Bloqueio no orçamento da ANA ameaça monitoramento hídrico e fiscalização de barragens

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) informou, nesta quinta-feira (4), que o bloqueio de R$ 44,9 milhões em seu orçamento de 2026 pode comprometer atividades consideradas essenciais para a segurança hídrica no Brasil. Segundo a autarquia, a restrição ocorre em um cenário de previsão de intensificação de eventos climáticos extremos associados ao fenômeno El Niño. A agência afirma que a redução de recursos afeta monitoramento, fiscalização e apoio técnico em áreas estratégicas.
De acordo com a ANA, um dos principais efeitos do bloqueio recai sobre a operação e a manutenção da Rede Hidrometeorológica Nacional, composta por mais de 4,5 mil estações de monitoramento de rios e chuvas distribuídas pelo país. Esses dados são usados na emissão de alertas de enchentes e estiagens, no apoio às Defesas Civis e no planejamento do abastecimento de água, da irrigação, da navegação, da geração hidrelétrica e da gestão de reservatórios.
A agência informou, em nota, que a redução de recursos pode diminuir a produção dessas informações, o que tende a afetar a capacidade de prevenção e resposta a eventos extremos. No setor agropecuário, esse monitoramento é uma base técnica para decisões sobre uso de água, manejo de irrigação, planejamento de safra e avaliação de risco climático em diferentes regiões.
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O contingenciamento também deve limitar a fiscalização de 197 barragens sob responsabilidade da ANA. Segundo a autarquia, haverá redução de inspeções presenciais, visitas técnicas e ações de acompanhamento preventivo dessas estruturas. A agência também aponta impacto sobre programas de capacitação técnica e estudos que subsidiam normas regulatórias para o saneamento básico.
Outro ponto citado é a diminuição de investimentos em tecnologia da informação e cibersegurança. A ANA não detalhou, até o momento, como o bloqueio será distribuído entre as áreas afetadas nem informou eventual cronograma de recomposição orçamentária.
Com menor capacidade operacional, a ANA indica que atividades ligadas ao monitoramento hidrológico, à fiscalização e à preparação para secas e cheias podem ser reduzidas em 2026. Até o momento, não há informação oficial sobre revisão do bloqueio nem estimativa pública do alcance operacional dessa limitação por região.
Fonte: Estadão Conteúdo
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