quarta-feira, março 18, 2026

Autor: Redação

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Exportações do agro paulista somam US$ 26 bilhões entre janeiro e novembro


Porto de Santos
Foto: Divulgação APS

As exportações do agronegócio de São Paulo somaram US$ 26,35 bilhões nos onze primeiros meses de 2025. No período, as importações alcançaram US$ 5,28 bilhões, resultando em um superávit de US$ 21,07 bilhões. O setor respondeu por 40,6% de tudo o que o estado vendeu ao exterior e por 6,6% das compras internacionais paulistas.

Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Guilherme Piai, o resultado reflete a atuação dos produtores e o ambiente regulatório do estado. Segundo ele, a expectativa para o fechamento da balança de 2025 permanece positiva.

Principais grupos exportados

O complexo sucroalcooleiro permaneceu como o maior componente das vendas externas, com US$ 8,2 bilhões, equivalentes a 31,3% do total exportado pelo agro paulista. O açúcar respondeu por 93% desse valor, enquanto o etanol representou 7%.

As carnes ocuparam a segunda posição, com US$ 4 bilhões e participação de 15,2%, sendo a carne bovina responsável por 85,1% da receita do grupo. Em seguida, os produtos florestais somaram US$ 2,7 bilhões (10,5%), impulsionados por celulose e papel.

Os sucos registraram US$ 2,6 bilhões (9,9%), quase totalmente vinculados ao suco de laranja (97,8%). O complexo soja somou US$ 2,2 bilhões (8,6%), com destaque para a soja em grão, que respondeu por 78,3% das vendas. O café ficou na sexta posição, com US$ 1,6 bilhão (6,2%).

As variações em relação a 2024 mostraram avanços em café (+39,2%), carnes (+24,1%) e complexo soja (+1,3%), enquanto sucroalcooleiro, produtos florestais e sucos registraram recuos.

Destinos e efeitos das tarifas

A China manteve a liderança entre os compradores, com 24,4% de participação e demanda puxada por soja, carnes, açúcar e produtos florestais. A União Europeia representou 14,3% e os Estados Unidos, 11,8%.

As tarifas impostas pelos EUA a partir de agosto reduziram as exportações paulistas ao país, com quedas sucessivas entre agosto e novembro. Segundo Carlos Nabil, diretor da Apta, parte dessas perdas foi compensada por embarques para China, México, Canadá, Argentina e União Europeia.

Ele afirma que a retirada das tarifas anunciada em 20 de novembro pode reequilibrar o fluxo de vendas, ainda que a normalização dos contratos leve alguns meses.

Participação no agro nacional

O agronegócio paulista respondeu por 17% das exportações do setor no Brasil entre janeiro e outubro, ocupando a segunda posição no ranking nacional, atrás de Mato Grosso (17,3%). Para 2026, Nabil avalia que o desempenho dependerá das condições das principais cadeias produtivas e das projeções de cada safra.

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Conab projeta crescimento de produção na safra de grãos do Brasil em relação ao ano passado


Máquina colhe soja no oeste da Bahia
Colheita da soja no oeste da Bahia. Foto: Jefferson Aleffe/Marca Comunicação

A produção brasileira de grãos na safra 2025/26 está estimada em 354,392 milhões de toneladas, ligeiro aumento de 0,6% em relação ao ciclo 2024/25. O resultado combina a expansão de 3% na área cultivada, que passa de 81,7 milhões para 84,2 milhões de hectares, com a queda na produtividade média nacional das lavouras, de 4.310 para 4.210 quilos por hectare, conforme o terceiro levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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Na soja, principal cultura da primeira safra, o plantio alcança 90,3% da área prevista. Em Mato Grosso, maior produtor do país, a semeadura está finalizada. Após um início de novembro marcado pela irregularidade das chuvas no Centro-Oeste, Norte, Nordeste e em Minas Gerais, as precipitações se normalizaram ao longo do mês, permitindo avanço dos trabalhos. A Conab estima área de 48,9 milhões de hectares e produção de 177,1 milhões de toneladas, crescimento de 3,3% e possível novo recorde.

Arroz

O arroz, outra cultura de grande importância na primeira safra, deve registrar produção de 11,2 milhões de toneladas, retração de 12,4% diante da menor área cultivada, estimada em 1,62 milhão de hectares. No Rio Grande do Sul, principal produtor nacional, a semeadura está em 98% da área, enquanto em Santa Catarina já foi concluída.

Feijão

A produção total de feijão, considerando as três safras, deve ficar em torno de 3 milhões de toneladas, volume semelhante ao do ciclo anterior e suficiente para suprir o mercado interno. O plantio da primeira safra está concluído no Paraná e em São Paulo, enquanto avança em Minas Gerais, com 93,8%, e na Bahia, com 67%.

Milho

Para o milho, a produção somada das três safras está estimada em 138,9 milhões de toneladas, queda de 1,5% em comparação ao ciclo passado. No primeiro plantio, 71,3% dos 4 milhões de hectares destinados ao cereal já foram semeados, com produção prevista de 25,9 milhões de toneladas, alta de 3,9%. Entre as culturas de inverno, a colheita da safra 2025 caminha para o fim. O trigo, com 98% da área colhida, tem estimativa de 8 milhões de toneladas, crescimento de 0,9% diante do predomínio de condições climáticas favoráveis.

Conab

No mercado, a Conab manteve praticamente estáveis as projeções do quadro de suprimentos da safra 2024/25, com pequenos ajustes conforme a atualização das condições de produção e comercialização. A estimativa de exportações foi elevada em 313 mil toneladas, chegando a 106,97 milhões de toneladas previstas até o final de 2025. Segundo dados do MDIC, de janeiro a novembro o país exportou 104,79 milhões de toneladas de soja em grãos, recorde histórico, gerando receita de 42 bilhões de dólares.

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China pede que ‘práticas protecionistas’ do México sejam revistas


China
Foto: Freepik

O Ministério do Comércio da China apelou ao México que corrija “práticas unilaterais e protecionistas” o mais rápido possível, afirmando que aumentos tarifários anunciados pelo país latino-americano prejudicam os interesses chineses.

Embora as tarifas aprovadas pelo Congresso mexicano na quarta-feira (10) tenham sido reduzidas em relação ao anúncio inicial, elas ainda ferem os interesses nacionais da China, disse o ministério em seu site nesta quinta-feira (11).

A China prosseguirá com a investigação sobre barreiras comerciais e de investimento do México, aberta em setembro, após o governo mexicano anunciar planos de elevar tarifas sobre importações de bens de países sem acordo de livre-comércio com o México.

A proposta inicial, voltada a fortalecer indústrias locais e substituir importações da Ásia, afetava cerca de US$ 52 bilhões em compras, informou à época o Ministério da Economia mexicano.

“Esses produtos já tinham tarifa…o que faremos é elevá-la até o teto permitido pela Organização Mundial do Comércio”, disse o ministro da Economia, Marcelo Ebrard.

Os investimentos chineses no México cresceram nos últimos anos, ampliando o comércio bilateral. Mas a enxurrada de exportações chinesas também ameaça a virada do México para a manufatura de alto valor agregado, e aumenta a pressão da administração Trump por uma postura comercial mais dura.

Pequim já havia advertido o México a reconsiderar os aumentos e feito ameaça de retaliação. Segundo o ministério chinês, os reajustes podem até atender à próxima revisão do acordo EUA-México-Canadá (USMCA), mas nenhum pacto deve vir às custas do comércio global ou lesar interesses legítimos da China.

Nesta semana, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o USMCA poderá ganhar nova configuração após ser renegociado em 2026.

