terça-feira, maio 19, 2026
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Fazenda eleva projeção da inflação para 4,5%


O Ministério da Fazenda elevou de 3,7% para 4,5% a projeção de inflação para este ano, levando a estimativa oficial ao limite máximo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. A revisão foi divulgada no Boletim Macrofiscal, publicado nesta segunda-feira (18) pela Secretaria de Política Econômica, e reflete os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo. A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 2,3% para este ano e em 2,6% para 2027.

O documento reúne previsões econômicas que servem de base para a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. O texto, que deve ser enviado ao Congresso Nacional na sexta-feira (22), orienta a execução do Orçamento federal e inclui indicações de bloqueios e contingenciamentos para cumprimento das metas fiscais.

Segundo a equipe econômica, a principal pressão inflacionária veio da alta do petróleo no mercado internacional, que superou os US$ 110 por barril em meio às tensões no Golfo Pérsico. “A perspectiva de maior inflação no ano reflete, principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados”, informa a Secretaria de Política Econômica no relatório.

O governo afirmou, porém, que parte do impacto deverá ser reduzida pela valorização do real e por medidas adotadas para conter o repasse dos combustíveis ao consumidor. “Parte do impacto do choque nos preços do petróleo será contrabalanceada pelos efeitos do real mais apreciado, e por medidas mitigatórias adotadas pelo Governo Federal”, destacou o documento.

Com a revisão, a projeção oficial de inflação ficou exatamente no teto do sistema de metas contínuas, que estabelece centro de 3% e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Para 2027, a estimativa de inflação também foi elevada, passando de 3% para 3,5%.

Apesar da piora no cenário inflacionário, o Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a previsão de crescimento econômico para este ano. Para 2027, a expectativa também foi preservada em 2,6%, percentual que a equipe econômica projeta para os anos seguintes.

A avaliação da equipe econômica é de desaceleração gradual da atividade nos próximos trimestres devido aos efeitos da política monetária restritiva, com retomada parcial prevista para o fim do ano. “No primeiro trimestre, a projeção agregada também foi preservada, embora com alterações de composição: a indústria passou a contribuir menos, os serviços ganharam participação e a agropecuária manteve sua contribuição”, informa a Secretaria de Política Econômica.

O governo prevê uma desaceleração mais intensa no segundo e terceiro trimestres, seguida de recuperação parcial da indústria no encerramento do ano.

As estimativas do governo seguem acima das projeções do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil, analistas projetam inflação de 4,92% neste ano e crescimento econômico de 1,85%.

A Secretaria de Política Econômica afirmou que segue monitorando os riscos internacionais, mas destacou a resiliência do mercado de trabalho brasileiro como fator de sustentação da atividade econômica.

A alta do petróleo também deve ampliar as receitas do governo federal. De acordo com cálculos da Secretaria de Política Econômica, o avanço nos preços da commodity pode elevar a arrecadação em cerca de R$ 8,5 bilhões por mês.

O cálculo considera receitas provenientes de royalties, dividendos, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Exportação ligados ao setor petrolífero. “O ganho arrecadatório viabiliza uma resposta fiscal firme e responsável, aliada da política monetária e do compromisso com a consolidação em curso”, destaca a Secretaria de Política Econômica.

Com informações da Agência Brasil*





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