sexta-feira, abril 10, 2026
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Pesquisadores apresentam avanços e desafios da acácia-negra


Pesquisadores do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) participaram de um encontro de viveiristas na sede da empresa Seta S/A, em Estância Velha. O evento, na tarde desta sexta-feira (10), reuniu apresentações técnicas sobre avanços na pesquisa com acácia-negra.

Durante a programação, foram destacados resultados de estudos sobre o uso de bioinsumos na produção de mudas. O pesquisador do DDPA Luciano Kayser Vargas apresentou avanços no uso dessas tecnologias, com base em cinco publicações em periódicos internacionais. “Entre os principais resultados, estão a identificação de alta diversidade de rizóbios noduladores em solos do Rio Grande do Sul, a eficiência das estirpes recomendadas, o aumento da germinação e do vigor de plântulas com a inoculação de sementes e o potencial de uso de bactérias para estimular o enraizamento de estacas”, elencou.

A adoção dessas tecnologias tem impacto direto na qualidade das plantas. “Estudos demonstram que mudas inoculadas com bioinsumos têm potencial de incremento de 15% no volume de madeira de florestas de acácia”, ressaltou o engenheiro florestal e coordenador do Plano ABC+RS, Jackson Brilhante.

Em sua apresentação, Brilhante também enfatizou a importância do manejo adequado da fertilidade do solo. Segundo ele, é fundamental que o produtor realize a reposição dos nutrientes exportados pela colheita, especialmente cálcio (Ca) e magnésio (Mg). “Em média, a retirada de madeira e casca de acácia-negra implica a exportação de cerca de 300 quilos de cálcio por hectare e 100 quilos de magnésio por hectare, o que reforça a necessidade de práticas regulares de correção e adubação para garantir a sustentabilidade produtiva ao longo dos ciclos”, explicou.

Doenças e estratégias de controle

Outro destaque do encontro foi a palestra da pesquisadora do DDPA Andréia Mara Rotta de Oliveira, que abordou as principais doenças da acácia-negra e estratégias de controle. A apresentação contemplou ocorrências em sementes, viveiros e campo, com ênfase na gomose, causada por fungos do gênero Phytophthora, e na murcha-de-ceratocistose (Ceratocystis fimbriata).

Segundo a pesquisadora, a gomose é considerada a principal doença em plantações florestais no Brasil e em acácia, no Rio Grande do Sul, seguida pela murcha. Andréia também apresentou resultados de pesquisas em andamento voltadas à identificação de fungos fitopatogênicos em viveiros e à seleção de microrganismos com potencial para o controle biológico. “Estamos investigando a presença de fungos que limitam a produção de mudas e selecionando microrganismos capazes de atuar no controle desses fitopatógenos”, afirmou.

Para o diretor-presidente da Seta, Diogo Leuck, o encontro reforça a importância da integração entre pesquisa e produção. “Tudo começa no campo — e, na silvicultura, antes ainda, no viveiro. Por isso, realizamos anualmente o encontro com viveiristas, para informar, trocar experiências e aproximar a empresa e os órgãos do governo de quem aplica, na prática, a tecnologia e a inovação nas mudas”, sintetizou.





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