Setor do arroz avalia novos hábitos de consumo
As mudanças nos hábitos de consumo vêm ampliando o debate sobre o papel dos alimentos tradicionais na rotina dos brasileiros, especialmente em cadeias que historicamente tiveram presença constante no prato da população. A avaliação é de Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, ao analisar os sinais de transformação no setor do arroz.
Segundo ele, temas como safra, produtividade, clima, exportações, custos, mercado e preços seguem fundamentais para quem atua nessa cadeia. No entanto, a discussão também precisa avançar sobre quem está no fim desse processo: o consumidor. A reflexão parte da percepção de que, durante décadas, arroz e feijão ocuparam espaço quase automático na mesa dos brasileiros, mas esse comportamento já não pode ser observado da mesma forma.
O consumidor atual vive uma rotina diferente. As famílias estão menores, o tempo disponível diminuiu e os aplicativos passaram a fazer parte do dia a dia. Ao mesmo tempo, a conveniência ganhou importância, dietas passaram a influenciar escolhas e a proteína assumiu maior protagonismo em muitas conversas sobre alimentação. Nesse contexto, a decisão de compra não envolve apenas o alimento em si, mas também praticidade, tempo, experiência e identificação.
A análise não aponta para o abandono do arroz pelo brasileiro, mas sugere uma mudança na forma de observar o consumo. Em vez de discutir apenas quanto arroz é consumido, o setor passa a enfrentar uma questão mais ampla: qual espaço o produto continuará ocupando na vida das próximas gerações.
Para Cardoso, mudanças de hábito não acontecem de maneira brusca. Elas começam pela rotina, depois alteram a frequência e, com o tempo, podem modificar aspectos culturais. Por isso, o desafio do setor nos próximos anos pode ir além de produzir mais ou acompanhar preços e mercados. A tarefa também envolve manter o arroz relevante no prato, no cotidiano e na percepção do consumidor.

