sexta-feira, julho 24, 2026
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Barral: nova tarifa dos Estados Unidos amplia desvantagem competitiva do Brasil


Balança comercial tem superávit em setembro, com crescimento das exportações agropecuárias. Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay

Mais do que o aumento da carga tarifária, a nova investigação dos Estados Unidos sobre trabalho forçado pode alterar a competitividade das exportações brasileiras.

Segundo análise do sócio da BMJ Consultores Associados e ex-secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, a principal diferença da medida está na forma como o Brasil foi enquadrado em relação a outros países, o que tende a favorecer concorrentes em diversos segmentos do comércio internacional.

Brasil não foi acusado de usar trabalho forçado

Barral destaca que a investigação não conclui que produtos brasileiros sejam fabricados com trabalho forçado.

O fundamento da decisão é outro: na avaliação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o Brasil não possui nem aplica mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas nessas condições.

Essa característica diferencia a investigação das discussões comerciais anteriores envolvendo o país e insere o Brasil em um grupo de economias sujeitas à tarifa integral de 12,5%.

Concorrentes saem na frente

Na avaliação do especialista, o maior impacto tende a ocorrer porque diversos concorrentes do Brasil receberam tratamento tarifário mais favorável.

Argentina, México, Canadá, Índia, Malásia e Indonésia ficaram sujeitos a uma tarifa de 10%, enquanto União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Suíça e Taiwan terão um mecanismo que reduz ou elimina a cobrança adicional em diversos produtos, dependendo da tarifa já aplicada pelos Estados Unidos.

Segundo Barral, essa diferença pode influenciar a decisão de importadores americanos, que passam a encontrar fornecedores concorrentes em condições mais vantajosas.

Setores mais vulneráveis

A análise indica maior risco para cadeias em que o Brasil compete diretamente com esses países, como:

  • têxteis;
  • vestuário;
  • calçados;
  • móveis;
  • máquinas e equipamentos;
  • produtos químicos;
  • bens de consumo e parte da agroindústria.

O que as empresas devem fazer

Barral recomenda que os exportadores revisem imediatamente a classificação tarifária de seus produtos, verifiquem as exceções previstas nos anexos da medida, reforcem a documentação de compliance e reavaliem contratos e estratégias comerciais diante do novo cenário competitivo.

Dessa forma, a reportagem entrega uma informação nova para quem já acompanhou a cobertura: não volta a explicar que as tarifas se somam, mas mostra por que essa investigação muda o ambiente competitivo e quais são seus efeitos práticos.

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