sexta-feira, abril 24, 2026
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Agro muda de fase e coloca sustentabilidade na conta do negócio


Agtechs, inteligência artificial
Foto: Freepik

A sustentabilidade deixou de ser um diferencial e passou a integrar a estratégia de competitividade do agronegócio brasileiro. Pressionado por exigências ambientais, rastreabilidade e disputa por mercados, o setor vem incorporando práticas ESG como parte central do negócio.

Esse movimento foi destaque na Conferência Livre da Rede ODS da Embrapa, realizada em Brasília nos dias 22 e 23 de abril. O evento reuniu especialistas, setor público e empresas para discutir o papel da ciência, da inovação e da governança na implementação da Agenda 2030 no campo.

Segundo a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, a agenda já está incorporada ao planejamento da instituição.

“Seguimos atuando de forma integrada e responsável para entregar ciência, inovação e soluções à agricultura brasileira e à sociedade.”

ESG avança na prática e ganha escala no setor

A agenda de sustentabilidade vem sendo traduzida em ações concretas. Em 2025, a Embrapa lançou o programa “Embrapa ESG na Prática”, em parceria com o Instituto Global ESG.

Desde então, a iniciativa foi ampliada para as 43 unidades da empresa e passou a ser apresentada como referência na aplicação de práticas ESG no agro.

Para a diretora do Instituto Global ESG, Ana Clara Moura, o avanço depende de articulação entre diferentes agentes.

“Inovação sustentável no agro não depende só de tecnologia, mas da capacidade de conectar conhecimento, alinhar interesses e organizar cooperação.”

Segundo ela, a agenda ESG deixou de ser acessória e passou a influenciar diretamente os negócios. “ESG é transversal, essencial e amplia oportunidades.”

Foto: Embrapa/divulgação

Governança e gestão entram no centro da competitividade

O avanço da sustentabilidade no agro ocorre em um momento de forte desempenho do setor. Em 2025, o PIB da agropecuária cresceu 11,7%, enquanto a economia brasileira avançou 2,3%, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.

Sem o agro, o crescimento do país teria sido de apenas 1,5%, o que evidencia o peso do setor na economia. A participação da agropecuária atingiu 7,5% do PIB, o maior nível desde o início da série histórica, em 1996.

Esse desempenho foi impulsionado principalmente pela agricultura, com destaque para milho (+23,6%) e soja (+14,6), em um cenário de recuperação de produtividade e demanda externa aquecida.

Exportações reforçam pressão por padrões internacionais

No mercado externo, o agronegócio brasileiro também atingiu resultados recordes. Em 2025, as exportações somaram US$ 169,2 bilhões, o equivalente a 48,5% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior.

O superávit do setor chegou a US$ 149,07 bilhões, reforçando a importância da credibilidade e da adaptação às exigências internacionais.

Nesse contexto, sustentabilidade, governança e transparência passam a ser critérios de acesso a mercado, e não apenas diferenciais.

Sustentabilidade deixa de ser discurso e entra na estratégia

A ampliação de programas ESG e a incorporação da agenda na Rede ODS indicam uma mudança de posicionamento do setor. A sustentabilidade deixa de ser tratada como pauta institucional e passa a operar como linguagem de mercado.

Na prática, o movimento aponta para um novo padrão de competitividade, em que inovação, gestão e responsabilidade ambiental caminham juntas.

Em um setor que responde por quase metade das exportações brasileiras, essa transformação tende a impactar não apenas a imagem do agro, mas sua posição na economia global.

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