terça-feira, março 31, 2026
News

JBS inaugura centro de biotecnologia para desenvolver ‘superproteínas’


Centro de Biotecnologia Avançada JBS
Foto: Divulgação JBS

A JBS inaugura nesta quarta-feira (1º), em Florianópolis, Santa Catarina, a JBS Biotech, centro de biotecnologia avançada dedicado ao desenvolvimento de ciência aplicada à cadeia produtiva, para criar e agregar valor à produção de alimentos.

A unidade atua em saúde animal, nutrição de precisão e desenvolvimento de proteínas funcionais e alternativas, elevando o padrão competitivo da cadeia de proteína animal.

Instalado no Sapiens Parque, o complexo é liderado pela engenheira química Fernanda Berti, doutora em Desenvolvimento de Processos Químicos e Biotecnológicos, e foi estruturado para atuar desde a pesquisa inicial até a validação de novas tecnologias para aplicação industrial.

Com estrutura de mais de 4.000 metros quadrados dedicados à pesquisa e desenvolvimento, a JBS Biotech conta com mais de 20 laboratórios altamente especializados, projetados segundo padrões internacionais de qualidade e segurança operacional.

A atuação da unidade abrange todo o ciclo de desenvolvimento tecnológico, da ciência básica e biologia molecular à engenharia, simulação de dados e validação de resultados.

“A JBS Biotech é capaz de desenvolver desde proteínas funcionais – as chamadas superproteínas – até novas soluções em ingredientes que contribuam para produtos mais saudáveis. Mas, mais do que produzir um item final, nosso objetivo é desenvolver tecnologia, acelerar provas de conceito e abrir caminhos para futuras aplicações em escala industrial”, destaca o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni.

“Estamos entrando em uma nova fronteira, em que é possível entender o potencial dos alimentos proteicos em nível molecular e desenvolver soluções com características nutricionais e funcionais sob medida para diferentes necessidades dos consumidores”, afirma Fernanda, CEO da JBS Biotech.

“Isso inclui o avanço da nutrição de precisão, com o desenvolvimento de ingredientes e proteínas desenhadas para modular respostas fisiológicas específicas, tanto em humanos quanto em animais”, completa.

Proteínas de alta qualidade

Segundo ela, no centro dessa iniciativa está o compromisso de oferecer ao consumidor proteínas de alta qualidade, ampliar o acesso a novas tecnologias de produção de proteínas e contribuir para a construção de um modelo produtivo cada vez mais eficiente.

A pesquisadora enfatiza que, na prática, isso abre caminho para proteínas de alta qualidade nutricional, ricas em aminoácidos essenciais, na proporção adequada ao consumo, além de propriedades funcionais específicas.

Esses ingredientes podem ser desenhados para atuar de forma direcionada, desde ganho de massa muscular até suporte imunológico e desempenho metabólico, ampliando o conceito de nutrição tradicional para uma nutrição mais personalizada e baseada em ciência.

O conhecimento gerado também é aplicado na melhoria de produtos já existentes, ampliando qualidade e valor nutricional. Entre as frentes de pesquisa está o desenvolvimento de peptídeos e bioingredientes com potencial antioxidante e antimicrobiano, que podem contribuir para a redução de aditivos em alimentos e para o avanço de produtos com perfil clean label.

“Esta iniciativa nasce da nossa convicção de que ciência, tecnologia e inovação são essenciais para garantir a segurança alimentar em um mundo em rápida transformação”, completa Tomazoni.

Ciência aplicada à inovação industrial

JBS Biotech
Foto: Divulgação JBS

O avanço da biotecnologia tem impulsionado o crescimento de setores estratégicos da economia global ao viabilizar produtos de alto valor agregado, associados à eficiência produtiva, à responsabilidade ambiental e à segurança alimentar.

Alinhado a esse cenário, o centro conta com uma estrutura que integra sequenciadores de última geração, análises moleculares avançadas, ciência de dados ômicos ‒ genômicos, proteômicos e metabolômicos ‒, além de capacidade completa para culturas celulares, de micro-organismos e de plantas. Tomazoni destaca que essa infraestrutura posiciona a JBS Biotech como um centro de excelência para inovação, reduzindo a distância entre ciência, indústria e consumidor.

