quinta-feira, junho 18, 2026
News

A revolução dos biocombustíveis também é uma revolução econômica, pontua CEO da Massey Ferguson


Foto: Junner Schmidt

Durante sua participação no Fiap 2026, na palestra “Biocombustíveis: as novas tecnologias de mercado”, Luis Felli, CEO Global da Massey Ferguson, destacou o papel estratégico dos biocombustíveis para a economia, a sustentabilidade e a segurança energética do Brasil. Segundo ele, dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que os biocombustíveis podem adicionar R$ 403 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) entre 2030 e 2035.

Ao abordar a evolução do setor, Felli relembrou as transformações ocorridas desde a década de 1970. “Se formos para os anos 70, de lá para cá substituímos etanol na gasolina, tivemos carros movidos a etanol, depois os carros flex. Hoje somos importadores de óleo diesel e o principal fornecedor é a Rússia. Então, nós temos um problema referente a criar uma solução para esse descasamento entre gasolina e diesel. Como fazemos para que os biocombustíveis tenham uma presença maior e mais significativa para que possamos substituir o diesel?”, questionou.

Segundo ele, uma das principais mudanças observadas nos últimos anos foi a revolução do etanol de milho, que começou em Mato Grosso. “O que vimos acontecer foi a revolução do etanol de milho, que começou no estado”, afirmou.

Felli também destacou os impactos da Lei Combustível do Futuro, que estima evitar a emissão de 705 milhões de toneladas de CO₂ até 2037. Além disso, a produção combinada de etanol de cana-de-açúcar e milho deverá superar 43 bilhões de litros na safra 2026/27.

O executivo explicou que o avanço do etanol de milho foi impulsionado por fatores econômicos. “O milho era barato. O diesel era caro para chegar e a gasolina também. Agora o etanol de milho tem seu coproduto, o DDG, que representa cerca de 40% da receita de uma empresa de etanol de milho”, disse.

Ele ressaltou ainda que o DDG tem provocado uma transformação significativa na pecuária brasileira. “Uma coisa que não falamos é como mudou o confinamento de gado no Brasil. Hoje, 21% do gado é confinado e, há alguns anos, esse percentual era de 4% ou 5%. Novamente, estamos subindo em uma velocidade assustadora por conta do DDG. Estamos em um processo de revolução da cadeia da proteína animal, dos biocombustíveis e de tudo o que acontece ao redor disso.”

Outro ponto destacado foi o potencial do sorgo como matéria-prima para a produção de etanol. “O sorgo é pouco plantado porque não tem mercado. Mas ele faz o mesmo trabalho do milho em uma planta de etanol. Tem um ciclo mais curto e, depois que fecha a janela do milho, surge uma oportunidade para que o produtor utilize a segunda janela da segunda safra”, explicou.

Ao falar sobre o futuro dos biocombustíveis, Felli destacou que duas questões mudaram o cenário, sendo a competitividade e a tecnologia. “Por que a competitividade é importante? Eu converso com agricultores no mundo todo e a sociedade considerada mais desenvolvida é a europeia, com forte consciência ambiental. Mas toda vez que pergunto sobre combustíveis renováveis, a resposta é a mesma eles aceitam se for econômico ou mandatório.”

Massey Ferguson na linha de frente do etanol

Nesse contexto, a Massey Ferguson trabalha em novas soluções para ampliar a adoção do etanol em máquinas agrícolas.

“Nós devemos lançar, em 2028, um motor a etanol de alta potência. Os problemas que existiam no passado, como aquecimento, foram resolvidos. O trator terá praticamente a mesma curva de torque de um motor diesel, sem perda de energia, tornando-se bastante competitivo. Existe uma competitividade muito grande na conversão para etanol por conta do ganho econômico.”

Além do etanol, Felli apontou o biometano como uma das alternativas mais promissoras para o campo. “O biometano tem aspectos importantes de retorno. É você consumir o biometano nos seus próprios equipamentos.”

Ele lembrou que o desafio atual está na continuidade da produção e na busca por novas biomassas e matérias-primas. Citou ainda a utilização crescente de caminhões movidos a biometano no transporte de cana-de-açúcar.

“Hoje já existem caminhões a biometano puxando cana. Você trabalha oito meses por ano. Então, vamos lançar, no ano que vem, um trator a metano e biometano com as mesmas características de curva de torque de um diesel, a mesma potência e o mesmo desempenho. Para quem produz, isso representa uma redução massiva de consumo.”

O executivo também mencionou outras tecnologias em desenvolvimento, como o motor movido a HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), conhecido como diesel verde, além da eletrificação da frota agrícola por meio do e-100 Vario, da Fendt.

Ao explicar o funcionamento do HVO, Felli destacou que o combustível é produzido a partir do tratamento de óleos vegetais com hidrogênio.

“Nós poderíamos vender motores a HVO, mas hoje não existe oferta suficiente do combustível. Se houver disponibilidade, podemos colocar essa solução no mercado.”

Ao encerrar sua participação, o CEO Global da Massey Ferguson reforçou que o avanço dos biocombustíveis depende da combinação entre sustentabilidade e viabilidade econômica para o produtor rural.

“A economicidade e a Lei dos Biocombustíveis fazem com que esse mercado tenha futuro. É muito melhor quando você consegue ser econômico, trazendo resultado para o agricultor. Essa é a nossa busca com essas máquinas.”

Para Felli, além dos benefícios ambientais, os biocombustíveis representam uma oportunidade única de geração de riqueza para o Brasil. “Isso também gera impacto positivo para o meio ambiente. Não se compara a geração de riqueza do agro com biocombustíveis à do petróleo. O agro tem uma capacidade muito forte de gerar renda, desenvolvimento e oportunidades para o país”, concluiu.

O post A revolução dos biocombustíveis também é uma revolução econômica, pontua CEO da Massey Ferguson apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *