Trigo sobe em Chicago, mas negócios continuam travados no Sul do Brasil
O preço do trigo avançou na Bolsa de Chicago na semana encerrada em 20 de agosto, mas o mercado brasileiro continua com pouca movimentação e valores estáveis nas principais regiões produtoras. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, CEEMA, o primeiro vencimento fechou em US$ 6,82 por bushel, maior cotação em 19 dias úteis.
Uma semana antes, o cereal era negociado a US$ 6,52 por bushel em Chicago. O avanço ocorre em um momento de progresso da colheita norte-americana. De acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, CEEMA, a colheita do trigo de inverno nos Estados Unidos alcançou 96% da área em 16 de agosto, acima da média de 94%. No trigo de primavera, os trabalhos chegaram a 41%, frente à média de 34%.
No mercado brasileiro, o movimento de alta observado no exterior ainda não provocou mudanças importantes nos preços. A saca permaneceu em R$ 70 no Rio Grande do Sul e em R$ 75 no Paraná. O plantio da atual safra brasileira já foi concluído. De acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, CEEMA, com base em informações da Conab, as lavouras encontram-se em diferentes estágios de desenvolvimento e a colheita nacional havia alcançado 4,7% da área cultivada até 11 de agosto.
O avanço dos trabalhos varia entre os estados. Goiás já havia colhido 70% da área, Minas Gerais 35%, Mato Grosso do Sul 10% e São Paulo 5%. No Rio Grande do Sul, a colheita ainda está distante, enquanto no Paraná está prevista para começar em setembro, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, CEEMA. No Paraná, quase todas as lavouras foram classificadas como boas devido às condições favoráveis ao desenvolvimento. Algumas regiões, entretanto, apresentam plantas amareladas por excesso de umidade no solo. Também houve relatos de ventos fortes e acamamento pontual.
A produção brasileira de trigo está estimada em 5,8 milhões de toneladas. O volume consta no relatório mais recente da Conab citado pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, CEEMA. Mesmo com a alta externa, o mercado físico do Sul do país apresenta baixa liquidez. No Rio Grande do Sul, vendedores pedem R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto os compradores indicam até R$ 1.320 por tonelada.
A cobertura dos moinhos gaúchos chega aproximadamente até 20 de setembro, em um cenário de baixa moagem e margens pressionadas pela relação entre os preços do trigo e da farinha. Para a nova safra, cerca de 60 mil toneladas haviam sido comercializadas.
Em Santa Catarina, a falta de oferta de trigo local faz com que os moinhos sejam abastecidos principalmente por produto vindo de estados vizinhos. As referências para trigo pão estão entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada.
No Paraná, a redução da área plantada e o risco de chuvas excessivas durante fases importantes da cultura aumentam a preocupação com o abastecimento. De acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, CEEMA, com informações da TF Agronômica, os preços para a nova safra variam de R$ 1.450 por tonelada em setembro a R$ 1.400 em novembro. Mesmo assim, os negócios seguem travados.

