terça-feira, junho 2, 2026
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Inadimplência rural sobe para 8,2% e amplia debate sobre renegociação


Tereza Cristina diz que PL das dívidas rurais trata de R$ 170 bilhões

Dados recentes da Serasa Experian mostram que a inadimplência da população rural encerrou 2025 em 8,2%, acima dos 7,2% registrados no mesmo período de 2024. O avanço ocorre em meio à discussão do Projeto de Lei 5.122/2023, que prevê renegociação de dívidas rurais e avançou na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O debate também envolve divergências sobre juros, exigência de entrada e uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal.

O levantamento da Serasa Experian considera dívidas vencidas há mais de 180 dias junto a empresas ligadas ao agro, como bancos, transportadoras e seguradoras. Segundo o estudo, a maior parte das pendências segue concentrada no sistema financeiro, o que reforça a relação entre endividamento rural e acesso ao crédito.

Por perfil, os arrendatários apresentaram o maior nível de inadimplência, com 9,9%. Na sequência aparecem os produtores de grande porte, com 9,8%, os médios, com 8,3%, e os pequenos, com 7,8%.

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Os dados do Banco Central, referentes a abril de 2026, mostram que a inadimplência nas operações de crédito rural com recursos direcionados chegou a 7,4%, o segundo maior nível desde 2011, início da série histórica citada. No crédito rural com taxas de mercado, o índice foi de 13,3%. Já nas operações com taxas reguladas, a inadimplência ficou em 3,1%.

Nesse cenário, o PL 5.122/2023 passou pela CAE do Senado, mas enfrenta resistência do Executivo. Um dos pontos de divergência é o desenho da linha especial de renegociação. A proposta defendida pelo governo previa entrada entre 10% e 20% e juros de 6% a 12%. O texto aprovado pela comissão retirou a exigência de entrada e fixou juros entre 3,5% e 7,5%.

Segundo o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), a bancada pretende atuar para manter o texto aprovado no Senado e avançar com a proposta na Câmara.

Os indicadores mostram deterioração no quadro de pagamento de dívidas no campo e ajudam a explicar a pressão por uma solução legislativa. O efeito prático sobre produtores e agentes financeiros dependerá da tramitação do projeto e de eventual apresentação de medida alternativa pelo Executivo, já que ainda não há definição final sobre as regras de renegociação.

Fonte: agencia.fpagropecuaria.org.br

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