A pasta chinesa disse valorizar os laços com o México e esperar que o país trabalhe com Pequim para resolver diferenças e aprofundar a cooperação. “Esperamos que o México leve essas preocupações a sério e proceda com cautela”, acrescentou.

O México tem acordos de livre-comércio com mais de 50 países, incluindo o Japão. Entre aqueles com os quais não tem acordo, a China desponta como um dos maiores exportadores. Outros destaques são Coreia do Sul e Índia. 

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AgroNewsPolítica & Agro

Ciclone deixa 2 milhões sem energia em São Paulo


De acordo com informações da Agência Brasil, parte do estado de São Paulo teve o fornecimento de energia interrompido após a passagem de um ciclone extratropical desde terça-feira (9). A Enel informou que 2.052.401 clientes na Região Metropolitana de São Paulo foram afetados.

Segundo a concessionária, “por causa dos ventos, em alguns pontos a rede elétrica é atingida por objetos e galhos, o que prejudica o fornecimento, além da queda de árvores”. A empresa destacou que, em São Paulo, a velocidade dos ventos alcançou 96,3 km/h, conforme dados da Defesa Civil. Segundo a Agência Brasil, o Corpo de Bombeiros registrou 514 chamados para queda de árvores na manhã desta quarta-feira (10). A distribuidora afirmou ter mobilizado 1,3 mil equipes para restabelecer o fornecimento nas áreas atendidas.

A Defesa Civil do Estado emitiu alerta para fortes rajadas de vento no fim da manhã desta quarta. Em comunicado nas redes sociais, o órgão ressaltou: “Ontem [terça-feira] o destaque foi para fortes chuvas. Hoje [quarta-feira] o destaque é para as fortes rajadas de vento que atingem todo o estado de São Paulo”. Os avisos vêm sendo reiterados desde o início da semana, quando o ciclone extratropical avançou pela região.

Segundo a Agência Brasil, a Defesa Civil registrou quedas de árvores em diversos municípios, entre eles Vera Cruz, Guareí, Ribeirão Bonito, Caieiras, Ferraz de Vasconcelos, Araçatuba, Matão, Redenção da Serra, Vargem Grande Paulista, Fernandópolis, Osasco, Guaratinguetá, Botucatu, Santa Cruz do Rio Pardo, Elisiário, Ibaté, Biritiba, Guapiara, Oscar Bressane e Barra Bonita. O Instituto Butantan informou o fechamento do Parque de Ciência devido às rajadas de vento registradas nesta quarta-feira.





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Para manter crescimento, China deve manter estímulos fiscais fortes em 2026, indica governo


xi jinping - presidente da china - World Economic Forum - Pascal Bitz - Divulgação
Xi Jinping, presidente da China | Foto: World Economic Forum/Pascal Bitz/ Divulgação

A China sinalizou que, em 2026, deve depender de maneira forte e contínua de estímulos fiscais para sustentar o ritmo de crescimento econômico. A orientação foi divulgada após a Conferência Central de Trabalho Econômico, encontro anual que define as diretrizes macroeconômicas do país. Segundo Pequim, manter um déficit orçamentário “necessário” e altos níveis de gasto público será fundamental diante da desaceleração da demanda interna e das crescentes tensões comerciais no cenário global.

O governo chinês pretende aprofundar ajustes anticíclicos, mantendo o déficit próximo ao patamar recorde de 4% do PIB e ampliando a emissão de dívida. A estratégia fiscal será acompanhada de medidas para estimular o consumo das famílias e acelerar o desenvolvimento de setores considerados estratégicos, especialmente aqueles ligados à inovação tecnológica. No campo monetário, autoridades reforçaram que seguirão utilizando instrumentos flexíveis, como cortes no compulsório e possíveis reduções adicionais de juros, para sustentar a atividade econômica.

