quinta-feira, abril 9, 2026
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O gigante refém: a fragilidade por trás dos recordes do agro


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Foto: Gilson Abreu/AEN

Na década de 1970, o Brasil importava 70% da sua comida. Graças à tecnologia e ao esforço de Estado, viramos o “celeiro do mundo”. Mas esse sucesso esconde uma ferida aberta: nossa liderança é uma escalada íngreme onde os pinos de segurança estão se soltando.

Somos gigantes na exportação, mas anões na produção dos insumos que nos sustentam. O Brasil hoje importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência não é obra do acaso, mas da falta de um projeto de nação.

Enquanto o produtor é eficiente da porteira para dentro, o “custo Brasil” — juros altos, infraestrutura precária e carga tributária voraz — asfixia a indústria nacional de insumos. O resultado? Nossa soberania alimentar viaja em navios estrangeiros.

O exemplo mais dramático dessa fragilidade vem de Minas Gerais. A paralisação das operações da Mosaic Fertilizantes em Araxá, com a demissão de 1.200 funcionários, é um alerta vermelho.

A produção de fosfatados nacionais tornou-se inviável porque dependemos do enxofre importado, cujo preço disparou no mercado global. Quando uma indústria desse porte desiste de produzir em solo brasileiro, o recado é claro: estamos perdendo a sustentação.

Nossa classe parlamentar, muitas vezes incapaz de enxergar além do próximo orçamento, ignora que sem autonomia em insumos não há segurança nacional. O mundo mudou e novos concorrentes surgem. Não basta produzir muito; é preciso ter controle sobre os custos.

Chegamos ao topo da montanha, mas estamos pendurados por um fio que não controlamos. É hora de decidir: ou fixamos nossos próprios pinos, investindo em plantas nacionais e logística, ou continuaremos sendo um colosso que precisa pedir licença ao mundo para poder plantar.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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