El Niño deve voltar em junho e aumentar risco de extremos climáticos no Brasil

O fenômeno El Niño deve voltar a influenciar o clima no Brasil já no início de junho e pode aumentar o risco de eventos extremos nos próximos meses, segundo o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller.
Segundo Müller, os modelos climáticos indicam a formação do fenômeno entre o fim de maio e o começo de junho, com atuação prevista até fevereiro de 2027. A expectativa é de intensificação do El Niño entre a primavera e o verão, elevando a probabilidade de um episódio considerado forte.
Chuvas acima da média devem beneficiar milho safrinha
Para junho, a previsão aponta chuvas acima da média na região Sul e avançando para áreas do Brasil Central, Rondônia e parte do Sudeste. De acordo com o meteorologista, esse cenário pode favorecer principalmente as lavouras de milho segunda safra que ainda estão em fase de desenvolvimento.
Apesar disso, a região Norte e parte do Nordeste devem enfrentar volumes abaixo da média. O alerta vale principalmente para o norte do Pará, Roraima e norte do Amazonas, além da faixa litorânea nordestina, onde as ondas de leste devem manter chuva irregular nas próximas semanas.
Centro-Sul pode enfrentar excesso de chuva no segundo semestre
A tendência para julho mantém o padrão de chuvas acima da média no Centro-Sul do país, enquanto o Norte e parte do Nordeste seguem com precipitações abaixo do normal.
Já para setembro e outubro, período considerado decisivo para o início da semeadura da safra 2026/27, os modelos indicam excesso de chuva na região Sul, principalmente no interior do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Por outro lado, áreas do Centro-Oeste, Sudeste e interior do Matopiba devem enfrentar atraso no retorno das chuvas, o que pode comprometer o calendário de plantio da próxima safra.
Calor e baixa umidade aumentam risco de incêndios
Além da irregularidade das chuvas,Müller alerta para temperaturas acima da média no Centro-Oeste e Sudeste ao longo dos próximos meses.
O cenário deve elevar o risco de queimadas e focos de incêndio, principalmente entre junho e outubro. Segundo o meteorologista, ondas de calor mais intensas podem dificultar a regularização das chuvas no início da primavera.
Nova onda de frio pode provocar geadas em junho
Apesar do calor previsto para boa parte do país, o avanço de massas de ar frio também segue no radar. A primeira semana de junho pode registrar a segunda onda de frio do ano, com temperaturas próximas de 0°C no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, sul de Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo.
O cenário aumenta o risco de geadas em áreas produtoras, principalmente sobre lavouras de milho segunda safra.
A friagem também deve atingir Acre, Rondônia e o sul do Amazonas nos próximos dias.
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