Mesmo com sinais de resiliência ao longo de 2025, impulsionada pela diversificação das exportações em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos, a China enfrenta limitações estruturais. O modelo baseado em forte produção industrial e superávits comerciais elevados tem ampliado pressões internacionais, levando parceiros a exigir maior contribuição do país para o equilíbrio da demanda global.

Diante desse quadro, Pequim reconhece que será necessário fortalecer o mercado doméstico, reduzir desequilíbrios e avançar em um crescimento mais sustentável. A promessa de estímulos robustos em 2026 indica que o governo continua disposto a sustentar a economia, mesmo ao custo de maior endividamento público.

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Exportações de suínos têm maior queda mensal desde 2015


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Foto: Sistema Faep

Dados da Secex analisados pelo Cepea mostram que as exportações brasileiras de carne suína caíram 26,3% de outubro para novembro, a maior queda mensal desde dezembro de 2015, quando a retração foi de 28,5%.

os embarques da proteína totalizaram 105,2 mil toneladas no mês passado, o menor volume desde janeiro deste ano, ficando abaixo também da quantidade de novembro/24, de 111,5 mil toneladas.

Já no acumulado de 2025 (até novembro), o total exportado supera o de 2024 inteiro, somando 1,35 milhão de toneladas, ante 1,33 milhão de toneladas do ano passado.

Quanto aos abates, dados do IBGE analisados pelo Cepea indicam que o volume de suínos abatido no terceiro trimestre deste ano foi o maior da história, com quase 1,5 bilhão de quilos produzidos entre julho e setembro em todo o País.

Em comparação com o trimestre anterior, houve crescimento de 5,3%, e, frente a igual intervalo do ano passado, de 6,1%. Analistas do Cepea ressaltam que, historicamente, o terceiro trimestre é o pico de produção do ano, enquanto o quarto, o menor.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

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Oferta restrita mantém preços do boi firmes


Sistema de rastreabilidade cruza informações ambientais e sanitárias para garantir a legalidade na cadeia da carne bovina (Foto: Reprodução).
Sistema de rastreabilidade cruza informações ambientais e sanitárias para garantir a legalidade na cadeia da carne bovina (Foto: Reprodução).

Em novembro, a disponibilidade interna de carne bovina ficou próxima de 517 mil toneladas, o menor volume na série histórica desde março/23. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

As projeções para dezembro indicam manutenção desse cenário de oferta restrita. Segundo o instituto, a quantidade ofertada ao mercado doméstico neste período de maior consumo tem mantido as cotações firmes.

Os preços da arroba e da carne no atacado atravessaram novembro em alta moderada e iniciam dezembro sustentados, refletindo a necessidade da indústria em complementar suas escalas com animais adquiridos no spot.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

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AgroNewsPolítica & Agro

Superior Tribunal de Justiça restringe direito de preferência em arrendamentos rurais


Decisão da Terceira Turma afirma que apenas o arrendatário que exerce atividade rural pessoal e diretamente é que possui assegurado o direito de preferência na compra do imóvel, reforçando a importância de contratos bem elaborados no setor

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou, em recente julgamento do Recurso Especial n.º 2.140.209/SP, entendimento com grande impacto nas relações contratuais agrárias no país, especialmente, no tocante aos contratos de arrendamento rural. Segundo a decisão, o arrendatário que não possui perfil de homem do campo, ou seja, que não exerce pessoal e diretamente a atividade rural, não tem direito de preferência na aquisição do imóvel.

Ao relatar o caso, o ministro responsável destacou que o STJ já havia reconhecido, em decisões anteriores, que a mera existência de um contrato de arrendamento não garante automaticamente o direito de preferência ao arrendatário. O advogado da HBS Advogados, Roberto Bastos Ghigino, esclarece que, de acordo com o voto, o Estatuto da Terra condiciona esse benefício à figura do trabalhador rural que efetivamente cultiva a terra e cumpre sua função social. “Ainda, segundo o relator, a regulamentação do Estatuto reforça essa interpretação ao atribuir seus benefícios apenas aos que exploram a atividade rural de maneira pessoal, direta e eficiente. Nessa linha, o relator concluiu que, na ausência do direito de preferência, deve prevalecer a livre concorrência entre interessados, ficando o imóvel com quem apresentar a melhor proposta financeira”, detalha.

A decisão, embora não tenha caráter vinculante, acende um alerta no setor. Especialistas ressaltam que o posicionamento pode sinalizar uma tendência de restringir a aplicação das normas cogentes do direito agrário apenas aos produtores considerados hipossuficientes, aqueles que trabalham diretamente a terra, deixando de lado a ideia central do Estatuto da Terra, que é garantir a continuidade da exploração agrícola, a função social da propriedade e, em última instância, a segurança alimentar.

Nesse cenário, Ghigino alerta que “cresce a importância de contratos bem redigidos para assegurar direitos e evitar controvérsias. No próprio caso analisado pelo STJ, o desfecho poderia ser diferente caso o contrato de arrendamento previsse expressamente o direito de preferência do arrendatário, independentemente da aplicação das regras do Estatuto”, refere. A recomendação vale também para outros direitos previstos na legislação agrária, como o de retenção por benfeitorias e o de renovação automática do contrato, que podem ser reforçados por cláusulas contratuais claras e específicas.





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O Brasil sem rumo: poderes em guerra e um país à beira da estagnação


Foto: Agência Brasil

O Brasil vive hoje um desequilíbrio institucional que combina tensão, desconfiança e competição aberta entre os poderes. O Executivo governa sob a lógica eleitoral de 2026, mais preocupado com fidelizar sua base social do que com reformas estruturais. Enquanto, o Legislativo reage ampliando privilégios, aprovando medidas de impacto fiscal elevado e blindagens políticas para sobreviver à própria impopularidade. E o Judiciário, percebendo o vácuo de autoridade, avança sobre pautas que antes pertenciam à arena política, assumindo papel de árbitro permanente, e por vezes protagonista.

O resultado é um sistema em que cada poder atua por instinto de sobrevivência, e não por compromisso com um projeto nacional. Não há prioridade comum, coordenação ou visão de futuro. Há apenas movimentos táticos, decisões improvisadas e disputas de território político. Num ambiente assim, qualquer política pública se torna refém do conflito.

A mediocridade como método e a ausência de projeto

A crise não é ideológica. É estratégica. O Brasil não discute produtividade, inovação, educação, infraestrutura, reforma administrativa ou competitividade global. Não se discute sequer como preparar o país para um mundo dominado por tecnologia, transição energética e disputa geopolítica entre grandes potências.

A agenda nacional está sequestrada por:

  • Manobras regimentais,
  • Pautas de blindagem,
  • Trocas fisiológicas,
  • Batalhas entre partidos e corporações,
  • Narrativas eleitorais vazias.

Enquanto Brasília gira em torno de si mesma, o país real, pobre, desigual, com serviços públicos colapsados, segue sem direção, sem liderança e sem horizonte. O problema não é apenas moral. É econômico. Um país sem projeto não cresce.

Impactos econômicos imediatos: o risco real de fuga de capitais

Mercados não convivem bem com o improviso. A disputa permanente entre os Poderes cria o pior cenário possível para quem investe:

  • Incerteza sobre regras,
  • Imprevisibilidade sobre decisões,
  • Falta de coordenação entre instituições,
  • Sinais contraditórios sobre política fiscal e monetária.

Investidores, domésticos e internacionais, observam que o Brasil está preso em um ciclo de autopreservação política, sem reformas, sem clareza e sem estabilidade.

O efeito é direto:

  • Empresas adiam decisões de expansão.
  • Projetos estratégicos são congelados.
  • Fundos reduzem exposição ao risco Brasil.
  • Investidores estrangeiros preferem esperar, ou sair.