Já Fernanda ressalta que a infraestrutura permite, por exemplo, o mapeamento detalhado de perfis biológicos e nutricionais, abrindo caminho para aplicações futuras em nutrição personalizada, em que necessidades individuais podem orientar o desenvolvimento de ingredientes e soluções proteicas específicas.

Um dos pilares dessa visão é a estruturação do biobanco, com armazenamento criogênico de amostras biológicas, que, aliado às capacidades de biotecnologia aplicada, protege e amplia a valorização de matérias‑primas da cadeia agroindustrial.

A JBS Biotech integra competências multidisciplinares que abrangem desde a ciência básica — como biologia, química e física — até a ciência aplicada — engenharia química, bioquímica, bioprocessos e ciência de alimentos — com o objetivo de otimizar processos produtivos convencionais e viabilizar a criação de novos processos tecnológicos.

De acordo com a companhia, essa base permite ao centro atuar tanto em inovação incremental, com melhorias em processos e produtos já existentes, quanto em inovação disruptiva, voltada à criação de novas soluções para a cadeia de alimentos.

Valor agregado à cadeia

Aprofundar o modelo de economia circular já consolidado pela JBS é outro eixo estratégico do centro. Pesquisas utilizam tecnologias de extração e bioconversão para transformar coprodutos em bioingredientes de maior valor agregado, como proteínas funcionais, suplemento alimentar e compostos bioativos.

“Mais do que o produto final em si, o grande valor da biotecnologia está no aprendizado científico que esse processo proporciona”, explica Tomazoni. “A geração contínua de conhecimento constitui um ativo estratégico que assegura propriedade intelectual, orienta decisões e sustenta a competitividade, ao conectar inovação às tendências de mercado, por exemplo as ‘superproteínas’, com potencial, inclusive, de melhorar produtos que já oferecemos.”

A cadeia produtiva permite aproveitar melhor os recursos gerados nos processos convencionas para atender diferentes setores, como de insumos e produtos farmacêuticos, cosméticos, médicos e de suplementos alimentares. “Estamos mapeando aquilo que hoje é tratado como subproduto para desenvolver novas aplicações industriais”, afirma Fernanda Berti.

Saúde animal e eficiência

A biotecnologia tem um papel cada vez mais relevante na saúde dos animais, ao apoiar o desenvolvimento de produtos veterinários seguros e eficientes, que se integram às práticas já consolidadas de manejo e cuidado nos diferentes sistemas de produção.

As pesquisas incluem o desenvolvimento de soluções nutricionais e bioativas que contribuem para a prevenção de doenças e melhoria do desempenho animal, reduzindo a necessidade de intervenções mais intensivas. Essas soluções contribuem para o fortalecimento das estratégias de prevenção e controle sanitário, apoiando o bem‑estar animal e a produção responsável de alimentos ao longo de toda a cadeia.

Segundo Fernanda, a biotecnologia contribui para a eficiência operacional da produção de proteína animal, ao auxiliar na organização de dados relacionados aos sistemas produtivos. O uso combinado de ciência de dados e biotecnologia permite maior precisão nas decisões, promovendo ganhos de produtividade, redução de perdas e uso mais racional de recursos.

Conforme ela, o uso de produtos veterinários desenvolvidos com base científica favorece a melhoria contínua dos processos, a redução de perdas e o uso mais racional de recursos, promovendo maior previsibilidade e eficiência sem abrir mão das boas práticas já adotadas pelo setor.

Nova etapa de investimento em biotecnologia

JBS Biotech
Foto: Divulgação JBS

A inauguração do centro se conecta a iniciativas anteriores da companhia em biotecnologia, incluindo investimentos em proteína cultivada na Europa. Com o novo centro no Brasil, a empresa amplia sua capacidade de desenvolver soluções em diferentes frentes da cadeia de alimentos.

De acordo com a CEO da JBS Biotech, em um cenário de crescimento da demanda global por proteína e maior exigência por qualidade nutricional, o avanço da ciência em novos ingredientes proteicos amplia as possibilidades de desenvolvimento de alimentos com maior precisão nutricional e funcional.

“Nossa missão é tangibilizar o conhecimento biotecnológico”, resume Fernanda. “Queremos transformar ciência em soluções que gerem valor duradouro para a empresa e para a sociedade.”

O post JBS inaugura centro de biotecnologia para desenvolver ‘superproteínas’ apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *