Paralisação da venda de fertilizantes de Rússia e China deve encarecer safra brasileira

Rússia e China, importantes exportadores de fertilizantes ao Brasil, estão bloqueando as vendas de nitrato de amônio e ureia, respectivamente, para assegurar suas produções internas em um momento de possível escasse global motivada pela guerra no Oriente Médio.
Enquantos os russos devem liberar os embarques em maio, a previsão é que os chineses retomem as vendas apenas em agosto, cenário que pode impactar o início da safra 2026/27 brasileira.
O analista de Inteligência de Mercado da StoneX Tomás Pernías ressalta que a notícia é especialmente preocupante ao Brasil, uma vez que, ao longo de 2025, o país importou 1,2 milhão de toneladas de nitrato, sendo que a maior parte desse volume veio justamente da Rússia.
“Se usarmos os números de 2025 e pensarmos que as exportações russas vão ser suspensas durante um mês, estaríamos falando de aproximadamente 100 mil toneladas de nitrato de amônio que deixariam de chegar ao mercado brasileiro”, destaca.
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Segundo ele, ainda que o volume não seja tão significativo, essa paralisação é preocupante porque a oferta de nitrogenados já se encontra comprometida por conta da guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos.
Com relação à China, Pernías lembra que recorrentemente o país suspende as suas exportações de ureia e de outros nitrogenados para direcioná-los ao mercado interno, algo que ocorreu no mesmo período de 2025.
“Contudo, ainda que os investidores brasileiros estejam esperando em alguma medida esse movimento em 2026, da mesma forma que ocorreu em 2025, novamente quero reiterar que isso acontece em um momento muito delicado. […] Ninguém esperava que isso fosse acontecer em meio de uma guerra no Oriente Médio.”
De acordo com o analista, as próximas semanas ditarão se a paralização das vendas de fertilizantes ocasionarão desabastecimento ou preços mais altos, a depender da retomada ou não das vendas russas em maio e a relação entre demanda e oferta chinesa.
Segundo Pernías, a StoneX e o mercado como um todo ainda não consideram um cenário de desabastecimento, mas observa-se que os custos de produção agrícola já estão mais elevados em 2026 por conta da alta dos combustíveis e frentes que já acontece independetemente da reabertura ou não do estreito de Ormuz.
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