Feira agrícola tem queda histórica
A retração nos investimentos em tecnologia agrícola expôs em 2026 um ambiente de maior cautela no campo. Segundo Marco Aurélio Vieira da Silva, diretor de ecossistema, a Agrishow 2026 registrou R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios, queda de 22% ante os R$ 16,4 bilhões de 2025.
O resultado marca a primeira contração em 11 anos e apenas a segunda queda em 31 edições da feira. Com correção pela inflação, o recuo chega a 25%, indicando perda real de fôlego no setor.
Os dados de máquinas confirmam o enfraquecimento. No primeiro trimestre, as vendas caíram 19,9% ante 2025. A comercialização de tratores ficou em 9 mil unidades, contra 10 mil no ano anterior. Entre as colheitadeiras, a retração superou 40%.
A leitura é de um problema estrutural. Juros elevados, câmbio desfavorável e commodities pressionadas reduziram a margem dos produtores. Quem não tinha caixa em 2025 entrou em 2026 com menos espaço para investir. Quem tinha recursos passou a adiar decisões, em meio a uma crise de liquidez.
A feira manteve 197 mil visitantes, número próximo ao de 2025, mas a presença não virou negócios no mesmo ritmo. Parte do público foi consultar, pesquisar e esperar condições melhores. Casos como XCMG Brasil Indústria, com alta de 10%, e Herbicat, com 300 contatos, aparecem como exceções.
Nesse cenário, a digitalização deixa de ser luxo e ganha peso como necessidade. Plataformas B2B, redução de intermediários, integração entre máquinas, financiamento, consultoria, marketplace de insumos e análise de dados podem ajudar a cortar custos e recuperar margem. A crise indica que o agro que resistir será o que fizer mais com menos.

