segunda-feira, abril 27, 2026
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Mais de 70 colmeias de abelhas nativas são resgatadas em reservatório


abelhas/resgate
Foto: divulgação/Sanepar

Desde janeiro de 2025, quando iniciou o trabalho de resgate de flora e fauna na região do Reservatório Miringuava, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) já registrou 123 resgates de ninhos de vespas e colmeias de abelhas. Desse total, mais de 70 colmeias são de 15 espécies diferentes de abelhas nativas sem ferrão.

O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, destaca que a construção de um reservatório é complexa e existe um planejamento voltado para o cuidado com a fauna e a flora locais.

“Garantimos a segurança hídrica da população de Curitiba e Região Metropolitana com aumento de 25% de reservação de água do sistema integrado com o Reservatório Miringuava e mantemos nosso compromisso com a sustentabilidade durante todas as etapas de construção, enchimento e operação da barragem”, declara.

A bióloga e gestora ambiental da Sanepar, Ana Cristina do Rego Barros, explica que as equipes especializadas em resgate e afugentamento de fauna realizam um acompanhamento simultâneo aos trabalhos de supressão vegetal e limpeza da área.

Além das abelhas, mais de 10 mil animais silvestres já foram resgatados ou afugentados. O trabalho será mantido até a finalização do enchimento da barragem.

Espécies resgatadas

De acordo com Hélio Massao Isobe, biólogo da empresa Jardiplan, contratada da Sanepar no processo de resgate de fauna, as abelhas resgatadas são, na maioria, do grupo Meliponini (abelhas sem ferrão). Também têm sido resgatadas abelhas exóticas, do gênero Apis, além de mamangavas e vespas.

“Uma das espécies que tivemos maior número é uma espécie bastante interessante e peculiar, que é a Mirim-Guaçu. É uma abelha que poliniza, e as colmeias que encontramos apresentam uma reserva de alimento muito grande, o que para os criadores é algo diferente”, observa.

Mirim-guaçu; abelha
Foto: divulgação/Sanepar

Importância do resgate

Isobe destaca que é fundamental resgatar as abelhas, especialmente na fase atual de enchimento da barragem, porque elas não abandonam o local de origem.

“As abelhas vivem em colmeia, têm um grupo de castas sociais onde elas se organizam, cada uma na sua função. Mesmo que a água suba, elas não vão sair. Então, a gente precisa ir lá retirar o ninho, passar para uma caixa ou retirar em cepo (secção de tronco) e fazer a remoção do local”, afirma.

O método do resgate varia de acordo com a situação. Se a colmeia ficou exposta no momento do corte, é feita a transferência do ninho para uma caixa, que é fechada e remanejada para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), localizado próximo ao reservatório. Quando a colmeia fica no interior do tronco, toda a estrutura é encaminhada para o centro de triagem.

Colmeia no interior do tronco
Colmeia no interior do tronco. Foto: divulgação/Sanepar

“Nós monitoramos o desenvolvimento delas, se conseguiram se reestruturar, controlar o ataque de forídeos (pequenas moscas) e se conseguiram iniciar o depósito de mel e pólen”, esclarece Isobe.

A maioria das colmeias será destinada para áreas de preservação permanente da represa. O restante será enviado a meliponicultores da bacia do Miringuava para enriquecimento genético dos plantéis, para a Universidade Federal do Paraná (UFPR), para a Embrapa e também para a prefeitura de São José dos Pinhais, que desenvolve um projeto educativo.

Proteção da água

Consideradas vitais para o equilíbrio dos ecossistemas, as abelhas participam significativamente na proteção de rios, nascentes e mananciais, promovendo a regeneração natural de florestas e matas ciliares por meio da polinização.

“As abelhas cumprem um serviço ecossistêmico imensurável, não tem como calcular. Então, é muito importante que a gente desempenhe esse papel, porque é um patrimônio genético que está aqui, traz uma série de informações importantes e servirá para inúmeras pesquisas e estudos”, acrescenta Isobe. 

Jardins de água e mel

Outra iniciativa da Sanepar relativa à proteção de abelhas nativas é o Jardim de Água e Mel. O projeto visa a construção de jardins, preferencialmente em ambientes escolares, que abrigam colônias de abelhas nativas sem ferrão, como as espécies mandaçaia e jataí.

Nesses espaços, também é estimulado o cultivo de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs), flores melíferas e é incentivada a prática de compostagem.

Desde a implantação do primeiro jardim, em 2021, a Sanepar já entregou 79 jardins compactos, três completos e 37 minimalistas, totalizando 614 colônias de abelhas sem ferrão. Ao todo, a iniciativa já impactou 89.861 pessoas em 32 municípios.

Sobre o resgate

De acordo com a Sanepar, o processo de resgate de animais faz parte de ações que a empresa precisa desenvolver em todos os grandes empreendimentos, principalmente quando envolve supressão vegetal.

“Já mostramos o resgate embarcado, feito após o início do enchimento. Temos vários materiais jornalísticos disponíveis, dentre eles vídeos e entrevistas”, destacou.

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