quinta-feira, abril 9, 2026
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Seguro rural deve ter queda de 4% em 2026, estima CNSeg


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Foto: Divulgação

A projeção de desempenho do seguro rural em 2026 foi revisada para baixo pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). A expectativa anterior apontava crescimento nominal de 2,3%, mas a nova estimativa indica queda de 3,9%.

Segundo o presidente da entidade, Dyogo Oliveira, o novo cenário decorre, principalmente, da falta de recursos suficientes no orçamento federal destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), mecanismo que subsidia parte do custo da apólice para o produtor. Sem esse apoio, a contratação de seguros tende a diminuir.

“O principal fator é que ainda não tivemos, no orçamento deste ano, os recursos necessários para retomar a trajetória de crescimento do seguro rural”, afirmou Oliveira. “Isso acaba travando o mercado e levou à revisão da projeção.”

Dados apresentados pela entidade indicam que a arrecadação do segmento rural alcançou R$ 12,9 bilhões em 2025, uma queda de 8,8% em relação a 2024. Em janeiro deste ano, a queda foi de 12,2%, totalizando R$ 1,1 bilhão.

Redução da cobertura

A proporção da área agrícola segurada no país caiu significativamente nos últimos anos, destaca a CNseg.

A entidade lembra que o Brasil chegou a ter cerca de 13,7 milhões de hectares da área plantada protegida, mas o índice recuou para pouco mais de 3 milhões em 2025, o que representa 3,3% do total de área plantada do Brasil.

Para Oliveira, a diminuição da cobertura cria um ciclo negativo. Com menos produtores contratando apólices, o risco médio da carteira aumenta, pressionando o preço do seguro e desestimulando novas contratações e a entrada de seguradoras no mercado.

“O seguro funciona pela diluição do risco. Quando menos produtores participam, o custo médio sobe e o mercado perde competitividade”, ressalta.

A queda na proteção ocorre em um momento de aumento dos riscos climáticos para o agronegócio. De acordo com levantamento citado pela CNseg, o Brasil registrou perdas médias de cerca de R$ 60 bilhões por ano em eventos climáticos nos últimos anos, sendo o setor agrícola um dos mais impactados.

A entidade defende a criação de mecanismos estruturais para fortalecer o seguro rural no país. Entre as propostas apresentadas estão a garantia de orçamento estável para o PSR e a criação de um fundo de estabilização do seguro rural, que permitiria compensar anos de alta sinistralidade e reduzir a volatilidade dos prêmios.

PL contra contigenciamento de recursos

Também está em discussão no Congresso um projeto de lei relatado pelo deputado Pedro Lupion e de autoria da senadora Tereza Cristina, que busca impedir o contingenciamento de recursos do programa e estruturar o fundo de estabilização.

Segundo Oliveira, o fortalecimento do seguro rural é considerado estratégico diante da mudança no modelo de financiamento do agronegócio brasileiro que, conforme ele, está cada vez mais baseado em capital privado.

“Com mais financiamento privado no campo, cresce a necessidade de mecanismos que transmitam segurança ao investidor. O seguro é uma peça fundamental para garantir estabilidade e confiança no sistema”, afirmou.

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