produtores buscam estratégias para reduzir impacto dos custos
A alta nos preços dos fertilizantes, impulsionada pelas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, pode impactar a agricultura brasileira e pressionar os custos de produção, segundo Instituto Agronômico, de Campinas. Diante desse cenário, a instituição recomenda maior eficiência no uso de insumos para preservar a produtividade. Entre as medidas indicadas estão a realização de análise de solo, a adoção de práticas agrícolas adequadas e o uso de calcário como forma de melhorar o aproveitamento dos nutrientes.
“Nosso objetivo é orientar estrategicamente os agricultores diante da muito provável alta nos preços dos fertilizantes, consequência da guerra que, além de inviabilizar rotas de transporte e encarecer os insumos, também vem comprometendo a infraestrutura de produção”, afirma Heitor Cantarella, pesquisador da área de solos e vice-coordenador do Instituto Agronômico, vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Segundo o Instituto Agronômico, a análise de solo permite identificar com precisão as necessidades nutricionais da lavoura, direcionando o investimento para o tipo e a quantidade adequados de fertilizantes. A prática contribui para o uso racional dos insumos, especialmente em um contexto de oferta restrita e preços elevados.
A instituição também destaca a importância da calagem, técnica que melhora a disponibilidade de nutrientes ao corrigir a acidez do solo e reduzir a toxidez do alumínio. O uso de calcário, insumo amplamente disponível no país, favorece o desenvolvimento radicular das plantas, amplia a absorção de nutrientes e contribui para a fertilidade do solo.
De acordo com Heitor Cantarella, as boas práticas agrícolas devem seguir o conceito 4C, baseado em dose certa, época certa, fertilizante certo e local certo. “O produtor pode ainda usar o que ele tem em sua propriedade, como é o caso do estercos e compostos”, orienta.
O pesquisador ressalta que instituições como o Instituto Agronômico têm o papel de antecipar desafios e oferecer soluções técnicas diante de cenários como o atual, marcado por fatores externos ao planejamento agrícola tradicional.
O contexto internacional contribui para a pressão sobre os preços dos insumos, uma vez que o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados, muitos deles transportados pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica afetada pelo conflito. A região também concentra o escoamento de petróleo, matéria-prima relevante para fertilizantes nitrogenados.
Segundo Cantarella, a incerteza sobre custos de importação dificulta a formação de preços no mercado interno. “Para ilustrar essa situação, o enxofre, matéria-prima de vários fertilizantes, principalmente os fosfatados, já aumentou cerca de 300% a 400% desde o início da guerra”, comenta Cantarella.
O cenário pode ter reflexos na economia, seja pelo repasse de custos ao consumidor, com impacto na inflação, ou pelo aumento do endividamento dos produtores, caso não consigam compensar a elevação dos gastos. “Outro complicador é que o cenário de preços elevados de fertilizantes ocorre em um período em que os preços de commodities agrícolas estão deprimidos. Para contribuir nesse cenário, o IAC lança mão de conhecimentos já desenvolvidos e consolidados e reforça as orientações com soluções factíveis para que os produtores possam enfrentar os desafios nessa época de crise”, comenta o especialista em solos no Brasil.

