Mais de 61% dos acidentes fatais em armazenagem de grãos ocorreram em espaços confinados

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os acidentes fatais em estruturas de armazenagem de grãos no Brasil se concentraram, em 2025, em ambientes de alto risco: 61,2% ocorreram em espaços confinados e 71,6% estavam ligados a silos.
O levantamento também aponta que 64,2% das ocorrências envolveram atmosfera potencialmente perigosa, com presença de gases, poeira explosiva ou risco de incêndio, evidenciando que a maioria dos acidentes fatais no setor está associada a condições estruturais previsíveis e passíveis de prevenção.
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Segundo um engenheiro de segurança do trabalho e instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Filipe Campos, o acidente que mais ocorre é o soterramento. “Hoje, o campeão de acidentes em silo é o soterramento, que ocorre quando uma massa de grãos cede e cobre o trabalhador durante a execução de atividades”, explica.
Além disso, há registros de engolfamento (quando o trabalhador é sugado por grãos ao pisar em superfícies instáveis) e, em menor escala, casos relacionados à inalação de gases tóxicos. “No passado recente, havia mais acidentes por asfixia. Mas, com o avanço de tecnologias como medidores de gases e melhorias na engenharia dos ambientes, esses casos diminuíram significativamente”, afirma.
Segundo Campos, um episódio emblemático ocorreu no Paraná, há cerca de três anos, quando a explosão em uma estrutura de armazenamento resultou na morte de nove trabalhadores. Desde então, o setor tem intensificado investimentos em prevenção.
Falhas na supervisão e estrutura
Apesar da evolução, Campos aponta que a falta de supervisão adequada e de condições estruturais ainda contribui para acidentes. Normas regulamentadoras como a NR-33 (espaços confinados) e a NR-31.13 (segurança em silos) estabelecem diretrizes claras, como a obrigatoriedade de supervisores, vigias e permissões formais para entrada nos silos.
“O trabalho não pode ser feito de forma isolada. É necessário ter equipe treinada, supervisão e equipamentos adequados, como cintos de segurança e pontos de ancoragem resistentes”, destaca o instrutor.
Ele reforça que a segurança depende de três pilares principais: capacitação dos trabalhadores, investimento em engenharia e tecnologia, e supervisão constante. “Não adianta treinar se não há estrutura. E não adianta ter estrutura se não há fiscalização do cumprimento das normas”, aponta.
Os equipamentos de proteção individual (EPIs) e dispositivos de segurança representam um investimento significativo para as empresas. Um medidor de gases, por exemplo, pode custar entre R$ 5 mil e R$ 30 mil. Já itens como cintos de segurança e talabartes variam entre R$ 300 e R$ 500.
Redução de acidentes, mas com ressalvas
Na avaliação do instrutor, houve uma redução nos acidentes nos últimos anos, especialmente em regiões com maior fiscalização e adoção de boas práticas. “Tem empresas que não permitem a entrada em espaços confinados sem todos os procedimentos de segurança. Nessas, dificilmente você vê acidentes fatais”, diz.
No entanto, ele alerta que ainda há falhas, principalmente em empresas que não seguem integralmente as normas ou negligenciam a supervisão.
Fiscalização e políticas públicas
De acordo com Campos, estados como Mato Grosso têm intensificado a fiscalização, o que contribui para a melhoria das condições de trabalho. Além disso, campanhas de conscientização e o uso de plataformas digitais têm ampliado o acesso à informação sobre segurança.
Entre os principais desafios estão a rotatividade de trabalhadores, que dificulta a consolidação da cultura de segurança, e a necessidade de maior comprometimento das empresas com a adequação às normas.
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