Frio e chuvas favorecem lavouras de inverno na Região Sul
As lavouras de inverno da Região Sul seguem avançando sob condições meteorológicas, em geral, favoráveis, segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia. As chuvas registradas recentemente contribuíram para a recomposição da umidade do solo, especialmente no Paraná, reduzindo a restrição hídrica e favorecendo a emergência, o enraizamento e o desenvolvimento vegetativo de culturas como trigo e aveia. No Paraná, a maior parte das áreas cultivadas está em fase vegetativa, embora ainda existam lavouras em emergência e outras iniciando a floração. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a semeadura continua avançando com condições favoráveis ao estabelecimento inicial das culturas.
No caso da aveia cultivada em Guarapuava, no Paraná, os elevados volumes de chuva registrados no fim de maio e ao longo de junho mantêm o armazenamento de água no solo em níveis adequados, sem indicação de restrição hídrica durante o ciclo da cultura. O cenário favorece o desenvolvimento inicial das plantas e cria condições para o avanço da fase vegetativa.
A chegada de uma massa de ar frio ao longo da semana provoca queda nas temperaturas na Região Sul, especialmente no Paraná e em Santa Catarina, mantendo as máximas em patamares mais baixos. Segundo o Inmet, os efeitos do frio variam de acordo com o estágio de desenvolvimento das lavouras. Em fases iniciais, como emergência, emissão de folhas e perfilhamento, as culturas de inverno costumam apresentar maior tolerância às baixas temperaturas, registrando, em geral, apenas uma redução temporária no ritmo de crescimento.
Nas lavouras em fase vegetativa, como a aveia em desenvolvimento inicial, o frio moderado tende a favorecer o perfilhamento, contribuindo para maior densidade de plantas e melhor uniformidade das áreas cultivadas. O risco, no entanto, aumenta em lavouras mais avançadas, principalmente durante as fases de alongamento, emborrachamento, floração e enchimento de grãos. Nesses estágios, episódios de frio intenso e geadas podem comprometer estruturas reprodutivas, afetar processos fisiológicos e reduzir o potencial produtivo.
Além dos impactos sobre as plantas, as baixas temperaturas também podem influenciar a dinâmica das pragas. O Inmet destaca que o frio tende a reduzir a atividade e a população de pulgões, responsáveis pela transmissão do vírus do nanismo-amarelo. Com menor pressão da praga no início do ciclo, pode haver redução da necessidade de aplicações precoces de inseticidas, desde que o monitoramento em campo confirme baixos níveis de infestação. O instituto ressalta ainda que a alternância entre períodos chuvosos e dias mais secos favorece a redução da pressão de doenças fúngicas nas culturas de inverno, especialmente quando comparada a cenários de elevada umidade e molhamento foliar prolongado.
A previsão meteorológica indica a intensificação e o deslocamento de um sistema de baixa pressão sobre a Região Sul nos próximos dias. A condição deverá favorecer a formação de áreas de instabilidade e o retorno das chuvas a partir de quinta-feira (18). Os maiores acumulados são esperados para o sudoeste, centro-sul e norte do Paraná, além do norte de Santa Catarina, onde os volumes podem superar os 50 milímetros.
As temperaturas devem permanecer baixas durante o fim de semana em grande parte do Rio Grande do Sul, na Serra de Santa Catarina e no sul do Paraná. Nessas áreas, as mínimas poderão ficar abaixo de 10°C, com registros pontuais inferiores a 8°C em regiões mais elevadas. As máximas devem permanecer abaixo de 12°C em grande parte da região.
Diante desse cenário, o Inmet reforça a importância do acompanhamento constante das atualizações meteorológicas para auxiliar o planejamento das atividades agrícolas, reduzir riscos operacionais e contribuir para a tomada de decisões relacionadas ao manejo das lavouras e à organização das operações de campo.

