Rentabilidade será teste da próxima safra
O agronegócio brasileiro se aproxima de uma nova safra recorde, mas o avanço do volume não elimina a pressão sobre a rentabilidade no campo. A avaliação é de Ricardo Leite, superintendente executivo do Banco Safra, para quem a margem deve ser o principal desafio do produtor nos próximos ciclos.
A Conab estima a produção brasileira de grãos em 358,6 milhões de toneladas na safra 2025/26, alta de 1,8% sobre o ciclo anterior e novo recorde nacional. A soja permanece como principal cultura, com colheita projetada em 180,3 milhões de toneladas. Apesar do cenário favorável, o desempenho financeiro dependerá de decisões mais cuidadosas sobre custos, crédito, comercialização e proteção de caixa.
A atenção já se volta para a safra 2026/27, que tende a apresentar rentabilidade mais seletiva. Um dos pontos de pressão está nos insumos. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, enquanto soja, milho e cana concentram mais de 73% do consumo nacional. No primeiro trimestre de 2026, as entregas de fertilizantes ao mercado somaram 9,76 milhões de toneladas, crescimento de 3,8% em relação ao mesmo período de 2025. Mato Grosso respondeu por 25,2% desse total.
Na comercialização, os embarques mantêm ritmo forte. Em maio, o país exportou 14,82 milhões de toneladas de soja, segundo dados citados pelo Cepea. O volume acumulado entre janeiro e maio alcançou nível recorde para o período.
O cenário mostra que produtividade elevada continuará importante, mas não será suficiente para garantir resultado. A próxima safra deve favorecer quem conseguir comprar melhor, estruturar o financiamento, travar margens e antecipar decisões antes do aumento da pressão sobre custos. Mais do que ampliar a produção, o teste será crescer com eficiência e preservar a rentabilidade.

