Restrição a antimicrobianos não pode atingir todo o rebanho bovino, advoga Acrimat

O aumento das restrições ao uso de antimicrobianos na pecuária brasileira tem colocado frigoríficos e produtores em lados opostos. Enquanto a indústria e o governo pressionam por medidas mais rígidas para atender as exigências da União Europeia, criadores temem o risco de aumento de custos e perda de produtividade no campo.
Para o diretor-técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi, é cabível apenas cobrar a restrição dessas substâncias em animais que sejam exportados para os países do bloco europeu, mas não para todo o plantel brasileiro.
“O Brasil já é o maior exportador de carne [bovina] do mundo e Mato Grosso se configura como o maior do país. O Brasil já exporta para mais de 150 países e a gente está disposto a atender a exigência de qualquer consumidor”, ressalta.
Contudo, de acordo com ele, os pecuaristas brasileiros já atendem as demandas europeias por meio do Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov) e de todo o globo por meio do Codex Alimentarius, programa da Organização das Nações Unidas (ONU) que estabelece normas internacionais de segurança e qualidade alimentar.
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“Nossa preocupação é que para atender o mercado da Europa, que é um mercado importante, sobretudo do ponto de vista do preço que eles pagam pela tonelada, nós tenhamos que extrapolar isso para toda a produção brasileira.”
Manzi ressalta que parte dos antimicrobianos utilizados pelo setor são específicos para o tratamento de infecções e aplicados em determinados animais, não em todo o rebanho. Ao mesmo tempo, existem as substâncias voltadas para a alimentação animal como fator de crescimento e que deve respeitar o limite máximo exigido pela Organização Mundial de Saúde Animal (Omsa).
“[Esse limite] é respeitado tanto pela indústria desses mesmos antimicrobianos, como pela indústria de nutrição animal, quanto pelos próprios produtores”, enfatiza.
Seleção de animais para a Europa
O diretor-técnico da Acrimat ressalta, ainda, que não haveria problemas em segregar os animais que são exportados para a Europa dos que são vendidos para outras partes do mundo, ainda que 70% da produção bovina seja direcionada ao mercado interno.
“Os animais que vão fornecer a carne que vai para a Europa têm hoje um sistema de identificação individual que é o Sisbov. Dando Mato Grosso como exemplo, temos hoje 129 mil produtores em mais de 120 mil propriedades. Apenas cerca de 460 possuem o Sisbov. Então, [essas propriedades] têm identificação individual que descreve em sua produção quais são os produtos utilizados, qual é o período de carência antes dos animais serem enviados para abate, para que possa atender as exigências desse mercado importante que é a Europa”, detalha.
Manzi também enfatiza que a partir do momento em que esses produtores habilitados com o Sisbov tenham um custo maior, é provável que seus preços sejam elevados.
A União Europeia anunciou que deve retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de orgem animal, como carnes, ovos e mel pelo uso de antimicrobianos na produção. A medida passa a valer a partir de 3 de setembro. O governo brasileiro trabalha para reverter a decisão.
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