sexta-feira, agosto 14, 2026
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produção brasileira cai e preços podem subir até 2027


A cotação do trigo reagiu em Chicago nesta semana, enquanto o mercado brasileiro se prepara para uma safra menor e um cenário de oferta mais apertado. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o primeiro mês cotado fechou a quinta-feira (13) em US$ 6,52 por bushel, contra US$ 6,31 uma semana antes.

Após recuar para US$ 6,30 por bushel em 11 de agosto, o cereal recuperou valor nos pregões seguintes. O movimento ocorreu após o relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado em 12 de agosto, apontar redução na produção e nos estoques finais dos Estados Unidos para 2026/27.

Oferta mundial de trigo recua

Segundo dados divulgados pela CEEMA, a produção norte-americana de trigo foi estimada em 41,7 milhões de toneladas, queda de 23% em relação ao ano anterior. Os estoques finais dos Estados Unidos foram projetados em 19,5 milhões de toneladas, recuo de 22% sobre 2025/26.

No mercado global, a produção deverá cair de 843,4 milhões de toneladas no ano anterior para 819,3 milhões de toneladas no novo ano comercial, redução de 2,8%. Os estoques finais mundiais, entretanto, devem subir levemente, para 273,2 milhões de toneladas. A produção da Argentina foi mantida em 21 milhões de toneladas, enquanto a estimativa para o Brasil foi reduzida para 6,1 milhões de toneladas. Com esse cenário, o preço médio estimado ao produtor norte-americano subiu para US$ 6,20 por bushel no novo ano comercial, de acordo com dados divulgados pela CEEMA.

Exportações dos EUA ficam abaixo do ano passado

Na semana encerrada em 6 de agosto, os Estados Unidos exportaram 421 mil toneladas de trigo. O volume levou o acumulado do atual ano comercial, iniciado em 1º de junho, para 3,3 milhões de toneladas. Segundo a CEEMA, o resultado está 25% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.

A colheita do trigo de inverno norte-americano alcançava 91% da área em 9 de agosto, exatamente dentro da média histórica. No trigo de primavera, 24% da área havia sido colhida na mesma data, acima dos 19% registrados normalmente para o período.

Rússia e Ucrânia reduzem perspectivas de exportação

As exportações russas de trigo em agosto tendem a ser as menores em quase uma década, segundo dados divulgados pela CEEMA. A previsão da Sovecon indica embarques entre 3 milhões e 3,4 milhões de toneladas, o menor volume para agosto desde 2016/17. Os problemas de transporte no Mar Negro, agravados pelo recrudescimento da guerra entre Rússia e Ucrânia, estão entre os fatores apontados para a redução.

Para todo o ano comercial 2026/27, a previsão de exportações russas foi revisada para 44,5 milhões de toneladas, de acordo com dados do Ikar citados pela CEEMA.

A Ucrânia também reduziu sua projeção de exportação de grãos para o ciclo julho-junho de 2026/27. A estimativa passou para uma faixa entre 38 milhões e 40 milhões de toneladas, queda de até 12% ante a projeção anterior. Segundo dados da Reuters citados pela CEEMA, a redução está relacionada aos ataques ao centro portuário de Odessa, no sul do país.

Oferta brasileira de trigo preocupa

No Brasil, os preços permanecem estáveis. No Rio Grande do Sul, as cotações estão entre R$ 69 e R$ 70 por saca, enquanto no Paraná permanecem em R$ 75. Às vésperas do início de uma nova colheita, porém, o Paraná está prestes a enfrentar um déficit de abastecimento de trigo de grandes proporções.

Segundo dados divulgados pela CEEMA, a produção estadual está projetada em apenas 2,2 milhões de toneladas, enquanto a moagem deve alcançar 3,85 milhões de toneladas.

