Câmara aprova projeto que restringe embargo ambiental por imagem de satélite

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (20) o projeto de lei 2.4564/2025, que regula a aplicação de medidas administrativas cautelares na área ambiental. Na prática, o texto veda embargos e restrições aplicados exclusivamente com base em imagens de satélite, sem notificação prévia, contraditório ou validação adequada. A proposta foi aprovada em votação simbólica e agora será analisada pelo Senado.
Segundo o texto aprovado, medidas cautelares não poderão ser usadas como antecipação de sanções administrativas, sob pena de nulidade do processo. A proposta também estabelece a necessidade de notificação prévia em prazo razoável antes da adoção da medida e diferencia sanções administrativas de providências cautelares.
A relatora, deputada federal Marussa Boldrin (Republicanos-GO), afirmou que o projeto busca assegurar ampla defesa e contraditório aos produtores rurais. Em defesa da proposta, a parlamentar declarou que propriedades têm sido embargadas com base em apontamentos de sistemas remotos, sem fiscalização presencial e sem defesa prévia.
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O tema ganhou relevância no setor após a concessão de crédito rural ter sido condicionada ao uso de dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) desde 1º de abril. Esse ponto foi revisado pelo Conselho Monetário Nacional na última semana, conforme o conteúdo informado.
Para o setor agropecuário, a discussão envolve dois efeitos centrais. O primeiro é operacional, porque embargos e restrições administrativas podem limitar o uso da área e afetar a rotina da produção. O segundo é financeiro, já que apontamentos ambientais podem interferir no acesso ao crédito rural, dependendo das regras vigentes e da forma de validação das informações.
Por outro lado, o Ministério do Meio Ambiente e entidades ambientalistas se posicionaram contra a proposta. A avaliação desses grupos é que a medida pode enfraquecer a fiscalização ambiental e reduzir a efetividade das ações cautelares em casos de infração identificada por monitoramento remoto.
Como o projeto ainda será analisado pelo Senado, os efeitos práticos para produtores, instituições financeiras e órgãos de fiscalização dependem da tramitação final e da eventual sanção. Até lá, permanece a discussão sobre o equilíbrio entre fiscalização ambiental, segurança jurídica e acesso ao crédito no setor rural.
Fonte: Estadão Conteúdo
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