domingo, abril 5, 2026
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Demanda para a China fortaleceu preços da arroba do boi em março; o que esperar de abril?


pecuária, gado , boi
Foto: Gilson Abreu/AEN

O mercado físico do boi gordo no Brasil registrou um cenário de ambientes distintos ao longo de março.

Conforme o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, a primeira quinzena do mês foi marcada pela eclosão do conflito no Oriente Médio, o que estabeleceu dificuldades logísticas e levou a indústria frigorífica a pressionar o mercado, derrubando os preços da arroba.

Já na segunda quinzena, em meio ao quadro de oferta limitado, por conta das boas condições das pastagens no Centro-Norte do Brasil, o mercado passou a trabalhar com um foco maior na China, de modo a buscar preencher a cota de embarques destinada ao Brasil neste ano, de 1,1 milhão de toneladas.

“Assim, houve uma aceleração nos embarques de carne bovina, o que permitiu com que as negociações de compra da arroba acontecessem em patamares mais altos, estabelecendo novos pontos de máxima em quase todo o país”.

O que esperar de abril?

Apesar do cenário de retomada nos preços da arroba, Iglesias ressalva que se esse ritmo de embarques acelerado for mantido, a tendência é de que a cota destinada ao Brasil possa se esgotar entre os meses de maio e julho.

“Isso pode vir a esvaziar as exportações no terceiro trimestre, causando uma forte derrubada nos preços da arroba, justamente em um período importante de entrada de animais provenientes dos confinamentos”, alerta.

Porém, o analista ressalta que o foco de aftosa no gigante asiático, divulgado na quinta-feira (2), é um ponto de atenção. “Se for apenas um caso isolado não haverá grandes alterações em relação a dinâmica já estabelecida em torno das exportações. No entanto, a China pode se tornar mais presente no contexto da importação se a doença se alastrar pelo país a ponto de prejudicar de maneira mais incisiva o rebanho, o que por enquanto não parece ser o caso”, destacou.

Variação de preços da arroba

Diante das baixas iniciais e das altas na segunda metade do mês, os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 31 de março:

  • São Paulo (Capital): R$ 360, estável em relação aos valores praticados no final de fevereiro;
  • Goiás (Goiânia): R$ 340, inalterado frente ao encerramento de fevereiro;
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 345, avanço de 1,47% ante os R$ 340 registrados no fechamento de fevereiro;
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 350, avanço de 2,94% ante os R$ 340 praticados no final do mês retrasado;
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 355, aumento de 4,41% frente aos R$ 340 praticados no fechamento de fevereiro;
  • Rondônia (Vilhena): R$ 320, alta de 3,13% perante os R$ 310 registrados no final de fevereiro.

Mercado atacadista

No mercado atacadista, conforme Iglesias, o destaque ficou com a forte resiliência de preços ao longo de março, explicada pelo quadro de oferta restrita de carne bovina no cenário doméstico devido à forte demanda voltada a exportação para a China.

Como ponto de atenção, Iglesias alerta que a demanda para a carne de frango segue aquecida, cenário que deve se repetir ao longo de todo o ano, favorecendo o consumo de proteínas mais acessíveis por grande parte da população, como ovos e embutidos.

  • Quarto do dianteiro: foi precificado a R$ 21,80 por quilo em março, aumento de 3,81% frente aos R$ 21,00 por quilo praticados no final de fevereiro;
  • Cortes do traseiro bovino: foram cotados a R$ 27,50 por quilo, avanço de 1,85% ante os R$ 27,00 por quilo registrados no encerramento de fevereiro.

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