segunda-feira, agosto 17, 2026
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Brasil consolida papel estratégico no abastecimento de países árabes


Conflitos geopolíticos, mudanças climáticas, interrupções nas rotas marítimas e dependência de alimentos e insumos produzidos no exterior colocaram a segurança alimentar entre as prioridades estratégicas de governos em várias partes do mundo. Para os países árabes, que apresentam elevada dependência de importações de alimentos, o tema ganha importância ainda maior — e reforça o papel do Brasil como parceiro de longo prazo no abastecimento da região.

O assunto estará em debate no dia 25 de agosto, em São Paulo, durante a quinta edição do Fórum Econômico Brasil & Países Árabes, evento promovido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB). Ali Zoghbi, vice-presidente da FAMBRAS Halal Certificadora, será um dos participantes do painel “Segurança alimentar, agronegócio & resiliência de fertilizantes”, que acontecerá das 12h10 às 13h30.

A segurança alimentar tornou-se questão estratégica no Oriente Médio e Norte da África. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), crescimento populacional, recursos naturais limitados, elevada dependência das importações e exposição a choques nos mercados globais estão entre os fatores que aumentam a vulnerabilidade dos sistemas alimentares da região. Em alguns países do Golfo, a dependência de alimentos importados supera 90%.

Um exemplo é a Arábia Saudita. Um relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado em julho de 2026, estima que aproximadamente 80% das necessidades alimentares do país sejam atendidas por importações, em razão, entre outros fatores, da disponibilidade limitada de água e de terras agricultáveis. Em 2025, o país importou mais de US$ 33 bilhões em alimentos e produtos agrícolas.

Nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição estratégica. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), organizados pela Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, em 2025, o país exportou US$ 21,34 bilhões para os 22 países árabes, dos quais US$ 15,91 bilhões — 72,5% do total — vieram da agricultura e da pecuária. Açúcar, carne de frango, milho e carne bovina estiveram entre os principais produtos vendidos à região.

A relação permanece relevante mesmo em períodos de instabilidade. Nos quatro primeiros meses de 2026, as exportações brasileiras aos países árabes alcançaram US$ 6,41 bilhões, crescimento de 2,9% em relação ao mesmo período de 2025, apesar das tensões que afetaram rotas comerciais na região do Golfo.

Para Ali Zoghbi, vice-presidente da FAMBRAS Halal Certificadora falar em segurança alimentar hoje exige olhar para toda a cadeia, da produção ao consumidor. “Segurança alimentar não significa apenas ter alimento disponível. Significa assegurar produção, fornecimento contínuo, qualidade, rastreabilidade, logística eficiente e capacidade de manter o abastecimento mesmo diante de crises. Brasil e países árabes construíram ao longo de décadas uma relação de confiança que ganha ainda mais valor num cenário internacional marcado por incertezas”, afirma.

Halal como parte da segurança do abastecimento – Nesse relacionamento, o Halal brasileiro tem papel particularmente importante. O Brasil é o maior exportador de alimentos Halal do mundo, com destaque para a proteína bovina e de frango. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita como parceiros tradicionais do Brasil nesse mercado.

Os números dão dimensão dessa relação. Falando apenas em frango Halal, de acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em 2025 os Emirados Árabes Unidos se tornaram o principal destino das exportações brasileiras de carne de frango, com 479,9 mil toneladas, enquanto a Arábia Saudita ocupou a terceira posição, com 397,2 mil toneladas. As compras dos dois países cresceram, respectivamente, 5,5% e 7,1% em relação a 2024.

E o que sustenta tudo isso não se trata apenas da capacidade de produção, mas da confiança do sistema de certificação Halal do Brasil. “Mais do que atender a uma exigência religiosa dos consumidores muçulmanos, a cadeia Halal envolve procedimentos de controle, rastreabilidade, requisitos sanitários e acompanhamento do processo produtivo”, reforça Zoghbi. “Para países que dependem da importação de alimentos, previsibilidade, conformidade e confiança no fornecedor tornam-se componentes relevantes da segurança do abastecimento”.

Em resumo, quando um país importador recebe um alimento Halal com certificação brasileira, existe por trás dele uma cadeia estruturada, com padrões definidos e rastreabilidade. “O Brasil desenvolveu experiência e escala nesse segmento e pode contribuir não apenas como fornecedor de alimentos, mas como parceiro na construção de cadeias cada vez mais resilientes e seguras”, destaca Zoghbi.Serviço

5º Fórum Econômico Brasil & Países Árabes

Data: 25 de agosto de 2026

Horário: das 8h às 18h

Local: Renaissance São Paulo Hotel (Alameda Santos, 2233, Jardim Paulista)

Painel com participação de Ali Zoghbi: Segurança Alimentar, Agronegócio & Resiliência de Fertilizantes, das 12h10 às 13h30

Realização: Câmara de Comércio Árabe-Brasileira





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