Na maior cidade do Brasil, jovem encontra na agricultura um caminho para o futuro

Em meio à maior cidade do Brasil, onde a expansão urbana avança sobre áreas rurais, Gabriel Arantes escolheu fazer da agricultura seu projeto de vida. Morador do extremo sul da capital paulista, o jovem produtor cultiva hortaliças orgânicas no Sítio Floresta e mostra que ainda é possível produzir alimentos, gerar renda e construir uma carreira no campo sem sair de São Paulo.
O interesse pela agricultura nasceu ainda na infância. Filho de uma paisagista, cresceu acompanhando a mãe no trabalho com plantas, jardins e na rotina de compra de insumos no Ceasa. O contato precoce com a natureza despertou o interesse que, anos depois, se transformaria em profissão.
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Atualmente, os dias começam cedo. Entre plantio, manejo e colheita, Gabriel dedica boa parte da rotina aos cuidados com a horta. No fim da tarde, realiza atividades como adubação e aplicação de nutrientes para manter a qualidade da produção.
Horta cresce e produção deve dobrar
No Sítio Floresta, são cultivadas hortaliças como alface crespa, couve, salsa, coentro, mostarda e almeirão. Embora a área ainda não opere em sua capacidade máxima, o produtor já se prepara para ampliar o cultivo.
O crescimento foi impulsionado pela abertura de novos canais de comercialização. Hoje, boa parte da produção é destinada ao Armazém Solidário, iniciativa que garantiu mercado para os alimentos produzidos na propriedade.
“Se não fosse o Armazém Solidário, hoje eu não teria para quem vender o que produzo aqui”, afirma Gabriel.
Com a expansão da iniciativa para uma nova unidade, a expectativa é aumentar significativamente a oferta de hortaliças e, nos próximos meses, dobrar o volume produzido.
Tecnologia aumenta produtividade
A evolução da propriedade também passou por investimentos em infraestrutura e assistência técnica. O produtor recebeu apoio para instalar caixa d’água, sistema de irrigação, adquirir mudas e preparar o solo com maquinário adequado.
Segundo o técnico agrícola Saullo Pereira, que acompanha o trabalho no sítio, o empenho de Gabriel representa uma realidade diferente da observada em muitas regiões rurais.
“Ele é um jovem que escolheu permanecer no campo e acredita na atividade. Isso ajuda a renovar uma agricultura que enfrenta o envelhecimento da mão de obra”, destaca.
Entre as tecnologias adotadas está o uso de sombrite, cobertura que reduz a incidência direta do sol e da chuva, ajuda a conservar a umidade do solo e melhora o desenvolvimento das plantas.
De acordo com o técnico, a mudança trouxe resultados expressivos na produtividade.
“As plantas estão ficando maiores e mais pesadas. Ele consegue produzir mais em uma área menor”, explica.
Comercialização ainda é um desafio
Apesar dos avanços na produção, levar os alimentos até o consumidor continua sendo um dos principais obstáculos para os agricultores da região. A distância entre as propriedades e os centros consumidores aumenta os custos e exige planejamento logístico.
“Produzir é apenas uma parte do trabalho. Também é preciso saber para quem vender, como distribuir e de que forma fazer essa logística funcionar”, afirma Saulo.
Hoje, os próprios agricultores se organizam para entregar a produção ao Armazém Solidário. No futuro, a expectativa é estruturar um sistema coletivo de transporte para ampliar o alcance das vendas.
“A ideia é que, daqui a alguns anos, a gente tenha um caminhão circulando por São Paulo e abastecendo toda a rede”, projeta Gabriel.
Para o jovem produtor, investir na agricultura orgânica vai além da geração de renda. A experiência mostra que, com assistência técnica, acesso ao mercado e adoção de tecnologias, o campo também pode oferecer oportunidades para uma nova geração de agricultores.
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