sexta-feira, julho 31, 2026
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Fábio Chaves projeta um CREA-RS mais próximo dos profissionais


Eleito com 3.178 votos para o triênio 2027–2029, o engenheiro de produção defende fiscalização inteligente, valorização profissional e resgate do orgulho de ser engenheiro, agrônomo e geocientista

Eleito em julho de 2026 para presidir o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (CREA-RS) no triênio 2027–2029, com 3.178 votos, o engenheiro Fábio Roberto Chaves chega ao cargo depois de 22 anos de atuação na indústria metalúrgica e de quatro anos de trabalho direto na gestão do Conselho, ao lado da atual presidente, Nanci Walter, a quem sucederá. Formado em engenharia de produção, ele integra o grupo que hoje administra a entidade e promete dar continuidade a projetos já em curso, somando propostas próprias voltadas à aproximação com os profissionais do interior do estado, à modernização do atendimento e ao combate ao exercício ilegal da profissão.

Em entrevista ao Portal Agrolink, Chaves falou sobre sua trajetória, os aprendizados que pretende levar do chão de fábrica para a presidência do Conselho, a baixa participação dos profissionais nas eleições, o papel do CREA-RS diante dos eventos climáticos que atingiram o Rio Grande do Sul e as prioridades de sua gestão a partir de janeiro de 2027.

Da indústria metalúrgica para a presidência do Conselho

Formado em engenharia de produção, Chaves afirma que os 22 anos dedicados à indústria rendeu um olhar sistêmico, voltado à análise de gargalos e ao planejamento orientado a resultados, características que pretende aplicar à frente do CREA-RS. “O que os 22 anos de experiência me trazem é esse olhar sistêmico para planejar, gerenciar e atingir o resultado, e que esse resultado, mais uma vez, seja para os nossos mais de 92 mil profissionais”, afirma.

Segundo ele, essa vivência prática também molda sua forma de liderar, baseada no reconhecimento das limitações de cada integrante da equipe. “Cada um tem as suas limitações e a gente tem que aprender a respeitá-las. Quando há esse respeito, o ambiente de trabalho fica bom, porque todos entendem que queremos um resultado, mas nem todos vão fazer da forma que a gente espera. O importante é a harmonia, para que as pessoas se sintam parte do processo”, diz.

Técnica e empreendedorismo andando juntos

Chaves relata que buscou, ao longo da carreira, unir formação técnica e atuação empreendedora, um movimento que, na avaliação dele, ainda é pouco estimulado na graduação, embora venha evoluindo. Ele cita como exemplo seu trabalho de conclusão de curso, hoje aplicado em consultorias, e seu trabalho de pós-graduação, sobre plano de evacuação para escolas de educação infantil, também utilizado em consultorias na área. 

“Eu sempre tentei olhar a maneira de utilizar aquilo que eu tenho de técnico para empreender. E eu acho que a graduação, entendida da maneira correta, deveria ser assim: o aluno tem que ver, cada vez mais, que aquilo que está aprendendo pode ser o que ele vai trabalhar, vender e empreender no futuro”, avalia.

A participação no CREA e no Confea, segundo ele, reforçou essa visão e está por trás de uma das propostas de sua gestão: a criação de uma premiação para Trabalhos de Conclusão de Curso em destaque. “Imagina quantos trabalhos nós temos de coisas fantásticas, estudadas, que ficam guardados em uma biblioteca. Quantas ideias empreendedoras poderiam estar circulando por aí”, questiona.

Continuidade com a gestão de Nanci Walter e propostas novas

Chaves afirma conhecer Nanci Walter desde 2017, quando ela ainda atuava em entidade de classe. Ele integrou a gestão dela a partir de 2022, como gestor institucional, e participou de projetos como a reforma das inspetorias do Conselho, a criação de unidade móvel de atendimento, o programa Capacita e o CREA Júnior, iniciativa voltada à aproximação com estudantes.

“Tudo isso a gente vem para manter, e a gente traz também as coisas novas”, afirma. Entre as propostas inéditas, ele cita a premiação de TCC, um modelo de “atendimento 360”, a criação de um banco de oportunidades — no qual profissionais poderão cadastrar currículo para consulta por empresas e órgãos, o avanço da fiscalização por meio de convênios e o fortalecimento da comunicação com a sociedade sobre a importância do profissional legalmente habilitado.

Sobre a relação com a atual gestão, ele afirma: “A Nanci fez um belo trabalho, que deve ser mantido, e a gente vai manter. Como ela é uma parceira minha, a gente sempre conversa sobre isso. Ainda temos muita coisa para colocar no papel, e boa parte das propostas foi construída com o olhar dos profissionais.”

Baixa adesão às eleições preocupa, mas houve avanço em relação a 2023

Das 46.026 pessoas habilitadas a votar no Rio Grande do Sul, apenas 7.723 participaram do pleito que elegeu Chaves, um número que, segundo ele próprio destacou na entrevista, ainda preocupa, embora represente crescimento em relação à eleição de 2023.

Para o presidente eleito, o principal desafio é levar informação sobre o Conselho aos profissionais do interior, onde está concentrada a maior parte da categoria. “Nós temos 85% dos profissionais no interior, e a informação precisa chegar até eles. Percorri mais de 14 mil quilômetros ao lado do engenheiro Fábio Fanfa, que concorreu e foi eleito diretor da Mútua. Vimos que o Conselho fez bastante, teve muitas entregas, mas essa informação não chega ao interior”, relata.

Chaves defende o uso de rádios e jornais locais como canais de aproximação e associa o desconhecimento sobre o Conselho ao distanciamento já na graduação. “Estamos formando de 4 a 5 mil profissionais por ano. Hoje, graças ao CREA Júnior, estamos mais próximos, mas precisamos ir muito além. Se continuarmos formando profissionais que acham que o Conselho é algo ruim, o desinteresse vai se refletir nas eleições”, afirma.

Como exemplo da falta de conhecimento sobre os serviços do Conselho, ele cita a caixa de assistência dos profissionais, a Mútua. “Temos uma caixa de assistência muito forte acredito até mais forte que a dos advogados e os profissionais não a conhecem. Quem conhece o sistema e a Mútua entende a importância dele. Mas precisamos levar essa informação a todos”, diz.

Seis eixos e 30 propostas para o mandato

A gestão eleita trabalhou a campanha em torno de seis eixos e 30 propostas, que agora começam a ser transformadas em planejamento para execução a partir de 2027. Entre as prioridades citadas por Chaves estão o combate ao exercício ilegal da profissão, a modernização do atendimento com uma central “360” e menos burocracia e o fortalecimento das 44 inspetorias do estado como espaços de uso dos profissionais.

Ele também destaca o compromisso de presença mais frequente no interior. “A ideia é estar nas 11 zonais que temos, pelo menos cinco dias de cada mês, para termos contato direto com o profissional do interior”, afirma. Outras frentes citadas incluem o fortalecimento de programas de capacitação, como o Capacita+, o incentivo à emissão de Certidões de Acervo Técnico (CATs) documento importante para participação em licitações e comprovação de serviços executados e a aproximação do Conselho com empresas e universidades.

“Espero que, em 2027, no final do mandato, os profissionais consigam enxergar um Conselho próximo deles e entendam a importância dele. E que, na eleição seguinte, não importe se é o Fábio quem estará concorrendo, mas que aumente o número da nossa representação e o entendimento sobre a importância do Conselho”, diz.

Combate à imagem de órgão burocrático e arrecadador

Para Chaves, parte da resistência da categoria em relação ao CREA-RS decorre da falta de contato com o Conselho ainda durante a formação acadêmica. Segundo ele, é preciso deixar claro que a fiscalização exercida pela entidade não recai sobre o profissional habilitado, mas sobre o exercício ilegal da profissão. “Ele não fiscaliza o profissional, ele fiscaliza o exercício ilegal da profissão. Ele retira o leigo e garante que os serviços de engenharia, agronomia e geociências sejam feitos por profissional legalmente habilitado. E, ao fazer isso, protege a sociedade”, explica.

Chaves defende que essa mensagem chegue às instituições de ensino, reforçando a importância da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) na construção do acervo profissional. “O profissional deveria ter orgulho de montar seu currículo por meio de uma anotação de responsabilidade técnica. Mas precisamos levar essa informação, trabalhar junto às instituições de ensino e também alcançar quem já saiu da graduação”, afirma, citando a própria trajetória como exemplo: “Eu não vi o meu Conselho na graduação. E isso me fez querer conhecê-lo mais, e querer trabalhar nele.”

