quarta-feira, maio 27, 2026
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Estudo identifica mercúrio e chumbo em caranguejo-uçá no litoral do Paraná


Estudo identifica mercúrio e chumbo em caranguejo-uçá no litoral do Paraná

Pesquisadores do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar) identificaram a presença de mercúrio e chumbo em exemplares de caranguejo-uçá no litoral do Paraná. O estudo foi conduzido em áreas de manguezal da região de Paranaguá e apontou que a ocorrência dos contaminantes varia conforme o local e a época do ano. Segundo a equipe responsável, ainda são necessários novos levantamentos para dimensionar possíveis efeitos do consumo humano.

A pesquisa é coordenada pela professora Cassiana Baptista Metri, da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), que também atua no Rebimar. De acordo com a pesquisadora, além de zinco, manganês e magnésio, foram detectados nos crustáceos elementos não desejáveis, como mercúrio e chumbo. Até o momento, o estudo não indica presença constante desses contaminantes em todos os pontos monitorados.

Os dados mais recentes do governo do Paraná mostram que a pesca de caranguejo movimentou cerca de R$ 9,8 milhões no estado em 2024. Entre os municípios de destaque na atividade estão Guaraqueçaba, Guaratuba, Paranaguá, Antonina e Pontal do Paraná. Nesse contexto, o monitoramento ganha relevância para pescadores, extrativistas, comércio local e consumidores.

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Segundo Cassiana, a etapa atual busca calcular quanto o consumo de um caranguejo potencialmente contaminado pode representar em exposição a metais que podem se acumular no organismo. Ela informou que o consumo do uçá é sazonal e concentrado regionalmente, sobretudo fora do período de defeso, entre dezembro e meados de março.

A pesquisadora relatou ainda que os animais avaliados apresentaram atividade normal, sem sinais evidentes de comprometimento biológico. Entre as hipóteses em análise estão a eliminação de contaminantes pela carapaça, que é renovada periodicamente, e um possível efeito associado à alimentação do caranguejo, baseada em folhas de mangue.

A área monitorada fica próxima ao Porto de Paranaguá, além de zonas turísticas e territórios tradicionais. A pesquisa não apresentou, até agora, conclusão definitiva sobre a origem dos contaminantes nem sobre limite de risco ao consumo.

O resultado reforça a necessidade de continuidade do monitoramento em manguezais e de estudos complementares sobre bioacumulação, origem dos metais e segurança alimentar. Sem esses dados adicionais, não há base técnica suficiente para estimar impacto direto sobre a atividade extrativa ou para definir orientação sanitária mais ampla.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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