quinta-feira, maio 28, 2026
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Mercado do café reage após fortes quedas


A última semana foi marcada por recuperação nos preços do café nas bolsas internacionais, em meio à redução dos estoques certificados, atraso na colheita brasileira e divulgação das primeiras estimativas globais para a safra 2026/27. A avaliação foi feita por Leonardo Rossetti, da StoneX, ao comentar os principais movimentos do mercado global da commodity.

Segundo Rossetti, os contratos futuros encerraram a semana em alta nas principais bolsas internacionais. “Os futuros de café encerraram a última semana em alta, com avanço de cerca de 2% na Bolsa de Nova York e de 2,7% na Bolsa de Londres. O movimento foi influenciado principalmente por uma correção técnica, após as fortes quedas registradas na semana anterior, quando os preços em Nova York atingiram os menores níveis em aproximadamente um ano e meio”, afirmou.

O analista destacou ainda que a redução dos estoques certificados ajudou a sustentar as cotações no curto prazo. “Além disso, o mercado encontrou suporte na redução dos estoques certificados, que recuaram de cerca de 650 mil para 600 mil sacas — um patamar historicamente baixo e que contribui para sustentar os preços no curto prazo”, explicou.

Outro fator acompanhado pelo mercado é o ritmo da colheita brasileira. De acordo com a StoneX, os trabalhos no campo seguem abaixo da média histórica. “Outro fator relevante é o atraso da colheita brasileira. Segundo estimativas da StoneX, a colheita de café no Brasil alcançou cerca de 14% até o momento, abaixo da média histórica de 21% para este período. Esse cenário mantém o mercado, especialmente o de arábica, ainda relativamente apertado”, disse Rossetti.

As atenções do setor também se voltaram para as primeiras projeções da safra 2026/27 divulgadas pelo USDA. “O principal destaque da semana, porém, foi a divulgação das primeiras estimativas do USDA para a safra 2026/27 em importantes países produtores. Entre os destaques, o USDA projetou produção de 32,5 milhões de sacas no Vietnã, alta de 2,5%, enquanto a Colômbia deve atingir 13,4 milhões de sacas, crescimento de 7% frente à temporada anterior”, relatou.

Por outro lado, a Indonésia teve revisão negativa nas estimativas de produção devido ao excesso de chuvas. “Por outro lado, a Indonésia teve estimativa revisada para baixo, em 11,3 milhões de sacas, refletindo impactos climáticos associados ao excesso de chuvas”, observou o analista.

No balanço parcial divulgado até agora pelo USDA, a produção global de café deverá crescer 1,7% na comparação anual. “No consolidado parcial divulgado até agora pelo USDA, a produção global de café apresenta crescimento de 1,7% na comparação anual, em linha com as projeções da StoneX, que também apontam recuperação da produção global e um superávit de aproximadamente 10 milhões de sacas na temporada 2026/27”, afirmou Rossetti.

O mercado, porém, ainda aguarda os números oficiais para a produção brasileira, que devem ter impacto relevante sobre as próximas movimentações de preços. “O mercado agora volta as atenções para os números do Brasil, que ainda não foram divulgados pelo USDA e devem ter influência importante sobre os preços nas próximas semanas”, destacou.

Mesmo com perspectiva de aumento da produção mundial, a expectativa para os estoques finais segue apertada. “Um ponto que chamou atenção nas divulgações do USDA foi a perspectiva para os estoques finais. Mesmo com aumento da produção em diversos países, o acumulado parcial aponta queda de 11% nos estoques finais globais para a próxima temporada”, comentou.

Segundo Rossetti, a recomposição dos estoques deve ocorrer de forma desigual entre os países produtores. “Essa visão reforça uma percepção que já temos destacado na StoneX: embora o mercado caminhe para uma recomposição dos estoques globais, essa recuperação deve ocorrer de forma desigual, com o Brasil concentrando parcela maior desses estoques em relação aos anos anteriores”, explicou.

Na avaliação do analista, esse cenário pode manter a volatilidade elevada nos próximos meses. “Isso pode gerar distorções regionais e períodos pontuais de aperto na oferta, mantendo um ambiente de maior volatilidade para o mercado. Também chama atenção o fato de o USDA apontar estoques finais mais baixos em grandes produtores como Vietnã, Colômbia, Etiópia, Uganda e Índia, o que sugere uma demanda global ainda resiliente”, afirmou.

Apesar da expectativa de superávit global e de preços médios mais baixos em relação ao ano anterior, Rossetti avalia que os estoques reduzidos ainda oferecem sustentação ao mercado. “Apesar da expectativa de superávit global e de preços médios mais baixos em relação ao ano passado, esse cenário de estoques mais apertados pode continuar oferecendo suporte ao mercado, especialmente dependendo das próximas estimativas para o Brasil”, concluiu.





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