Qualidade do sorgo começa antes do plantio
A qualidade das sementes de sorgo depende de decisões tomadas antes mesmo do plantio. A escolha criteriosa das áreas, o controle de contaminantes e o manejo integrado são etapas determinantes para assegurar pureza genética, alta qualidade fisiológica e padrão produtivo.
A produção de sorgo no Brasil tem avançado nos últimos anos e passou a ocupar espaço estratégico no agronegócio. A cultura se destaca pela versatilidade, rentabilidade e eficiência em usos como alimentação humana e animal, biomassa e biocombustíveis. Parte desse avanço está ligada à melhoria das sementes, impulsionada por pesquisa, melhoramento genético e tecnologias de produção.
Na etapa inicial, a seleção dos campos de produção busca garantir pureza genética e preservar características como vigor, germinação e sanidade. Esses fatores influenciam o estabelecimento uniforme da lavoura, a expressão do potencial produtivo e a segurança do produtor.
Segundo José Geraldo Mendes, engenheiro agrônomo e responsável pela área de supply chain da Advanta Seeds, a análise das áreas considera solos férteis, topografia adequada, disponibilidade hídrica, baixa pressão de pragas, doenças e plantas daninhas, além da parceria com produtores tecnificados. Regiões acima de 800 metros tendem a oferecer melhores condições para adaptação, desempenho das linhagens e qualidade final da semente.
A definição da janela de plantio também interfere na performance das linhagens. O manejo integrado orienta etapas que vão da seleção da área ao controle químico, com o objetivo de reduzir interferências capazes de comprometer germinação e vigor.
A manutenção da integridade genética exige isolamento rigoroso. A seleção das áreas avalia riscos internos, como plantas voluntárias de cultivos anteriores, e externos, vindos de áreas vizinhas. A Advanta adota padrões de isolamento superiores aos exigidos pelo Mapa e, em algumas situações, descarta áreas com possíveis contaminantes em raio inferior a 1.500 metros.
Durante o florescimento, equipes técnicas realizam inspeções visuais para eliminar plantas atípicas, com diferenças de cor, porte, ciclo ou características fenotípicas. A atenção é maior em relação ao Capim Massambará, planta daninha de difícil controle e alto potencial de contaminação.
Na colheita e no beneficiamento, o controle da umidade é decisivo para preservar germinação, vigor e integridade física. Após a secagem, avaliações de eficiência e performance ajudam a assegurar que o produto final mantenha suas características genéticas e fisiológicas.

