quinta-feira, julho 23, 2026
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Baixio de Irecê impulsiona agricultura irrigada no sertão baiano


Imagem: Guilherme Soares/Marca Comunicação

O projeto de irrigação Baixio de Irecê já começou a transformar a paisagem e impulsionar a produção agrícola no semiárido baiano. Considerado o maior da América Latina, o empreendimento já irriga plantações e atende dezenas de produtores entre os municípios de Xique-Xique e Itaguaçu da Bahia.

Um dos produtores que apostaram no projeto desde o início foi Vanderlei Luiz da Silva. Ele relata que a chegada ao Baixio foi cercada de expectativas e incertezas, mas afirma que a realidade atual é mais positiva, apesar de ainda existirem alguns entraves no período chuvoso.

“Vim pra aqui, pra esse projeto, do início, naquela esperança. Foi como um tiro no escuro, que a gente não sabia nada ainda o que ia dar certo aqui, já que não tinha nenhuma, um estudo sobre aquilo que fosse viável. Então, no momento, a gente achou que o viável era a banana e entramos, né? Hoje já está bem melhor aí. Tem alguns entraves ainda aí, como no período de chuva; a gente ainda tem alguns problemas aí pra resolver, mas maior parte já foi resolvida.”, relata.

A grandiosidade do projeto está diretamente ligada ao uso das águas do Rio São Francisco captdas em Xique-Xique. São 60 m³ por segundo para percorrer 124 quilômetros de canais, dos quais 42 já foram construídos e atendem cerca de 40 produtores.

Andamento das obras

Naara Dioclecio, supervisora de planejamento e engenharia, explica que a obra segue em expansão nas fases 3 e 4, com novas estruturas hidráulicas para integrar o sistema já implantado ao canal principal.

“Estamos na etapa inicial da obra da fase 3 e 4. O aqueduto é uma estrutura hidráulica, onde ela vai fazer um encontro do canal já existente com o canal principal.”, explica.

Segundo Marília Santos, coordenadora de operações, o perímetro irrigado possui 199 lotes, dos quais 34 já estão em operação.

Julio Perdigão, diretor presidente da Germina Brasil, falou sobre o potencial produtivo do perímetro para a fruticultura e grãos nas áreas em desenvolvimento do projeto.

“Na etapa 1 nós já temos áreas de banana, de citros, tem uma área demonstrativa da Embrapa também com maçã e pera, já em produção, área experimental, temos abóboras, culturas de ciclo curto, tem um pouco de milho e mamona. Além disso, começamos a ter variedades, mas predominantemente a banana e o limão que são polos muito concentrados na etapa 1. Já na etapa 2, com os produtores maiores, temos a produção de milho e soja para semente, mamona, ou seja, já começa a ter em larga escala produções de grãos.”, disse.

Obras da fase 2 e 3 do perímetro irrigado do Baixio de Irecê
Foto: Marca Comunicação

Condicionantes para uso da água

De acordo com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) o perímetro irrigado possui nove fases. A previsão de conclusão das obras é 2031, desde que sejam cumpridas uma série de condicionantes.

Entre essas exigências está o automonitoramento do uso da água, como detalha Marco Neves, superintendente de Regulação de Usos de Recursos Hídricos da ANA.

Ele destaca que os usuários, especialmente os de maior porte, precisam informar à agência o volume efetivamente captado, para garantir que o uso esteja dentro da faixa autorizada.

“O requerente, o outorgado, a Germina Baixio, ela tem por obrigação, consignado como condicionante da outorga que recebeu, a obrigatoriedade de seguir a resolução que trata das obrigações dos outorgados e que foi editada e tá consignada na resolução 236 de 2024 da ANA. E uma outra condicionante muito relevante também é a que trata sobre o obrigatoriedade do automonitoramento. O que que isso significa? Que determinados usuários, principalmente os de maior porte, eles têm que informar para a ANA o quanto que ele de fato está captando de água naquele corpo hídrico, se ele está dentro da faixa outorgada.”, explica.

Vetor de desenvolvimento

Localizado no bioma Caatinga caractezido por longos períodos de estiagem, o projeto é apontado como vetor de desenvolvimento econômico e geração de oportunidades.

Segundo a Germina Baixio, o projeto pretende irrigar cerca de 48 mil hectares com investimento de mais de R$ 1,1 bilhão.

A expectativa local é de fortalecimento da economia com a chegada de novos investimentos voltados à produção de grãos e algodão.

“O baixio recebeu um investimento alto na parte de investidores. Algumas vão investir bilhões em grãos, ou seja, na soja, no milho e no algodão para exportação. E a gente tende a crescer, a desenvolver, fortalecer a economia local com essas parcerias, né?”, disse o secretário de agricultura de Xique-Xique, Neilton Neilton Ferreira que também enfatizou que é o momento para firmar parcerias para capacitação profissional de jovens da região.

Para Marco Neves, o alcance do projeto ultrapassa os limites da área irrigada e tem potencial para mudar a realidade econômica regional, com reflexos na geração de renda, de empregos e também na produção nacional.

“É um projeto muito relevante para a região, ele muda uma realidade regional. É um projeto que tem um impacto em termos de geração de renda, de emprego e tem um impacto na produção nacional. Um projeto dessas proporções, ele realmente muda a economia regional.”, Marco Neves – superintendente de Regulação de Usos de Recursos Hídricos da ANA.


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