quinta-feira, abril 9, 2026
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Estudo indica que 98% da matriz elétrica de Minas Gerais vem de fontes renováveis


energia renovável
Foto: Victor Fagundes / Sede

Minas Gerais deu um salto de 95% na geração de energia elétrica em menos de uma década. A produção total passou de 37.681 GWh, em 2015, para 73.478 GWh em 2024. Isso é o que mostra o Panorama do Setor Elétrico de Minas Gerais, publicado nesta quarta-feira (8) pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG). 

Outro destaque apontado na análise técnica é a predominância das energias renováveis no estado. Dados de 2024 apontam que as fontes fósseis de energia, compostas pelo gás natural e derivados de petróleo, representaram apenas 1,9% da produção elétrica do estado. Ou seja, cerca de 98% da energia produzida em Minas Gerais é oriunda de fontes renováveis.

Entre essas fontes, a energia solar cresceu significativamente nos últimos anos, e o estado lidera a produção nacional, respondendo por mais de 23% de toda a geração fotovoltaica do Brasil. O setor ganhou impulso significativo por meio de políticas públicas como o Sol de Minas. 

Coordenado pela Sede-MG, o programa garantiu capacitação para gestores públicos, desburocratização e incentivos fiscais. Desde 2019, foram atraídos mais de R$ 83 bilhões em investimentos privados para o setor, com previsão de 7,7 mil empregos diretos em 38 municípios.

“Minas Gerais combina uma matriz elétrica majoritariamente limpa e uma demanda intensiva em energia, o que representa uma grande oportunidade para atração de investimentos ligados à transição energética e um desafio importante acerca de ganhos de eficiência, modernização e planejamento”, destaca o superintendente de Política Minerária, Energética e Logística da Sede-MG, Raphael Evaristo Rodrigues.

Fontes renováveis crescem no estado

Com 73.478 GWh gerados em 2024, Minas Gerais registrou crescimento expressivo de 10,4% em relação a 2023, superando o desempenho médio nacional. Com isso, o estado ocupa a 4ª posição entre os maiores produtores de energia do país.

De acordo com o estudo, a matriz elétrica mineira apresenta um perfil amplamente renovável, e isso teve um impulso ainda maior nos últimos. Em 2015, as hidrelétricas responderam por cerca de 74% da geração estadual, seguidas pela biomassa com 15% e pelas fontes fósseis com 11%.

Em 2024, as fontes renováveis alcançaram 98% da geração, com a hidráulica respondendo 66%, a solar por 22%, a biomassa por 10% e as fontes fósseis recuando para para menos de 2%. Entre elas, a energia solar fotovoltaica apresentou o maior salto: de 6 GWh, em 2015, para 16.433 GWh em 2024, o que representa crescimento superior a 2.600 vezes em menos de uma década. 

Gráfico
Foto: divulgação/Agência de Minas

Consumo das indústrias

Pelo lado do consumo, Minas Gerais se diferencia do padrão brasileiro por concentrar mais da metade do consumo de eletricidade na indústria (52,39%), acima da média nacional (35,19%), refletindo a especialização do estado em setores eletrointensivos.

Ainda conforme o estudo, o setor residencial responde por 22,75% e o comercial por 13,66% do total, enquanto as demais classes – rural (5,53%), poder público (1,64%), serviço público (2,36%) e iluminação pública (1,58%) – somam cerca de 11%. Essa composição evidencia a concentração do consumo mineiro em usos produtivos, característica que diferencia o estado no contexto nacional.

Entre 2015 e 2024, o consumo total de eletricidade em Minas Gerais passou de 52,8 para 67,5 milhões de MWh, crescimento médio de 2,77% por ano, acima do ritmo nacional (2,10% a.a.).

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