Safra de incertezas? Custos elevados, endividamento e El Niño extremo tiram o sono do sojicultor e ameaçam rentabilidade

O vazio sanitário da soja já está em vigor em diversas regiões do Brasil e, em outras, começa em breve. O período, essencial para o controle da ferrugem asiática, também marca o início dos preparativos para a safra 2026/27. No entanto, o cenário para o próximo ciclo preocupa o produtor rural.
Mesmo após uma safra 2025/26 recorde, o clima de otimismo não se sustenta. O setor enfrenta uma combinação delicada de fatores, como endividamento agrícola, dificuldade de acesso ao crédito, custos elevados com insumos e preços pressionados no mercado.
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A Aprosoja São Paulo alerta que o momento exige cautela redobrada. A relação de troca, indicador importante para o produtor, segue desfavorável, exigindo planejamento rigoroso.
“Vamos para a próxima safra com incertezas constantes, tanto no cenário nacional quanto internacional, especialmente em relação aos fertilizantes e insumos. Mais do que nunca, é preciso fazer conta e agir com cautela”, destaca Andrey Rodrigues, presidente da associação.
Em Goiás, após o encerramento da safrinha, o estado entra no período de vazio sanitário. Por lá, cerca de 20% da safra 2026/27 já foi comercializada, com produtores aproveitando oportunidades de barter para antecipar a compra de insumos. Ainda assim, o ritmo de negócios segue abaixo da média histórica para esta época do ano.
O retorno do El Niño
Além das questões econômicas, o clima surge como o principal fator de preocupação. O retorno do El Niño reacende o alerta no campo. O fenômeno deve ganhar intensidade ao longo do segundo semestre de 2026 e pode se estender até o início de 2027. Para a sojicultura, isso representa mudanças importantes no regime de chuvas e aumento do risco de eventos climáticos extremos.
De acordo com projeções meteorológicas, o Centro-Oeste e o Sudeste devem enfrentar atraso no início das chuvas, o que pode comprometer a janela ideal de plantio. A regularização das precipitações é esperada apenas entre o fim de outubro e o início de novembro.
Por fim, no Sul do país, o cenário é oposto, com a tendência de aumento no volume de chuvas, o que pode favorecer a produtividade. Já no Matopiba e em áreas do Norte e Nordeste, a previsão é de redução das chuvas e elevação das temperaturas, aumentando o risco de perdas e atrasos no plantio.
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