Exclusão do café de tarifas nos EUA preserva mercado de US$ 2,5 bilhões

A exclusão de todos os produtos de café da nova rodada de tarifas proposta pelos Estados Unidos preserva um mercado de aproximadamente US$ 2,5 bilhões por ano para o setor brasileiro, segundo o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos. A decisão mantém fora da sobretaxa o café verde, o café torrado e moído e o café solúvel embarcados ao mercado norte-americano.
Matos afirmou que a retirada do café da lista tarifária representa uma vitória para a cafeicultura brasileira no contexto da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre o combate ao uso de trabalho forçado em cadeias produtivas de cerca de 60 países. Nesse processo, estavam previstas tarifas de 10% e de 12,5%, faixa na qual o Brasil havia sido enquadrado.
Segundo o executivo, o resultado foi construído em articulação do Cecafé com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e a National Coffee Association (NCA), entidade que representa a indústria de café dos Estados Unidos. De acordo com ele, ao longo de mais de um ano foram realizadas mais de cem reuniões com representantes dos departamentos de Comércio, Estado, Agricultura e do USTR.
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Entre os argumentos apresentados, Matos destacou a relevância do café brasileiro para o abastecimento dos Estados Unidos. Segundo ele, mais de 70% da população norte-americana consome café, e o Brasil responde por cerca de 34% desse mercado. Também afirmou que o texto da decisão reconhece a importância da indústria de café solúvel para estabilizar os preços ao consumidor e abastecer a indústria local.
O Cecafé também reuniu informações sobre práticas trabalhistas na cafeicultura brasileira. Segundo Matos, os dados mostram mais de 58 mil fiscalizações no campo nos últimos anos, com menos de 1% dos casos relacionado a problemas de direitos humanos. O executivo citou ainda redução de 25,4% da chamada lista suja do trabalho análogo ao escravo desde janeiro e informou que mais de 600 técnicos multiplicadores já foram capacitados para orientar cafeicultores sobre contratação regular e formalização da mão de obra.
Com a exclusão do café da nova rodada de tarifas dos Estados Unidos, o setor mantém livres de sobretaxa os principais produtos exportados ao mercado norte-americano e preserva, segundo o Cecafé, um fluxo anual de cerca de US$ 2,5 bilhões.
Fonte: Estadão Conteúdo
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