Barral: nova tarifa dos Estados Unidos amplia desvantagem competitiva do Brasil

Mais do que o aumento da carga tarifária, a nova investigação dos Estados Unidos sobre trabalho forçado pode alterar a competitividade das exportações brasileiras.
Segundo análise do sócio da BMJ Consultores Associados e ex-secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, a principal diferença da medida está na forma como o Brasil foi enquadrado em relação a outros países, o que tende a favorecer concorrentes em diversos segmentos do comércio internacional.
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Brasil não foi acusado de usar trabalho forçado
Barral destaca que a investigação não conclui que produtos brasileiros sejam fabricados com trabalho forçado.
O fundamento da decisão é outro: na avaliação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o Brasil não possui nem aplica mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas nessas condições.
Essa característica diferencia a investigação das discussões comerciais anteriores envolvendo o país e insere o Brasil em um grupo de economias sujeitas à tarifa integral de 12,5%.
Concorrentes saem na frente
Na avaliação do especialista, o maior impacto tende a ocorrer porque diversos concorrentes do Brasil receberam tratamento tarifário mais favorável.
Argentina, México, Canadá, Índia, Malásia e Indonésia ficaram sujeitos a uma tarifa de 10%, enquanto União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Suíça e Taiwan terão um mecanismo que reduz ou elimina a cobrança adicional em diversos produtos, dependendo da tarifa já aplicada pelos Estados Unidos.
Segundo Barral, essa diferença pode influenciar a decisão de importadores americanos, que passam a encontrar fornecedores concorrentes em condições mais vantajosas.
Setores mais vulneráveis
A análise indica maior risco para cadeias em que o Brasil compete diretamente com esses países, como:
- têxteis;
- vestuário;
- calçados;
- móveis;
- máquinas e equipamentos;
- produtos químicos;
- bens de consumo e parte da agroindústria.
O que as empresas devem fazer
Barral recomenda que os exportadores revisem imediatamente a classificação tarifária de seus produtos, verifiquem as exceções previstas nos anexos da medida, reforcem a documentação de compliance e reavaliem contratos e estratégias comerciais diante do novo cenário competitivo.
Dessa forma, a reportagem entrega uma informação nova para quem já acompanhou a cobertura: não volta a explicar que as tarifas se somam, mas mostra por que essa investigação muda o ambiente competitivo e quais são seus efeitos práticos.
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