segunda-feira, março 30, 2026
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Até 20 ministros devem deixar o governo para disputar eleições


desenvolvimento agrário - esplanada dos ministérios - brasília
Foto: Governo Federal/divulgação

Ministros que pretendem disputar as eleições de outubro precisam deixar os cargos até o próximo sábado (4). Ou seja, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem poucos dias para definir os substitutos.

Chamado de desincompatibilização, o prazo é determinado pela Justiça Eleitoral.

Até o momento, 16 ministros já estão confirmados para sair, número que pode chegar a 20, caso outras quatro pastas ainda indefinidas também entrem na lista. Se confirmado, será o maior volume de trocas ministeriais em ano eleitoral, superando os registros de governos anteriores.

Trocas ocorrem sob pressão econômica

As mudanças ocorrem em um momento considerado delicado. Entre os principais desafios para os novos ministros estão os efeitos da instabilidade no Oriente Médio, a alta no preço dos combustíveis — especialmente o diesel — e os impactos diretos no agronegócio.

Também entram no radar questões como o risco de escassez de fertilizantes, principalmente a ureia, tema que já preocupa produtores rurais.

Gestão com prazo limitado

Em entrevista ao Mercado & Companhia desta segunda-feira (30), a cientista política Juliana Fratini apontou que os novos ministros devem enfrentar dificuldades para avançar em novas políticas públicas, diante do tempo reduzido de gestão.

“São mandatos ‘tampões’, com duração curta, de cerca de nove meses. Tudo que não foi realizado desde o início do governo dificilmente será feito agora, principalmente discussões mais profundas”, disse.

Segundo ela, o cenário de pressão econômica tende a agravar esse quadro. “Eles terão muita dificuldade para implementar novas políticas e, sobretudo, para fazer a gestão dos problemas que já existem”, completou.

Aumento nas saídas reflete cenário político

Fratini avalia que o aumento no número de ministros que deixam o governo está ligado à tentativa de manutenção de espaço político.

“Não há garantia de reeleição. Isso gera um movimento para que esses ministros busquem outros cargos e mantenham relevância política”, observou.

A cientista política também aponta perda de protagonismo das pastas ao longo do governo. “Os ministérios ficaram apagados nos últimos meses, com pouca visibilidade e atuação mais concentrada no Executivo como um todo.”

Mudanças já atingem o agro

Duas pastas diretamente ligadas ao agronegócio já têm substituições definidas.

No Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a secretária-executiva Fernanda Machiaveli assume o comando no lugar de Paulo Teixeira, que deve disputar vaga na Câmara dos Deputados pelo PT.

Já no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a saída de Carlos Fávaro abre espaço para André de Paula, do PSD, mesmo partido do atual ministro.

Lista de ministros que confirmaram saída

Além dos ministros do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura, 14 titulares confirmaram a saída do governo Lula. São eles:

  • Fernando Haddad (PT), da Fazenda
  • Renan Filho (MDB), dos Transportes
  • Rui Costa (PT), da Casa Civil
  • Gleisi Hoffmann (PT), da Secretaria de Relações Institucionais
  • Simone Tebet (PSB), do Planejamento
  • Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente
  • André Fufuca (PP), do Esporte
  • Waldez Góes (PDT), da Integração Nacional
  • Silvio Costa Filho (Republicanos), de Portos e Aeroportos
  • Anielle Franco (PT), da Igualdade Racial
  • Sônia Guajajara (PSOL), dos Povos Indígenas
  • Macaé Evaristo (PT), dos Direitos Humanos
  • Geraldo Alckmin (PSB), da Indústria e Comércio Exterior
  • Camilo Santana (PT), da Educação

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