Papel do CREA-RS diante dos eventos climáticos no Rio Grande do Sul

Questionado sobre a atuação do Conselho diante dos eventos climáticos que atingiram o Rio Grande do Sul, Chaves aponta a valorização profissional como eixo central da resposta da entidade, além do trabalho já realizado pelas câmaras especializadas do CREA-RS. Segundo ele, cabe ao Conselho reforçar, junto a poder público e sociedade, a importância de contar com profissionais legalmente habilitados na prevenção, execução, contratação, diagnóstico e manutenção de obras e estruturas.

“O engenheiro tem papel fundamental na prevenção, na execução correta, na contratação correta, no diagnóstico correto e na manutenção. Para isso, precisamos de valorização que se entenda que ter um profissional de engenharia não é custo, é investimento, e que isso traz segurança para a sociedade”, afirma. Ele defende trabalho conjunto entre o CREA-RS, órgãos públicos e empresas para consolidar esse entendimento.

Chaves reforça ainda que a fiscalização do exercício ilegal da profissão é parte dessa estratégia de prevenção de riscos. “O que não pode é haver gasto com pessoas que tentam exercer serviços de engenharia, agronomia e geociências sem ser legalmente habilitadas. Isso traz risco para a sociedade, e nós temos que alertá-la. E, para coibir isso, fiscalizamos”, diz.

Gestão para todos os profissionais, votantes ou não

Sobre transparência e diálogo com quem não apoiou sua candidatura, Chaves afirma que a gestão será conduzida em nome do conjunto da categoria, e não apenas de quem participou da eleição. “A gente tem o entendimento de que vai fazer gestão não somente para os 7.092 que votaram, ou para os mais de 3.000 que votaram na gente, mas para os mais de 92 mil profissionais”, afirma.

Para ele, aproximação e valorização são as bases dessa relação. “A gente quer resgatar aquele tempo em que se dizia: vai ser médico, vai ser advogado, vai ser engenheiro. Isso se perdeu um pouco, e a gente vai buscar resgatar, por meio de aproximação e valorização”, diz.

A transformação esperada até o fim do mandato

Ao projetar o legado que pretende deixar à frente do CREA-RS, Chaves fala em resgatar o orgulho da profissão entre engenheiros, agrônomos e geocientistas, e em estimular a procura por esses cursos entre os jovens. “Gostaria de ver, ao final do mandato, um Conselho próximo dos profissionais, com sensação de pertencimento, com valorização ocorrendo de fato, e cada vez mais jovens buscando a engenharia, a agronomia e as geociências”, afirma.

Ele cita como símbolo desse resgate a volta de elementos que, na avaliação dele, sinalizavam orgulho profissional no passado, como adesivos de carro e bonés com a inscrição “eu sou engenheiro”. Chaves também defende mudanças na forma de ensinar engenharia, com disciplinas voltadas a empreendedorismo e práticas aplicadas já nos primeiros semestres dos cursos, citando iniciativas já em curso em algumas instituições. “Chegar em 2029 e ver que aumentou a procura pela engenharia, pela agronomia e pela geociência nas universidades, e que os profissionais entendam a importância de ter um Conselho forte isso seria fantástico, e dever cumprido”, conclui.

Leia a entrevista na íntegra

Portal Agrolink: Quem é Fábio Roberto Chaves para além dos títulos profissionais e dos cargos que ocupa, e quais experiências pessoais mais influenciaram sua forma de liderar?

Fábio Roberto Chaves: Acho que uma das questões importantes na liderança é entender que cada um tem suas limitações, e a gente precisa aprender a respeitá-las. Quando há esse respeito, o ambiente de trabalho fica bom, porque todos entendem que queremos um resultado, mas nem todos vão chegar até ele da mesma forma. Somos pessoas com limitações uns mais rápidos, outros mais lentos , mas o que precisamos ter é harmonia, para que as pessoas se sintam parte do processo. Aí elas entendem que o importante é o resultado: quando um falha, todos falham; quando todos acertam, a coisa fica melhor para os profissionais, que é o que buscamos no Conselho.

Portal Agrolink: Depois de 22 anos de atuação na indústria metalúrgica, quais aprendizados do chão de fábrica o senhor pretende levar para a presidência do CREA-RS?

Fábio Roberto Chaves: Os 22 anos de atuação na indústria me trazem, pela engenharia de produção, um olhar sistêmico aquele olhar de análise de gargalos, de entender por onde começar para chegar à eficácia, e não apenas à eficiência, para atingir o alvo. O chão de fábrica me trouxe essa experiência de analisar gargalos e olhar para o resultado final: aonde eu quero chegar e de que maneira. Isso é planejamento. Então, o que os 22 anos de experiência me trazem é esse olhar sistêmico para planejar, gerenciar e atingir o resultado resultado que, mais uma vez, deve ser para os nossos mais de 92 mil profissionais.

Portal Agrolink: Em que momento sua atuação deixou de ser apenas técnica e passou a incluir o empreendedorismo, a representação profissional e a participação no Sistema Confea/Crea?

Fábio Roberto Chaves: Acredito que técnica e empreendedorismo deveriam andar cada vez mais juntos, mas isso ainda anda separado na graduação, embora venha melhorando com o tempo. Gosto de usar o exemplo do meu trabalho de conclusão de curso na graduação, hoje utilizado nas consultorias que dou sobre galvanização a fogo. E o meu trabalho de conclusão de pós-graduação, sobre plano de evacuação para escolas de educação infantil, é utilizado como consultoria nessa área. Hoje faço mestrado em corrosão com o olhar de empreender na manutenção de torres de alta tensão. Sempre tentei usar aquilo que tenho de técnico para empreender, e acho que a graduação, entendida da maneira correta, deveria ser assim: o aluno precisa ver, cada vez mais, que aquilo que está aprendendo pode ser o que vai trabalhar, vender e empreender no futuro. A participação no CREA e no Confea me permitiu levar essa visão para dentro da graduação, e é isso que quero continuar fazendo tanto que trazemos a proposta de premiação para TCC Destaque. Imagina quantos TCCs de coisas fantásticas, bem estudadas, estão guardados em uma biblioteca quantos serviços, trabalhos e ideias empreendedoras poderiam estar circulando por aí.

Portal Agrolink: O senhor foi eleito como representante de um grupo que já administra o Conselho. O que será preservado da gestão de Nanci Walter e em quais pontos sua presidência pretende imprimir uma identidade própria?

Fábio Roberto Chaves: Sim, isso ficou bem claro durante a campanha. Conheço a Nanci desde 2017, já na entidade de classe, e logo que ela ganhou a primeira eleição me convidou para trabalhar. Em 2022, por ter empresa própria, consegui me organizar para estar ao lado dela, porque acreditava naquilo que ela propunha. Desde então, sou muito feliz de ter trabalhado na gestão, como gestor institucional, participando de projetos importantes para o Conselho e para os profissionais, como a reforma das inspetorias, o plenário, a unidade móvel, o programa Capacita e o CREA Júnior, que aproxima o CREA dos estudantes, algo que sentimos falta durante a graduação. Tudo isso vamos manter, e vamos trazer coisas novas: a premiação de TCC, um atendimento 360, a ideia de um banco de oportunidades, onde os profissionais possam cadastrar seu currículo profissional para que a sociedade e os órgãos possam pesquisá-los, além de uma fiscalização inteligente, com mais convênios, para garantir sempre um profissional legalmente habilitado à frente dos serviços de engenharia, agronomia e geociências. Vamos trabalhar muito a comunicação, para que a sociedade entenda a importância do profissional e não assuma responsabilidades que não são dela, já que o profissional é quem está capacitado para esses serviços. A Nanci fez um belo trabalho, que deve ser mantido, e vamos mantê-lo. Como ela é minha parceira, sempre conversamos sobre isso, ainda temos muitas ideias, construídas desde 2022, para colocar no papel, e boa parte das propostas foi construída com o olhar dos profissionais. E, claro, a presidente Nanci, além de nossa presidente, também é uma profissional.

Portal Agrolink: A eleição teve a participação de apenas 7.723 dos 46.026 profissionais habilitados no Rio Grande do Sul. O que essa baixa adesão revela sobre a relação da categoria com o CREA-RS e como o senhor pretende mudar esse cenário?

