segunda-feira, março 9, 2026
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Leite: Preço ao produtor mantém movimento de queda em novembro, diz Cepea


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Foto: Pixabay

Parece notícia repetida, mas não é. O valor do leite pago ao produtor caiu pelo oitavo mês seguido, segundo boletim divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Em novembro, o preço fechou com média de R$ 2,1122/litro, um recuo de 8,31% frente à outubro. Na comparação com o mesmo período de 2024, a queda foi de 23,3%.

A pesquisa do Cepea, que considera os valores deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em novembro de 2025, mostra também que os preços acumulam queda real de 21,2% na parcial deste ano. O que explica o cenário, de acordo com o centro de estudos, é o elevado abastecimento do mercado.

A projeção do Cepea indica que o ano deve terminar com aumento médio de 7% na captação industrial, atingindo recorde de 27,14 bilhões de litros. Entre os motivos estão os investimentos realizados em 2024 e o clima mais favorável ao longo deste ano, favorecendo a produção de leite cru. Enquanto o movimento estimulou a produção nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, a queda típica no Sul nesta época do ano foi limitada.

De outubro para novembro, o índice de captação de leite subiu 1,61% na Média Brasil, acumulando alta de 15,9% na parcial do ano. Mas a oferta de lácteos não ocorre somente por causa da produção elevada no campo.

Importações seguem aquecidas

Conforme a análise do Cepea, a disponibilidade de lácteos no mercado interno também vem sendo reforçada pelas importações, que apesar da queda de 14,8% em novembro, seguem em níveis elevados. Na parcial de 2025, foram internalizados quase 2,05 bilhões de litros em equivalente leite (Eql), 4,8% a menos que o comprado no mesmo período de 2024. Porém, a pesquisa lembra as importações bateram recorde no ano passado.

Outro ponto de destaque é que as exportações caíram 33% na comparação anual, somando 62,4 milhões de litros Eql na parcial deste ano.

A partir desse cenário, agentes de mercado relatam alta considerável de estoques de lácteos, tanto na indústria quanto nos canais de distribuição. O resultado se traduz em pressão nas negociações de derivados, o que acaba comprimindo as margens da indústria. Produtos como queijo muçarela (-3,7%), leite UHT (11,1%) e leite em pó (-2,9%) negociados no atacado paulista registraram desvalorização em novembro.

Preço cai, custos sobem

Com o repasse das quedas dos lácteos ao valor do leite cru, a receita do produtor segue pressionada. Ao mesmo tempo, os custos de produção mantêm trajetória de alta, segundo o Cepea. Apesar da leve queda de 0,63% no preço da ração em novembro, o custo operacional efetivo (COE) avançou 0,22%, puxado pela valorização de outros insumos da atividade. O movimento limita qualquer alívio no caixa do produtor.

O aumento do preço do milho também reduziu o poder de compra. Em outubro, foram necessários 28,4 litros de leite para adquirir uma saca de 60 quilos do grão, alta de 7,1% frente a setembro e de 2,3% em relação à média dos últimos 12 meses, de 27,8 litros.

Para o Cepea, os números reforçam um cenário de perda de rentabilidade no campo e de maior cautela nos investimentos. A tendência é de desaceleração gradual da produção ao longo dos próximos meses.

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