Projeto transforma resíduos de caranguejos e siris em fertilizantes

No Sergipe, uma iniciativa vem inovando a forma de fertilizar plantações para a agricultura familiar. Em parceria com a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), a Prefeitura de São Cristóvão implantou um projeto cuja os resíduos de siris e caranguejos são transformados em biofertilizantes para produtores rurais do município. O principal animal de onde são utilizados os resíduos, é o caranguejo uçá.
A diretora Aquicultura e Pesca da Prefeitura de São Cristóvão, vinculada à Secretaria Municipal de Agricultura, Aquicultura e Pesca (Semagri), comentou que a ideia surgiu através de um diagnóstico feito em comunidades pesqueiras da região, onde a retirada desses resíduos era feita de forma incorreta.
“Técnicos identificaram o descarte inadequado dos cascos de caranguejo, resíduo que, além de gerar impactos ambientais, poderia ser reaproveitado de forma produtiva”, disse Elaine de Jesus.
Execução
Para o chefe do escritório local da Emdagro em São Cristóvão, Renato Figueiredo, a iniciativa mostra como a extensão rural cria possibilidades na criação de soluções práticas e sustentáveis para desafios enfrentados nas comunidades, além de comentar sobre o procedimento de criação do fertilizante.
“O processo começa com a trituração dos cascos, que são transformados em farinha e posteriormente submetidos a um processo de fermentação biológica utilizando esterco bovino fresco”, detalhou o engenheiro agrônomo.
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Renato ainda destacou que o diferencial dos fertilizantes criados está atrelado a sua composição, que é rica em diversos nutrientes, microrganismos benéficos e na presença de quitina, substância natural encontrada nos exoesqueletos de crustáceos.
O engenheiro explicou que durante a fermentação a substância é transformada em quitosana, composto que estimula as defesas das plantas, além de melhorar a absorção de nutrientes pelas lavouras e potencializar a resposta imunológica das culturas, o que diminui a necessidade do uso de insumos químicos.
Ainda de acordo com Renato, a aplicação é feita por pulverização e o tempo médio para preparo do fertilizante varia entre 30 a 60 dias.

Os testes pilotos foram aplicados na propriedade de uma moradora da comunidade do povoado Tinharé, que destacou a importância da iniciativa.
“Coloquei minha propriedade à disposição dos demais moradores da comunidade, porque vi que essa iniciativa resolve dois problemas. Estamos aproveitando um resíduo abundante da atividade das marisqueiras para gerar um insumo agrícola de alto valor, que fortalece a agricultura familiar e promove a sustentabilidade”, contou Andréia.
Benefícios para a população
José Valmiro Alves dos Santos, representante da Associação do Povoado Tinharé ressaltou a importância do projeto para a saúde dos moradores locais.
“Para a comunidade, essa poluição não é benéfica, porque grande parte das cascas de mariscos acumula água, favorecendo a reprodução de mosquitos da dengue. Além disso, há uma grande quantidade de lixo nos quintais, com mau cheiro, e tudo isso prejudica a saúde”.
Para ele, o descarte regular desses resíduos e o auxílio a agricultores é a solução perfeita para o problema em questão.

A iniciativa, além de resolver questões de limpeza das comunidades e ajudar o meio-ambiente, ainda fortalece a inclusão social integrando marisqueiras, pescadores e agricultores familiares, formando uma cadeia produtiva circular.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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