Fábio Roberto Chaves: Essa é uma preocupação real. Por mais que o número seja baixo, ele ainda é maior que em 2023, mas claro que esperávamos um aumento maior. Acho que isso é um olhar para o sistema como um todo, o Conselho inteiro acredita nesse aumento, mas precisamos estar próximos dos profissionais. Temos 85% dos profissionais no interior, e a informação precisa chegar até eles. Percorri mais de 14 mil quilômetros ao lado do engenheiro Fábio Fanfa, que concorreu e foi eleito diretor da Mútua. Vimos que o Conselho entregou bastante, mas essa informação não chega ao interior  e precisamos usar os canais de comunicação de lá, como rádios e jornais locais, para que ela chegue. Levando essa informação, os profissionais vão se sentir parte do Conselho, porque o importante é que entendam o que ele faz. Muitas vezes saímos da graduação com uma informação equivocada, por causa do afastamento do Conselho durante essa fase e estamos formando de 4 a 5 mil profissionais por ano. Hoje, graças ao CREA Júnior, estamos mais próximos, mas precisamos ir muito além, porque se continuarmos formando profissionais que acham que o Conselho é algo ruim, o desinteresse vai se refletir nas eleições. Precisamos mostrar o que o Conselho é, o que faz, sua importância profissional e social inclusive a caixa de assistência, a nossa Mútua, que é muito forte, até mais forte, acredito, que a dos advogados, mas pouco conhecida pelos profissionais. Se você comparar o número de associados da Mútua com o número de votantes, eles são muito parecidos: quem conhece o sistema entende sua importância. Mas precisamos levar essa informação a todos.

Portal Agrolink: Quais serão as prioridades concretas de sua gestão a partir de janeiro de 2027, e por quais resultados os profissionais poderão cobrar o senhor ao final do mandato?

Fábio Roberto Chaves: Trabalhamos com seis eixos e 30 propostas. Agora, o trabalho é colocar essas propostas no planejamento, para que em 2027 possamos entregá-las executadas aos profissionais. Um ponto central é combater com firmeza o exercício ilegal da profissão e defender a atuação dentro da lei. Precisamos melhorar o atendimento do CREA, entender que o profissional que liga não é apenas um “cliente”, oferecendo um atendimento central 360, com menos burocracia. Temos 44 inspetorias no estado, e queremos que elas sejam cada vez mais espaços de uso dos profissionais, fortalecendo o interior. Dentro de uma agenda aberta, a ideia é estar presentes nas 11 zonais que temos, pelo menos cinco dias por mês, para manter contato direto com o profissional do interior. Também vamos investir em capacitação, com o programa Capacita+, fortalecer a empregabilidade com um espaço de pesquisa por profissionais e suas Certidões de Acervo Técnico importantes para licitações e para comprovar a execução de obras e serviços, e aproximar o CREA de empresas e universidades, dando visibilidade a quem é legalmente habilitado. Tudo isso para termos um Conselho ainda mais presente e útil. Espero que, ao final de 2027, os profissionais enxerguem um Conselho próximo deles, que entendam sua importância, e que isso se reflita em mais votos na eleição seguinte não importa se sou eu quem estará concorrendo, mas que aumente a representação e o entendimento sobre a importância do nosso Conselho.

Portal Agrolink: Parte da categoria ainda enxerga o CREA-RS principalmente como um órgão burocrático e arrecadador. O que precisa mudar para que o profissional perceba o Conselho como uma instituição que o representa e o valoriza?

Fábio Roberto Chaves: Precisamos fortalecer a presença do CREA dentro das instituições de ensino. É lá que o profissional precisa entender que o Conselho é importante para ele não porque fiscaliza o profissional, mas porque fiscaliza o exercício ilegal da profissão, retirando o leigo e garantindo que os serviços de engenharia, agronomia e geociências sejam feitos por profissionais legalmente habilitados. Essa fiscalização protege a sociedade, gera empregos e gera contratação de profissionais e precisamos mostrar isso aos próprios profissionais, levando essa informação para dentro das instituições de ensino e para quem já está saindo da graduação, já que formamos quase 5 mil profissionais por ano. É importante que eles entendam o valor de fazer uma Anotação de Responsabilidade Técnica, já que é assim que o acervo técnico do profissional é construído a comprovação, junto ao Conselho, de que ele executou uma obra ou serviço. O profissional deveria ter orgulho de montar seu currículo dessa forma. Mas precisamos levar essa informação e trabalhar junto às instituições de ensino, sem deixar de alcançar também quem já saiu da graduação. Eu mesmo não vi o meu Conselho durante a graduação, e isso me fez querer conhecê-lo mais foi o que me levou a trabalhar nele, levando o que sei hoje para os profissionais e para quem está se formando.

