencial

Nesta Páscoa, mais do que celebrar, é preciso refletir. Refletir sobre o exemplo de Cristo, que enfrentou a dor sem espalhar ódio e mostrou que a reconstrução passa pelo perdão. O campo nos ensina todos os dias que a vida recomeça, mas exige preparo, cuidado e intenção.

No fim, não é apenas a terra que precisa ser cultivada,  é o coração. E talvez seja exatamente isso que o mundo mais precisa agora.ntar. Quando a produção falha, o mercado se ajusta, e quem está pronto ocupa espaço.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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