terça-feira, março 24, 2026
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Estudo da Embrapa detecta salmonela em peixes nativos do Centro-Oeste


Foto: Yuri Porto

Um estudo conduzido por pesquisadores da Embrapa identificou a presença da bactéria salmonela (Salmonella spp.) em pisciculturas de peixes nativos no Centro-Oeste brasileiro. O patógeno foi detectado em 88% das propriedades analisadas e em 31,5% das amostras coletadas em Mato Grosso, principal polo produtor dessas espécies no país.

Os resultados acendem um alerta para a necessidade de reforço na vigilância sanitária e nas medidas de biossegurança nos ambientes de criação aquícola. A pesquisa foi coordenada pela cientista Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, com participação de especialistas da Universidade Federal de Mato Grosso.

Segundo os pesquisadores, a identificação precoce dos pontos críticos de contaminação permite a adoção de medidas preventivas capazes de reduzir riscos, aumentar a segurança do alimento e garantir a sustentabilidade da produção.

Contaminação foi avaliada em diferentes biomas

O levantamento analisou pisciculturas localizadas nos biomas Pantanal e Cerrado. Ao todo, foram examinadas 184 amostras de peixes, água dos viveiros, sedimentos, ração e fezes de animais domésticos e silvestres presentes nas áreas de cultivo.

As análises detectaram dez sorotipos diferentes da bactéria, com predominância de Salmonella saintpaul e Salmonella newport. Também foram observados níveis moderados de resistência a alguns antibióticos, mas sem registro de cepas multirresistentes.

As vísceras dos peixes apresentaram as maiores taxas de detecção, e a contaminação foi mais elevada no período seco, indicando influência de fatores ambientais e de manejo.

Outro estudo associado avaliou 55 cepas isoladas de tambatinga, híbrido do tambaqui, e não encontrou sorotipos clássicos ligados a surtos humanos graves. Todas as amostras foram sensíveis aos antibióticos testados, sugerindo baixo risco de resistência nas condições analisadas.

Presença da bactéria não significa peixe contaminado na mesa

Os pesquisadores ressaltam que o estudo se concentrou na fase de produção, não em toda a cadeia até o consumidor final. Processamento industrial, inspeção sanitária e cozimento adequado podem eliminar o risco.

A contaminação pode ocorrer nas pisciculturas devido ao acesso de aves, animais silvestres. como jacarés e capivaras, animais de criação e domésticos, que podem contaminar solo e água dos viveiros.

Especialistas também apontam que mudanças no processamento podem reduzir riscos. Uma das sugestões é retirar vísceras e guelras antes da lavagem hiperclorada, e não depois, como ocorre atualmente em muitos frigoríficos.

Cuidados simples reduzem risco praticamente a zero

Mesmo com possível exposição a microrganismos, medidas básicas na cozinha são eficazes para prevenir intoxicações alimentares:

Armazenamento

  • Manter refrigerado (até 4 °C) ou congelado
  • Evitar deixar fora da geladeira por longos períodos

Evitar contaminação cruzada

  • Separar peixe cru de alimentos prontos
  • Usar utensílios diferentes para alimentos crus e cozidos
  • Lavar mãos e superfícies após o manuseio

Cozimento seguro

  • Cozinhar completamente (acima de 70 °C)
  • Evitar consumo cru sem inspeção sanitária

Higiene na cozinha

  • Descartar líquidos da embalagem
  • Higienizar a pia após o preparo
  • Priorizar produtos inspecionados

Monitoramento deve avançar para outras regiões

Os cientistas defendem programas integrados de vigilância baseados no conceito de Saúde Única, que considera a relação entre saúde animal, humana e ambiental.

Os próximos passos incluem ampliar o monitoramento para outras regiões produtoras e desenvolver protocolos de boas práticas diretamente aplicáveis às pisciculturas. O objetivo é transformar os resultados científicos em orientações práticas que aumentem a segurança dos alimentos e a competitividade da aquicultura brasileira.

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