Portal Agrolink: Diante dos eventos climáticos que atingiram o Rio Grande do Sul, qual deve ser o papel do CREA-RS na reconstrução do estado, na prevenção de novos desastres e no planejamento de cidades mais resilientes?

Fábio Roberto Chaves: Diante dos eventos climáticos que atingiram o RS, temos um papel importante, além do trabalho das nossas câmaras especializadas, onde atuam nossos conselheiros: o de levar a valorização profissional, fazendo com que órgãos públicos e a sociedade entendam a importância de contar com um profissional legalmente habilitado. O engenheiro tem papel fundamental na prevenção, na execução correta, na contratação correta, no diagnóstico correto e na manutenção mas, para isso, precisamos de valorização. Precisamos que se entenda que ter um profissional de engenharia não é custo, é investimento, e que isso traz segurança para a sociedade. Temos que trabalhar lado a lado com órgãos públicos e empresas, para que esse entendimento fique claro. Esse é o papel do CREA: trazer valorização profissional para os nossos mais de 92 mil profissionais. Complementando, ainda sobre a fiscalização do exercício legal da profissão: não podemos permitir gastos com pessoas que tentam exercer serviços de engenharia, agronomia e geociências sem serem legalmente habilitadas. Isso traz risco para a sociedade, e precisamos alertá-la e a forma de coibir isso é fiscalizando.

Portal Agrolink: Como sua gestão pretende ampliar a transparência, o diálogo com quem não apoiou sua candidatura e a participação dos profissionais do interior nas decisões do Conselho?

Fábio Roberto Chaves: Queremos estar cada vez mais próximos, e com isso ampliamos a transparência. Sabemos que a eleição acabou, e temos o entendimento de que vamos fazer gestão não somente para os 7.092 que votaram, ou para os mais de 3.000 que votaram na gente, mas para os mais de 92 mil profissionais. Esse é o olhar de quem quer um CREA mais próximo, mais eficaz, que dê ao profissional o sentimento de pertencimento, para que ele tenha orgulho da sua profissão. Queremos resgatar aquele tempo em que se dizia: vai ser médico, vai ser advogado, vai ser engenheiro. Isso se perdeu um pouco, e vamos buscar resgatar por meio de aproximação e valorização.

Portal Agrolink: Ao concluir seu mandato, que transformação o senhor gostaria de ter provocado no CREA-RS e como espera ser lembrado pelos profissionais e pela sociedade gaúcha?

Fábio Roberto Chaves: Ao término do mandato, gostaria de ver um Conselho próximo dos profissionais, com sensação de pertencimento, com a valorização ocorrendo de fato, e cada vez mais jovens buscando a engenharia, a agronomia e as geociências , resgatando o orgulho de ser engenheiro. Isso seria o supra-sumo: ver novamente carros adesivados, a volta do boné que diz “eu sou engenheiro”, mostrando à sociedade a importância de um profissional legalmente habilitado, e novas gerações dizendo que querem fazer engenharia, com os cursos voltando a ser disputados. Sei que há um problema de evasão, mas precisamos trabalhar a conscientização sobre a forma de ensinar engenharia. Já há instituições trazendo, para o primeiro semestre, disciplinas voltadas a empreendedorismo, BIM e manufatura, aproximando o aluno da engenharia aplicada, para que ele já se sinta um pouco engenheiro, possa estagiar e não desista entendendo que as disciplinas de cálculo são apenas um obstáculo para chegar a algo tão bonito quanto ser engenheiro. Chegar a 2029 e ver o aumento da procura pela engenharia, pela agronomia e pela geociência nas universidades, com o orgulho da profissão circulando novamente nas ruas, e os profissionais entendendo a importância de ter um Conselho forte isso seria fantástico, e dever cumprido.





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