sábado, abril 11, 2026
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O dólar como cabo eleitoral de Lula


presidente Lula aumento IOF
Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom

A política brasileira sempre teve uma relação íntima com o dólar. Quando o real ganha força, o governo respira. Para a gestão Lula, que enfrenta desafios de aprovação, a valorização da nossa moeda não é apenas um dado financeiro, mas uma ferramenta de sobrevivência política. 

O mecanismo é direto: dólar baixo significa importações mais baratas. Como grande parte da produção nacional hoje é atrelada a custos em dólar de fertilizantes a máquinas, o real forte reduz o custo de produção no Brasil.

Esse alívio na base da cadeia ajuda a segurar os preços finais, funcionando como um freio na inflação que o eleitor sente na gôndola. 

A proteína animal é o exemplo claro dessa dinâmica. Com o dólar em queda (que já acumula baixa de 7,5% em 2026), exportar carne torna-se menos lucrativo comparado ao mercado interno. Isso aumenta a oferta de comida dentro do país e força a queda dos preços. 

Para um governo que fez da “picanha” um símbolo, ver o preço das proteínas recuar é o argumento mais forte para reconquistar o bolso do cidadão.

No momento, o Planalto aposta que o carrinho de compras cheio falará mais alto do que as queixas dos exportadores. Se o dólar seguir cedendo, Lula terá o que comemorar: um possível alívio imediato no prato do brasileiro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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