E em países emergentes, a saída de capitais acontece de forma súbita.
Basta um gatilho político, um conflito entre Poderes, uma decisão judicial controversa, uma ruptura fiscal, para desencadear fuga em massa.

O resultado é conhecido:

  • Câmbio dispara,
  • Juros sobem,
  • Crédito encarece,
  • Inflação pressiona,

Toda economia produtiva é penalizada, incluindo o agro, que sente imediatamente a pressão sobre os custos e a desvalorização de receitas.

Nenhum país cresce com poderes em guerra. E nenhum investidor permanece onde o próprio Estado parece caminhar sem rumo.

O país tem potencial extraordinário: energia barata, agro competitivo, matriz limpa, recursos naturais únicos, população empreendedora. Mas falta o essencial: projeto nacional, liderança estável e coordenação mínima entre os poderes. Enquanto Brasília trava guerras internas, o Brasil real,o que produz, trabalha e investe, fica à deriva.

Se o país não recuperar previsibilidade institucional, pode perder mais do que o futuro.
Pode perder o presente: crescimento, empregos, investimentos e até a confiança que ainda resta. E sem confiança, nenhum país se sustenta.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Setores da economia criticam manutenção da Taxa Selic pelo Banco Central


juros câmbio
Foto: Agência Senado

A manutenção da Taxa Selic, juros básicos da economia, em 15% ao ano recebeu críticas do setor produtivo. Apesar de a decisão ter sido amplamente esperada pelo mercado, entidades empresariais e sindicais veem na postura do Banco Central (BC) um entrave ao crescimento econômico num cenário de inflação em queda, desaceleração da economia e perda de fôlego do mercado de trabalho.

CNI: decisão ignora desaceleração

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que o BC desconsiderou “evidências robustas” de que a economia já permitiria iniciar um ciclo de redução da Selic. O presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que a manutenção dos juros “é excessiva e prejudicial”, intensificando a perda de ritmo da atividade, encarecendo o crédito e inibindo investimentos. Para ele, há espaço para um ajuste gradual sem comprometer a convergência da inflação para a meta.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) recebeu com preocupação a manutenção dos juros em níveis altos. Em comunicado, o presidente da CBIC, Renato Correia, afirma que a continuidade do crescimento do setor em 2026 depende da queda dos juros o mais rápido possível.

Comércio

O economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Felipe Queiroz, considerou que o BC mantém uma política desconectada da conjuntura nacional e internacional. Ele lembrou que países como os Estados Unidos iniciaram cortes enquanto o Brasil conserva uma das maiores taxas reais do mundo. Segundo Queiroz, a postura atual “prejudica investimentos, consumo e agrava entraves estruturais”, além de dificultar a condução da política fiscal.

Em tom mais moderado, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) avaliou que a manutenção era esperada e reflete um ambiente ainda delicado. Para o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, a inflação e as expectativas continuam acima da meta, e o contexto inclui expansão fiscal, resiliência do mercado de trabalho e incertezas internacionais. Ele afirmou que o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) será decisivo para entender a sinalização dos próximos passos.

Centrais sindicais

Em nota, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou a decisão como um “descumprimento das necessidades da população e do setor produtivo”. A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT) e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, disse que a Selic elevada desvia recursos do investimento produtivo para o “rentismo”. Economistas ligados à central afirmam que a inflação está controlada e que o aperto monetário já provoca queda no consumo, desaceleração do PIB e perda de dinamismo no mercado de trabalho.

A Força Sindical criticou de forma contundente a decisão, classificando-a como “vergonha nacional”. Para o presidente da entidade, Miguel Torres, o Copom favorece especuladores e estrangula a economia ao insistir em juros elevados. Ele afirma que a política atual prejudica campanhas salariais, limita o consumo e impõe obstáculos ao desenvolvimento. “Estamos vivendo a era dos juros extorsivos”, afirmou em comunicado.

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