A diferença deverá exigir importações substanciais. O Paraná responde por 30% da produção nacional de farinha de trigo e os moinhos vêm enfrentando margens apertadas diante da dificuldade de repassar a valorização do grão ao preço da farinha. A produção brasileira, inicialmente projetada em 7,2 milhões de toneladas no início do ano, deverá ficar entre 5,5 milhões e 5,9 milhões de toneladas. Com a redução, o Brasil poderá registrar a maior importação de trigo de sua história no novo ano comercial, segundo dados divulgados pela CEEMA.

Argentina é alternativa, mas qualidade preocupa

A Argentina continua sendo a origem mais competitiva para o trigo importado pelo Brasil, principalmente pela proximidade logística e pela participação no Mercosul. O país, entretanto, enfrenta problemas de qualidade no cereal. A safra atual, que abastece o mercado até novembro, apresenta baixo teor de proteína e de glúten úmido.

Segundo dados divulgados pela CEEMA, o resultado está relacionado ao menor uso de fertilizantes nitrogenados nas lavouras argentinas, enquanto os mesmos insumos encareceram a produção brasileira. A busca por trigo de maior qualidade em outras origens eleva os custos de importação. O trigo norte-americano chega a custar cerca de R$ 300 a mais por tonelada em comparação com o argentino, conforme dados da Safras & Mercado citados pela CEEMA.

Ainda de acordo com a análise, a menor safra dos Estados Unidos desde 1970 e o menor saldo exportável desde 1960 contribuem para a pressão sobre os preços internacionais.

No Mar Negro, o recrudescimento dos conflitos entre Rússia e Ucrânia, incluindo ataques a navios cargueiros e graneleiros no Mar de Azov e no Mar Negro, também elevou fretes e seguros marítimos. O Paraguai, tradicional fornecedor de trigo ao Paraná, também projeta redução do saldo exportável. O volume deve passar de 600 mil toneladas no ciclo anterior para, no máximo, 350 mil toneladas.

Importações brasileiras avançam

O câmbio é uma das poucas variáveis que têm amenizado parcialmente o custo das importações. Com o dólar oscilando entre R$ 5 e R$ 5,20, o trigo negociado em moeda norte-americana fica mais barato em reais. No entanto, segundo dados divulgados pela CEEMA, a alta das cotações internacionais tem reduzido parte desse benefício cambial.

As importações brasileiras de trigo e centeio alcançaram 126,2 mil toneladas nos primeiros dias de agosto, crescimento médio de 7,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

O preço médio obtido até agora em agosto ficou em US$ 241,40 por tonelada, contra US$ 231,80 no mesmo período de 2025, alta de 4,1%. A despesa média diária com as compras externas chegou a US$ 6,09 milhões, ante US$ 5,43 milhões há um ano. O aumento foi de 12,2%, segundo dados da Secex citados pela CEEMA.

Clima adiciona risco à nova safra

O Sul do Brasil voltou a enfrentar problemas climáticos, com excesso de chuvas e granizo, além de calor e alta umidade. De acordo com a CEEMA, essas condições reduzem o potencial produtivo do trigo e podem fazer com que a colheita final fique ainda abaixo das já reduzidas estimativas atuais. O cenário de oferta restrita em volume e qualidade também começa a influenciar os preços internos. Com a necessidade de recompor estoques, compradores aumentam gradualmente as ofertas em busca de lotes de melhor qualidade, enquanto vendedores ainda têm disponibilidade limitada da safra 2025 e a colheita de 2026 está apenas começando.

Importações podem definir preços do trigo

Segundo dados divulgados pela CEEMA, a combinação de produção nacional em queda, estoques restritos e riscos climáticos sobre a nova safra coloca a evolução das importações entre os principais indicadores a serem acompanhados nos próximos meses. O comportamento das compras externas será relevante para o abastecimento e para a formação dos preços no mercado brasileiro. Nesse cenário, há potencial para que os preços pagos aos produtores aumentem mais no fim de 2026 e no início de 2027.





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