Proposta de tarifa de 25% pode reduzir competitividade do etanol brasileiro
A tarifa dos EUA proposta em 25% sobre produtos brasileiros colocou o agronegócio em alerta, mesmo com parte dos alimentos primários fora da lista de maior impacto. A avaliação é de que a medida pode atingir principalmente setores exportadores com forte exposição ao mercado internacional, como biocombustíveis, celulose, madeira e couro, ao elevar custos, dificultar contratos e ampliar cobranças sobre origem e conformidade socioambiental.
O etanol brasileiro aparece como um dos pontos mais sensíveis da proposta norte-americana. Segundo André Aidar, doutor e mestre em Agronegócio, sócio e Head de Direito do Agronegócio no Lara Martins Advogados, a tarifa altera a competitividade do produto ao encarecer sua entrada nos Estados Unidos. Com isso, o biocombustível nacional perde parte da vantagem associada ao diferencial ambiental e passa a disputar espaço em condições menos favoráveis diante do etanol produzido no próprio mercado americano.
Para Aidar, o problema não está apenas no percentual da tarifa, mas no efeito que ela pode provocar sobre contratos e margens comerciais. “Na prática, a tarifa funciona como uma barreira artificial: não discute apenas eficiência ou sustentabilidade, mas altera o preço relativo e pode deslocar contratos, margens e previsibilidade comercial”, afirma. O especialista observa que o biocombustível está no centro da justificativa dos Estados Unidos, que alegam tratamento desigual no acesso ao mercado brasileiro.
Caso a tarifa avance, empresas brasileiras podem ser levadas a buscar novos destinos para produtos que naturalmente iriam ao mercado norte-americano. Esse movimento tende a reorganizar fluxos comerciais e pode gerar excesso de oferta em alguns mercados, queda de preços em determinados destinos, aumento de custos logísticos e necessidade de renegociar contratos já firmados. Do lado dos compradores americanos, a busca por fornecedores alternativos também pode pressionar preços internacionais.
Aidar pondera que esse efeito não deve ocorrer de forma automática nem igual para todas as cadeias. Ainda assim, ele considera o risco relevante para setores integrados, como energia, fibras, madeira, couro e insumos agroindustriais. A principal preocupação está na perda de previsibilidade em um ambiente no qual exportadores dependem de contratos estáveis, planejamento logístico e segurança regulatória para sustentar margens.
“A consequência principal desse cenário imposto pela taxação é mais volatilidade e menos previsibilidade para produtores, indústrias e exportadores brasileiros”, conclui Aidar. O desafio para o agro brasileiro será preservar mercados, evitar perda de competitividade e demonstrar regularidade nas cadeias produtivas em um cenário internacional mais sensível a critérios comerciais e socioambientais.

