sexta-feira, maio 15, 2026
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Rotação de culturas ajuda a frear diplodia no milho


Manejo de palhada, rotação de culturas e regulagem de colheita ajudam a diminuir o inóculo do fungo no solo e nos restos culturais.

A podridão de diplodia no milho, causada principalmente por Stenocarpella maydis e Stenocarpella macrospora, exige atenção no período pós-colheita, especialmente entre março e agosto, nas principais regiões produtoras do país. O manejo correto da palhada, do solo e da rotação de culturas é decisivo para reduzir a pressão da doença nas safras seguintes.

De acordo com referências técnicas da Embrapa citadas no material original, a podridão de diplodia sobrevive em grande quantidade nos restos culturais de milho deixados na lavoura, como sabugos, palha, colmos e grãos sobre o solo. Nesses resíduos, o fungo forma estruturas de resistência chamadas picnídios, responsáveis pela produção e liberação de esporos em períodos de chuva, orvalho intenso ou molhamento prolongado.

Em sistemas com sucessão intensiva de milho, como milhomilho ou áreas com elevada frequência da cultura, os restos infectados mantêm a doença ativa na lavoura. O objetivo do manejo, portanto, não é eliminar totalmente o fungo, mas reduzir o inóculo a níveis que diminuam infecções em espigas e colmos. Sistemas de plantio direto mal conduzidos, com alta repetição de milho e excesso de restos infectados, podem transformar a área em um reservatório permanente de inóculo.

A recomendação não é retirar toda a palhada, já que ela protege o solo contra erosão, conserva umidade e contribui para o aumento da matéria orgânica. O foco deve estar na distribuição uniforme dos resíduos, evitando faixas com acúmulo de sabugos e colmos contaminados.

A trituração moderada pode favorecer a decomposição dos restos culturais, principalmente em regiões com boa umidade no outono e no inverno. Já a queima da palhada é desaconselhada, por provocar perda de nutrientes, reduzir matéria orgânica, expor o solo e gerar risco ambiental.

A regulagem da colhedora é uma das primeiras medidas para reduzir a pressão da diplodia. Perdas de espigas inteiras, grãos doentes e sabugos acumulados no campo aumentam a fonte de inóculo para a safra seguinte.

A colheita deve priorizar ajustes na altura de corte, velocidade de avanço e rotação dos mecanismos. A distribuição da palhada na largura da plataforma também precisa ser observada. A checagem de perdas em campo, com bandejas ou contagem visual, ajuda o produtor a corrigir falhas operacionais e reduzir a permanência de material infectado na superfície do solo.

A rotação de culturas é apontada como uma das principais estratégias para diminuir doenças associadas ao solo e aos restos culturais. No caso da diplodia, o uso de culturas não hospedeiras ajuda a interromper o ciclo do fungo. Entre as alternativas estão soja, feijão, algodão e plantas de cobertura, como milheto, crotalária e algumas braquiárias, conforme o sistema de produção.

A sucessão milho-milho deve ser evitada em áreas com histórico de alta severidade da doença. Também é importante controlar plantas voluntárias de milho, conhecidas como tigueras, que podem atuar como ponte verde para o patógeno entre safras.

As plantas de cobertura também cumprem papel estratégico no manejo da diplodia. Elas diversificam o sistema radicular, estimulam a microbiota do solo e favorecem a atividade de fungos e bactérias decompositoras.

Esse processo acelera a quebra de sabugos e colmos infectados, reduzindo o tempo de sobrevivência efetiva do patógeno nos restos culturais.

Além disso, coberturas bem manejadas melhoram a estrutura do solo, a drenagem e a aeração, condições que podem reduzir ambientes favoráveis ao avanço de podridões em colmo e raiz.

O controle da podridão de diplodia não depende de uma prática isolada. Segundo o material técnico, a redução do inóculo deve ser combinada com escolha de híbridos mais tolerantes, manejo nutricional equilibrado, controle de pragas de espiga e colmo e uso correto de fungicidas quando necessário.

Danos causados por insetos favorecem a entrada do fungo, enquanto desequilíbrios nutricionais podem aumentar acamamento e predispor plantas a infecções mais severas.

As aplicações de fungicidas, quando utilizadas, devem seguir rótulo, bula, legislação vigente e receituário agronômico. A eficácia dessas ferramentas, porém, é limitada quando há alta carga de inóculo no ambiente.





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