quinta-feira, abril 9, 2026
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Previsão indica calor acima da média no trimestre


O Instituto Nacional de Meteorologia divulgou nesta segunda-feira (9) a edição do Boletim Agroclimatológico Mensal com o prognóstico para o trimestre abril, maio e junho de 2026. O documento apresenta previsões de chuva, temperatura e disponibilidade de água no solo para as regiões do país e seus possíveis impactos nas atividades agropecuárias.

Na Região Norte, o boletim indica volumes de chuva próximos ou acima da média histórica durante o período. O modelo multimodelo utilizado no estudo, desenvolvido em cooperação com o Centro de Previsão de Tempo e Clima e a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, aponta acumulados que podem chegar a até 100 milímetros acima da média em áreas do centro-norte do Amazonas, leste de Roraima, extremo norte do Tocantins, Baixo Amazonas e nordeste do Pará. O boletim informa que “são previstos volumes de chuva próximos ou acima da média histórica para o trimestre abril–maio–junho em grande parte da Região Norte”. As temperaturas tendem a permanecer próximas da média em parte da região, enquanto áreas do sudeste do Pará e noroeste do Tocantins podem registrar elevação média de até 1 °C. O documento também aponta elevados níveis de umidade no solo, superiores a 80% em grande parte da região durante abril e maio, o que pode favorecer as atividades agrícolas. Por outro lado, o boletim observa que “a manutenção de elevados níveis de umidade do solo, sobretudo em abril, pode dificultar a colheita e aumentar o risco de perdas de qualidade dos grãos” de soja em áreas onde as chuvas forem frequentes.

A partir de maio, a previsão indica redução gradual das chuvas em parte da região, com queda dos estoques de água no solo em áreas do sul do Pará, sul de Rondônia e centro-sul do Tocantins. Nessas áreas, os níveis podem ficar abaixo de 30%, cenário que, associado ao aumento das temperaturas, pode elevar a demanda evaporativa. O documento também aponta expansão de áreas com déficit hídrico ao longo do trimestre, principalmente em Tocantins, Rondônia e sul do Pará.

Na Região Nordeste, o prognóstico indica chuvas abaixo da média em grande parte da Bahia, no Rio Grande do Norte, no centro-leste da Paraíba e em áreas do São Francisco e do litoral norte de Pernambuco, com valores que podem ficar até 50 milímetros abaixo da média climatológica. Em contraste, o boletim prevê chuvas acima da média em grande parte do Maranhão e no centro-norte do Piauí, com anomalias de até 100 milímetros. As temperaturas devem permanecer acima da média na maior parte da região, com desvios entre 0,25 °C e 0,5 °C.

O levantamento também aponta expansão das áreas com baixa disponibilidade de água no solo ao longo do trimestre. Segundo o boletim, “o déficit hídrico tende a se intensificar no mês de maio e a ampliar as áreas afetadas em junho”. A condição pode afetar lavouras de sequeiro, especialmente feijão e milho segunda safra, além de limitar a recuperação das pastagens em áreas com menor umidade do solo.

No Centro-Oeste, a previsão indica chuvas próximas da média em grande parte da região entre abril e junho, com volumes acima da média no noroeste do Mato Grosso. Já no Mato Grosso do Sul e no extremo sul de Goiás, os acumulados podem ficar até 50 milímetros abaixo da média. As temperaturas tendem a permanecer acima da média em toda a região, com desvios de até 1 °C.

De acordo com o boletim, os níveis de umidade no solo devem superar 70% em grande parte da região durante abril, favorecendo a manutenção das lavouras em campo. A partir de maio, porém, o documento indica redução progressiva desses níveis, com ampliação de áreas com déficit hídrico, especialmente em junho. A limitação de água pode afetar o desenvolvimento do milho segunda safra, principalmente nas fases de florescimento e enchimento de grãos.

Na Região Sudeste, a previsão aponta chuvas abaixo da média em São Paulo e no centro de Minas Gerais, com acumulados até 50 milímetros inferiores ao padrão climatológico em áreas do sul paulista. Nas demais áreas, o padrão tende a ficar próximo da média. As temperaturas devem permanecer acima da média em toda a região, com desvios de até 1 °C em áreas de São Paulo, sul do Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais.

O boletim indica que os níveis de água no solo devem permanecer superiores a 70% em grande parte da região durante abril, favorecendo as lavouras. A partir de maio, entretanto, a previsão aponta redução progressiva da umidade do solo, condição que pode resultar em estresse hídrico e afetar lavouras de segunda safra, além de comprometer o desenvolvimento de pastagens.

Na Região Sul, a previsão indica redução de acumulados de chuva em parte do período, com volumes até 100 milímetros abaixo da média no centro e sul do Paraná, no centro e oeste de Santa Catarina e no extremo norte do Rio Grande do Sul. As temperaturas devem ficar acima da média em toda a região, com desvios que podem superar 1 °C e alcançar até 2 °C em áreas do sul do Paraná, centro e oeste de Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Apesar da redução de chuvas em parte do período, o boletim aponta níveis de umidade no solo superiores a 70% na maior parte da região ao longo do trimestre. O documento destaca que, com a previsão de excedentes hídricos mais expressivos em maio e junho, “as janelas de colheita da soja e do arroz irrigado tendem a ser mais restritas”, o que pode afetar as operações no campo e a qualidade dos produtos.





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