Tarifas dos EUA devem ter nova volatilidade
Podem ser apresentados pedidos referentes a declarações de importação
Agrolink
– Leonardo Gottems

Podem ser apresentados pedidos referentes a declarações de importação – Foto: Pixabay
A política tarifária dos Estados Unidos deve seguir como fator de atenção para empresas que dependem de importações, especialmente em setores ligados a equipamentos, máquinas e processamento de alimentos. Embora as tarifas tenham se mantido relativamente estáveis nos últimos meses, a expectativa é de maior volatilidade daqui para frente, com mudanças regulatórias, prazos judiciais e novas investigações comerciais no radar.
Durante um BEMA-U Market Minute, série trimestral de webinars da Associação de Fabricantes de Equipamentos de Panificação, Shawn Jarosz, fundadora e estrategista-chefe de comércio da TradeMoves, afirmou que o setor não deve se acomodar diante da aparente estabilidade recente. Segundo ela, o cenário atual representa uma calmaria temporária, e as empresas precisam se preparar para oscilações nas tarifas.
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de considerar ilegal o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional como mecanismo tarifário abriu caminho para o início dos reembolsos. De acordo com Jarosz, US$ 35 bilhões já foram devolvidos a importadores registrados, de um total de US$ 175 bilhões arrecadados com as tarifas vinculadas à lei. Nesta fase, podem ser apresentados pedidos referentes a declarações de importação ainda não liquidadas ou com vencimento recente. Apenas importadores registrados ou despachantes aduaneiros podem solicitar os valores.
Ainda há incerteza sobre o alcance desses reembolsos. O governo Trump tem até 6 de junho para recorrer da abrangência do processo, o que pode definir se a devolução valerá para todos os pagadores das tarifas ou apenas para os autores nomeados na ação judicial. Por isso, Jarosz recomendou que importadores e corretores apresentem os pedidos rapidamente.
Mesmo com a revogação das tarifas ligadas à lei, elas foram substituídas pela Seção 122, que estabeleceu uma taxa de 10% sobre importações de todos os países, com exceção de produtos do Canadá e do México em conformidade com o USMCA. A medida vale por 150 dias, até 24 de julho, e funciona como transição para possíveis novas tarifas baseadas nas seções 301 e 232.

